Partida II

Preciso da sua presença hoje
com o calor da sua mão
com a respiração espantada
por ter ouvido uma noticia
atrapalha ao dizerem que fui embora

Preciso te pedir algo
segurando sua mão firme
olhando no fundo dos seus olhos
e implorando sem palavras
fique?

Mas voce, em resposta muda,
desprendeu-se da minha mão miuda,
virou-se sem dizer sentimento
e por um momento pensei que
era mentira, que voltaria pra mim,
mas partiu….

Um dia de chuva

Vem que eu quero dizer
o quanto te quero bem
aproxima seu coração do meu
chora toda a sua dor

Diga-me o que sente
vem e não mente
eu sei que você sofre

Entenda de uma vez por todas
que o meu amor não é a toa
e se eu digo para você desabafar
é porque o mar está secando,
preciso das suas lágrimas pra desaguar

Rio da vida quando a vida ri de mim
chora que outra hora, a lágrima que caiu no chão,
vai para nas nuvens morar
e então, na tentativa de ressussitar,
cairá sobre as nossas cabeças

A mesma água te vi um dia derramar
hoje cai em meio aos nossos beijos
é a chuva que nos molha
mas a gente não se importa em nos amaro

Estação

Partiu às 11 dos trilhos frios de uma cidade pequena
viajou com delicadeza, o vermelho-ferro-enferrujado
a dar um tom diferenciado à mata verde; multicolorida
de pigmentos das aves desse país diversificado

Carregava à carvão, as rodas pesadas
passageiros apressados, desesperados
ia em grande velocidade, rasgando o tapete
à copa das árvores com rajadas de vento

E avançava quilometricamente por horas a fio
por dias e dias: uma mulher dava à luz,
um homem dormia com uma folha de jornal na face
enquanto que por fases via-se a lua sumindo
era essa a rota em que um mês atrás eu via o trem partindo

Envenenamento

Vem-me à veia seu sangue, seu suor
Vem-me à veia quando lhe beijo,
uma onda à garganta, um nó

E na tentativa incerta de acertar o seu ritmo
vem-me à mente seu coração em um grito
que sinto silencioso quando lhe beijo
a nadar num doce rio vivo

Entre desejos e corações desequilibrados
um abraço não tem condição, são mãos e pernas
tremulas a apalpar sem distinção

E quando vejo somos perdidos
e perdidos nos queremos
entregamo-nos um a outro
outro dia não mais teremos
é uma descoberta única a que temos
na próxima não será tão intensa

Descobriremos novas coisas
mas esse mesmo extase jamais
repetiremos, a descoberta fulgaz
o fulgoso veneno que de trocas mútuas
envenenamento