O tempo

É preciso parar o tempo,
não parar um tempo,
nem rever prioridades,
nem reaver conceitos

É preciso parar o tempo:
o tempo da culpa, o tempo que corre,
o tempo que consome, e o tempo que comove

É preciso parar o tempo:
o tempo da angústia, o tempo do passado,
o tempo do futuro, o tempo de presente

O tempo da vida não muda,
o tempo da vida não morre,
o tempo não faz curva,
o tempo não nos socorre

O tempo é o tempo,
unidade que existe, ou não
o tempo é invenção do homem
que move até constelação

O tempo não pára, nem deve caber o clichê,
o tempo não existe, o que existe é você,
o relógio não quebra, o compromisso, não cessa,
a justificativa só consome um tempo de esperas

O tempo é a falta de atitude que não se tolera,
o tempo é um reverso daquilo que não há,
o que não cabe imaginar,
o que seria da gente sem o tempo,
sem tempo para nos controlar

Servidor

Por que ser servidor?
Refletir, primeiro o sonho,
nosso projeto próprio, individual,
lembrar das mudanças que se fizeram distantes,
hoje, tão reais

Servir por missão coletiva,
pela capacidade de pensar além,
servir porque ninguém faz nada sozinho,
doar-se para ampliar horizontes,
renovar, buscar esperança,
mudanças de uma sociedade

Por que servir ao Estado, e não a um patrão?
Servir por opção de vida, pelo projeto de Nação
para garantir, na lida, comunhão:
Servir Educação!

Para mudar o rumo da história,
dar outra dimensão,
por acreditar nas oportunidades
e fazer do improvável, a realização

Por questão de dignidade,
pela melhor opção,
servir por igualdade,
pela qualidade da força humana…
Como pedra que cai na água
e provoca ondas,
promovemos mares de sabedoria

Servir por um passo de luta,
para não perpetuar o sofrimento,
resistir nas curvas, e nos ataques,
e nos impasses de destruição

Servir para não ficar à mercê
das inverdades (mal ditas) sobre nós,
para dar credibilidade ao que nós construímos

Um espaço multi-indivíduos que aceita, acerta e acata
o pobre, o rico, de direita, de esquerda, de raça, de religião (ou não)
o diferente:
tendo sempre um direito a alcançar pelas nossas mãos.

Servidor com sentido,
consentido,
sem servidão…

Estrelinha

Minha estrelinha preciosa,
que não sabe o valor do seu brilho,
se não fosse você,
como a noite seria clara?

Estaria o mundo no breu total, escuro;
Você, sempre puro, não me alegaria sorrindo,
servindo de pretexto para a minha felicidade

Quem se junta no caminho do bem,
se encontra sem saber como,
a vida não cruza os braços,
promove encontros, mesmo distante-,
entre estrela e poeta nas formas de poesia

É a sua vida valendo de obra-prima para o verso,
seu sorriso, o verbo, suas lutas que ninguém sabe,
é arte, querido, pura arte, mesmo sem entender
faz parte do espetáculo vivo,
até te chamar de amigo

É a capacidade de ser estrela,
que não seja cadente,
é o meu desejo
para a amizade

Insciência

Não deixe que te façam acreditar
não merecer tudo o que tem,
a felicidade que habita em ti
não provém de ninguém

Não deixe que te façam acreditar
na desvalia do ser,
no ato diminutivo de grande existir,
confunda-os, não se confunda com eles

Que a tua grandiosa fonte ainda é vasta,
não se gasta com pequenas castas de seres impuros,
cria teus muros, não se resgata os impuros,
cada um se transforma naquilo que quer

Saiba das tuas verdades, ciente de teu longo progresso,
reverso daquilo que foi o ontem, pronto a ressoar o amanhã,
é vã a ilusão de corrigir o todo,
é pouco o que te dão na mão

Diga não a todo o resto,
é verbo o principal
é ato o fundamento
momento precípuo,
viva, a vida é só instrumento

Cale-se no momento certo,
sê reto, probo e leal
é real o poema, não o verso;
a rima é o adorno da arte,

Arde e queima a tua insciência,
entre o núcleo e a Terra,
e o condutor do destino,
há meras experiências