Aeromoça

Estou sentindo sua falta hoje pelas palavras doces
sussurradas em meu ouvido, chamando-me de querido
desejando o clímax dos nossos corpos em movimento

Estou sentindo falta daquele balançar suave
para me acordar, por mais tarde que esteja atasado,
depois de ter ficado alucinado com a noite anterior

Estou sentindo falta dos nossos cafés-da-manhã
de lhe ver com camisola de cetim e descalça
passar-me a cafeteira recém preparada

Estou sentindo mais falta ainda de quando, entre sorrisos,
diz que tem planos maravilhosos para o dia de hoje
passa a manteiga na torrada, e com uma mordida delicada, diz:

“Querido, estou encantada com a promoção que me ofereceram,
mas me sinto angustiada de te deixar aqui sozinho por esse tempo
Eu sei que você não liga pra nada, mas eu fico preocupada…”

E antes que você termine a sentença eu ponho a xícara na mesa
com aquele sorriso amarelo, que eu torço que desapareça, retruco:

“Deixe de besteira, serão só algumas semanas, e no mais,
que mal há em te ver feliz? Vai sobrevoar Paris, seu sonho,
e logo, logo, voltará a Estocombo para a nossa Lua-de-mel”

Que infelicidade a minha, meu Deus, na certeza de vê-la realizada
a minha querida noiva, ou melhor, recém-casada, dos céus, não mais saiu
mas eu não podia censurá-la por ter feito o que eu também sempre fiz

3 comentários sobre “Aeromoça

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.