A canção dos amigos

 

O que eu mais admiro na nossa amizade
não é esse laço de cumplicidade, não
não é esse jeito de irmão, tão pouco
porque isso a gente já sabe a explicação

O que mais me encanta não é a forma,
ora, não é esse seu tom de quem me entende, não,
digo a você que isso não é suficiente pra mim

O que eu gosto na gente é essa troca de palavras
onde um ponto, uma vírgula mal colocada
é a intenção do nosso estado de espírito

Porque sabemos ao longo de tantos anos
que qualquer toque estranho, qualquer olhar,
qualquer outra maneira de se expressar diferente
nos denuncia, nos faz acertar que o outro vive melancolia

O que mais me admira é esse nosso jeito de descobrir
mesmo tão distante o que o outro pensa, ou o que não pensa, também.
É essa nossa esquisita ousadia que poucos entendem
e que muitos e muitos não compreendem o que é sentir

Essa nossa mania de se recolocar a disposição
de reinventar a cumplicidade na capacidade de se fazer
além de amigo, um irmão; E além de irmão, inspiração;

Para esse companheirismo que segue por anos
e que nos rege como se estivéssemos começando agora
a canção dos amigos

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