Escolha nítida

Quando eu finalmente
pus os meus pares de óculos
sob a mesa esta noite
contemplei, inesperadamente,
com a vista turva por falta de correção
que a minha escolha por você, por amor,
não se justifica, mas mesmo assim é.

É sim, sei que é uma forma dolorida,
incômoda, não só aos meus olhos,
– também à mente -, essa constatação
reflexivamente, chata

Ora, porque eu não sou nenhum idoso
capaz de abaixar os corretores da vista
para pensar, repensar a vida, simplesmente!

É sim, sei que é incoerente tirar os óculos
e escrever, redigir com a forçosa falta de nitidez
sobre alguém que eu escolhi sem critérios
com a visão perfeita e limpa

Ora, mesmo que fingida por aparelho,
com essa falsa tecnologia do vidro
que tudo expande e esclarece,
– refletido olho cru no olho espesso –
o que não teve justificativa de enxergar!

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