Poesia de libra

Voltei a respirar poesia,
a transpirar poesia,
a beber poesia,
a arrepiar poesia

Voltei a ouvir poesia,
a falar poesia,
a sentir poesia,
a ver poesia com a alma

Poesia que percorre o corpo,
delira a carne, a cama,
sem hesitar, excita, poesia

Poesia que invade tudo,
que inebria, que aciona o plexo secreto da vida
e caminha na libido, inibida, ou não

Poesia que atravessa a a filosofia, a psicologia,
que atravessa a literatura, os signos
– até os do zodíaco –
poesia de libra que não tem limites

Poesia que passa por todas as teorias humanas,
que reencarna, sem deixar o ceticismo,
que conhece o céu sem deixar o inferno

Poesia do ocultismo, que conhece o princípio da criação
poesia do homem, que responde a tríade da indagação
quem eu sou, por que sou e onde vou…
poesia da criação do termo tempo
que fugiu de mim, poesia pelas mãos…

Poesia, que sem controle, uma vez perdida,
vira nova poesia, descontrolada, na primeira versão fugitiva,
tinha outros versos que a mente não registra mais,
sinais de que o mundo das ideias, às vezes,
revela o que está por vir – sem querer –

Poesia que desgoverna todos os pensamentos,
em momentos, o ápice do movimento
que une: corpo, mente e universo,
no complexo único momento de ser pleno…

Nome do meio

Eu vou fazer mais e melhor,
com mais vontade, com mais carinho,
com muito mais empenho…

Não sou gênio, nem sei de tudo,
nem a minha autoconfiança é imunde,
mas eu vou sim, partir pra cima
e, se cair, que seja na rima

Eu vou fazer mais e melhor,
na mira: melhorar ainda mais o meu trabalho,
não basta ser operário, tem que manter o alto nível,
é o padrão das relações bem-vindas, atendidas,
acima da média.

Eu vou fazer mais e melhor,
para agradar o meu eu em evolução,
para ser maior do que fui ontem,
sinto muito, podem, incomodem-se,
eu não ligo

Farei mais a frente, diferente,
convincente – não ao status –
mas, aos fatos de que quem faz bem,
e faz direito, sempre em progresso,
gera o melhor dos protestos da emoção

Com prazer, elo, zelo e pelo que eu anseio,
mais e melhor, meu apelido e nome do meio..

Sinceramente,

Esse poema não é uma indireta para ninguém,
é uma confissão, é para o próprio autor,
é o verso passado a limpo, que precisa ser escrito.

O desejo do conhecimento, do ser subjetivo,
aquela garra de trilhar caminho íntegro,
o esforço do bem sucedido profissional,
está descrito aqui na luta,
na gana, na graça, na garra, na raça, no riso

Não se pode negar a juventude,
o sonho, o objetivo traçado,
agora não cabe arrependimento,
é em um desprendimento de ego,
o poema honesto de quem atravessou os séculos espirituais
em amadurecimento condensado em tão poucos vintes e poucos anos

O emprego do verbo foi construído agarrando as oportunidades
no estalo que a vida deu, de que quem tem que buscar a melhoria sou eu…
a informação que me chega, sem tapa na mesa, aquela certeza rendeu o fruto
da sabedoria, mesmo sob a ira, a inveja, a intriga e a perseguição de impróprios,
mesmo daqueles que me tratam por desleixo, pessoa menor, de segundo plano…

Eis a minha primeira e inequívoca convicção: o sucesso se conquista pondo a mão
no trabalho; oferecendo a mão a quem soma; fechando a mão a quem atrapalha;
e dando tchau a quem ambiciona sem merecimento…
Eis a minha segunda constatação: o empoderamento do dito oprimido
incomoda, inquestionavelmente, pessoas de segunda mão…

Dê conta

Você afronta
depois, desgraçada,
acha que não dá conta
e eu, bancando a tonta

Faz de conta que a onça
não domina a floresta,
nesse mito do leão ser o rei da selva

Sei que você é do contra,
felina, astuta, caminha entre as tantas
sem se gabar, não mede esforços
enquanto os seus poros…
respondem que vão me dominar