Há quanto tempo

O tempo é uma decorrência de percurso,
ele não cura, nem perturba ninguém;
O que nos cabe no tempo é o aprendizado,
a mera mudança de hábitos, de palavras, de gestos;

O tempo é percurso do ser,
a contar-se de que maneira for,
mas, é bobagem

O que difere o hoje e o amanhã
não é o tempo, mas, a mudança,
o aprendizado e o ensinamento

O desejo de novidade,
o destempero do agora
não é o daqui a pouco,
isso é pouco,
o cronológico

Falo o óbvio:
Há crianças bem esclarecidas
e maduros humanos, ainda crus

Cada um leva a cruz
do tempo que não vale madeira,
nem esforço,
o tempo é um esboço do progresso
do todo

Blefe

Repousa leve
sobre a pena breve
ou absorve no punho que se ergue
palavra que se coloca em blefe,
mas nada quis dizer

Assim, como se quer fazer crer,
nem eu sei dizer
o que é que se tem realmente

Oriente os pensamentos
é o que há de recado,
quando se procura fatos
feito pratos quebrados
são cacos esperados
no fragmento
do ser

Metalinguístico

Com licença,
deixa eu te falar uma coisa:
Meu querido, sinto informar
que sinto.

E, por isso mesmo,
não tenho constrangimentos.
Quando vejo seu sorriso lindo,
sendo simplesmente você mesmo,
sinto paz por dentro.

É o momento, querido
sei que a gente não tem nenhum compromisso de estar aqui,
nem eu de te dizer um punhado de palavras bonitas.

É isso que vale a pena:
Ver que a sua alma pequena se agiganta,
ver seus olhares fugitivos e o nó na garganta

Perdoe-me o silêncio que impus,
as reflexões à meia luz.

Não é conversa que eu quero,
nem seu abraço cativo,
nem esse sorriso bobo quando folheia um livro

Amigo, não é isso:
os seus sentidos extraordinários,
cheios de percepções…

Não é isso, não… amigo
não é seu choro incontido
que escorre pela face
e você não queria

Não é uma xícara de café
que nos mantém fortes por dentro

Amigo, lindo, não seja homem como os outros;
vestindo armaduras pesadas na alma e no coração,
o seu corpo não aguenta tantas aflições

Amigo, não é seu abraço condoído que me dói na alma
não é seu labirinto de dores e complicações,
nem o que te fizeram, nada disso, meu amigo,
você não merece se sentir o vilão da própria história

Amigo, querido, você é obra-prima da vida,
tão linda, sensível e sublime a criação
da sua condição humana de ser um anjo
na contramão do viver

Não são seus toques delicados que me alegram,
sendo honesto, meu amigo, esquece tudo isso
e preste atenção:

Quando você vive pleno,
quando sorri e gosta de sorrir;
quando ri e gosta de rir;
quando ama e gosta de amar;
quando chora e sente o chorar;
amigo….

Quando você vive e gosta de viver;
quando você abraça e gosta de abraçar;
quando você dança e gosta de dançar;
amigo…

Quando você beija e gosta de beijar;
quando você se entrega na cama e gosta de transar;
quando você pensa no seu amor e gosta de pensar;
amigo…

Quando você vira a inspiração e eu gosto de me inspirar;
quando você sorri e eu gosto de rimar;
quando você confidencia o mundo e eu gosto de versar;
quando você me encontra e eu me encanto por você;
Amigo…

Tá escrito o poema;
descrito o verso;
despida a estrofe;
compreendida a mensagem
metalinguística

Verdadeiro eu

Muita gente promete ser afago
e vira um fardo na alma,
quando a gente ainda não aprende a retirar
as máscaras dos falsos anjos

Não adianta a promessa de estar sempre junto,
o pra sempre é o tumulto que cabe no peito,
não tem jeito: é seu processo, sem saída

A esperança cafajeste da solução fácil
não está na mão estendida que ajuda,
a labuta própria não pode ser vendida,
é um fato filho da puta!

A roda do tempo tem girado,
a atitude é o passo que não adianta outro dar.
Pêndulo do progresso, eu te peço, guia
o corpo e a mente, o coração e o começo
de um novo fim, o recomeço

A roda do tempo tem girado,
e mostra, entre os pratos quebrados
que a cara não quebra sozinha,
é minha jornada, toda minha

Na reação há ação invertida,
investida de intenções,
sua ações revestidas de bondade
são vãs contradições

Gira a roda da vida,
e se agita, que o mundo não espera,
e grita, grita, grita
companhia bendita do verdadeiro eu…