Réu primário

Você sabe que me tem e me esnoba
um dia a coragem vem e eu te jogo fora
mas antes disso você bem sabe que leva tempo
desprender-se de um amor que fere machuca por dentro

Você sabe que me tem na mão
e antes o que servia de afago, contradição;
Afogo-me no amor que eu pensei que tinha
sem a menor possibilidade de ser poesia

Vou definhando por maus tratos da paixão,
choro um bocado, dilacerado e ainda peço perdão
por coisas que nem de longe eu fiz
só pra me manter perto de você

E ainda tento inocentá-lo por me fazer sofrer
sou um pobre coitado me achando devedor de carinho
sou réu primário desse crime de vazios duplicados
só pra não ser condenado a ser triste sozinho

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