Páginas de caderno

Resolvi beber poema
porque minha alma tão pequena
não sabe mais se comportar

Mergulhei no meu mundinho
assim por tanto tempo
que não me atrevo,
não sei se tento mais rimar

Depois de muitos anos
senti saudade do poeta verde
que não saciava a sede de se eternizar

Coloquei nos trilhos
todos os meus vazios e inquietudes,
num jeito brando de me calar

Hoje não me permito as gafes da métrica desmedida,
dos sons toscos das rimas que terminam com ar.
Hoje sou cantor dos poemas e não me faltam motivos a festejar

Mas de meus tempos de poeta verde,
sinto falta do deleite de apenas escrever,
de passar para o papel palavra que nem sequer sei o que fará

Saudade dos primeiros versos, que assim despertam,
a medida que chegam e viajam na minha alma sofrida.
Um rio sem vida que eu quis reajustar.

Um curso sem rumo para minhas amigas eu dei
e, assim, não sei, quantos amigos eu fiz.
Mas dos poetas que tenho contato
assinei contrato de aprendiz

Em determinado momento, vi-me formado,
um tanto acanhado com os meus méritos,
aprendi a dominar meus impulsos,
e hoje os meus pulsos, sob o papel não mais trabalham.

Hoje são meus dedos que percorrem o teclado,
apagam frases mau feitas, versos caretas,
já não derrubo tinta na mesa, que falta me faz!

Os rabiscos no caderno, as palavras comidas,
as vírgulas não vindas, e a inspiração a me enlouquecer.
Que falta me faz a agonia voraz de escrever mais devagar
do que a minha mão pode preencher as páginas de caderno

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