Zona de conforto

Ao médico sedentário que aconselha deixar o cigarro, mas fuma
ao escritor iludido que acredita na licenciatura de Letras como caminho,
mas torce o nariz para o lecionar

Ao poeta que rima qualquer palavra só para dar som
e aos aposentados mimados, a vida não acaba na aposentadoria….
Ao concursado acomodado que pensa na vida como garantida
que garantia se tem contra um golpe do Estado?

Ao consumidor que não troca a mercadoria
só porque vai enfrentar nova fila, a da burocracia
Para quem chama um táxi pela preguiça de trocar o pneu do carro

E ao operário labutário que se conforma com o pouco que recebe
acredita que a vida não cresce, não acredita na educação

O cantor que ganha trocados com músicas simples
hits de uma semana de verão, pelo comodismo de refletir
e de traduzir a sua paixão ao não se dar ao trabalho de convencer.

É assim que a zona de conforto se faz,
e no ego de cada um encontra o cais
da contradição:

O querer mudar o mundo,
sem mudar, no fundo,
apenas o que lhe cabe..

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