Fim de primavera

Quando seus olhos falaram comigo
gritando pra mim mais alto que o seu corpo,
aí eu notei que o amor tinha chegado
mansamente

Quando duas óticas de beleza se apresentam
e eu escolho a mais simples, a mais suave,
é sinal de que alguma coisa mudou em mim

O detalhe mais banal foi o que despertou
um carinho crescente, delicado,
armadilha convincente para a alma

Busquei o caminho mais rasteiro,
aquele olhar que eu não vi primeiro
tem agora nova proporção

Sem comentar aqui o seu sorriso,
ressalva para outro poema,
esse belo carinho largo

Vou me permitir outro verso
para seus lábios, suas pernas,
seu braço, calo, costelas

Talvez eu homenageie você
com um sem-fim de adjetivos,
vício de um nativo apaixonado

Não cale o merecimento,
simples transbordamento
dos seus olhos misteriosos

Não cale a meiguice viciante da vida,
simples como a última rosa a desabrochar
na saída da primavera que não terminou
em mim

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