Fumaças

– Fogo?
– Tenho, senta aí.
– Fuma há muito tempo?
– Comecei essa semana – desdém e sorriso amarelo.
– Dores do amor?
– Talvez – uma tragada
– Tem nome?
– Tinha, quero esquecer – fumaça
– É por isso que fuma, não é?
– Cigarro mata o cérebro. Não é isso que dizem? – outra tragada sem jeito.
– Eu fumo há trinta anos.
– E aí?
– Ah, o amor! – gargalhadas – trinta anos, cara! TRINTA!
– E o resultado?
Uma tragada profunda e a resposta:
– Ainda sei o nome dela, mora com outro. Teve dois filhos, sabe. Engordou alguns quilos. Usa vestidos estampados, acredita? Ah, e isso aqui – mais uma tragada – foi a única coisa que me sobrou dela. Nós fumavámos há trinta anos. Ela parou, mas há trinta anos não me esqueço dela…

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