Cinzeiro

Não cobro nada, só peço
devolve a minha vida,
dissolve essa história
que construímos juntos

Separa a sua roupa,
vá embora, não quero mais
gaveta juntos

Não reclama que tudo acabou
foi você quem procurou se convencer
de que eu não sirvo mais, vamos ver

Quem leva mais tempo chorando
a ausência do outro,
quem ainda acredita no retorno

Depois não se arrependa,
a Brenda fica comigo,
companhia de cadela,
alegria

Eu barganho com você, sim,
pode levar o jogo de copos,
beba o quanto quiser;
Leve o vinho também,
não importa se é importado,
não ligo

O urso dos dias de namorados,
aquele chocolate meio amargo
não tinha sabor algum
Não insista, vou queimar aquela camisa
que você me deu, não quero mais
deixar estampado, nem vestir a camisa
de uma velha rima sem vida

Diga a sua mãe que ela pode vir me ver,
mas se ela quiser saber de mim
para ser sua informante,
que ela procure cartomante

Não vou jogar nada na rua,
nem pegar suas coisas fúteis,
você que as leve, sem janela

Amanhã é dia de lixeiro
se não levar tudo hoje,
até aquele cinzeiro horrível,
vou jogar fora

Coisa cafona, nem sei porque lhe dei,
ainda bem que não me custou nada
roubei da funerária quando banquei
o caixão do seu pai

Que Deus o tenha, porque o filho,
de benção não tem nada, coisa ingrata,
nem ao inferno você desce

Porque ainda vai ficar na minha prece
para que não divida comigo mais nenhum espaço,
e se por acaso eu lhe encontrar na rua,
mudo de calçada para não lhe dar o prazer
de me ver mais feliz ainda

Porque essa sua aventura louca não dura muito,
já vi muitos casos assim, de gente burra,
achando que trocando de romance
vai viver o amor duas vezes

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