Desenfreada

7:04. Acordou abruptamente. Xingou aos quatro ventos, acordara irritada. Sonhou o que não queria. Fez de tudo para não relembrar disso ao menos dormindo, queria um sono tranquilo e não o teve. Acordou frustrada.

Deu um salto, vestiu-se, pois que era de costume dormir sem amarras. Dizia a si mesma que dormir libertava a alma, e qualquer coisa que a prendesse poderia impedir que viajasse por outros mundos. Sim, queria libertar-se desse mundo, sem loucuras, mas desejava fugir.

Era uma mulher infeliz, de meia idade, esperta e vivida. Meiga, mas séria. Fria, mas encantadora. Ríspida e sedutora. Descrvê-la fisicamente não será necessário, não era espetacular, mas sabia usar suas armas quando queria, e fazia bem feito. Brincava com homens, eram previsiveis e completamente tediantes.

Saiu do quarto, bebeu seu café forte, leu a manchete do jornal local, fumou um, dois cigarros, pegou as chaves do carro e saiu. Não iria ao trabalho hoje. Ver as mesmas caras, as mesmas reclamações, ter os mesmos pedidos.

Decidiu dobrar a esquerda, e não a direita. Gostava das esquerdas da vida, davam mais graça pra continuar. Nessas esquerdas da vida, um dia, tinha se perdido, gostou de se perder. Nunca mais foi a mesma.

Fumou mais um cigarro, colocou a cabeça para fora da janela, xingou um motorista e jogou o cigarro fora. Queria ir em alta velocidade para uma vida mais dinamica, onde gostava de não dar as cartas. Toda pessoa gosta de ser guiada sem saber o próprio rumo. Ela sentia falta disso…