Tríade do poema

Têm palavras que não merecem chegar até você,
não por vergonha ou medo meu, mas responsabilidade
comigo, com você e com a arte, trindade do poema

Têm versos que merecem você, mas não posso pedir: leia?
se eles revelam o seu rosto, se são seu espelho: veja?
se narciso quando se encara, admira: fará o mesmo?

Já não sei se posso causar dor e tenho medo do remorso,
pois já não posso conviver com seus choques existenciais
quando perceber, tarde demais que as palavras falam de você

Receio confessar que você é meu material, minha pedra bruta
receio macular aquilo que é raro na natureza, carece de cópia
ainda que por hora eu ouse guardar você em vias de papel

Sinto o peso que essa profissão me traz sempre uma vez mais,
sinto que estou perdendo o controle e ela me domina, não veto,
sinto ser o certo que no fundo é meu amor que grita: poesia….

Nós em dúvida

Já misturei tantos sentimentos
que não sei se estou apaixonado,
ou se é você o apaixonante,
não sei se represento o mundo
ou o mundo é que se representa em mim

Não sei se sou eu ou se sou alguém,
bem, vem, me permite a confusão,
perdoe esse turbilhão de dúvidas…

Nada muda, é verdade
você não arrisca,
não se permite,
e eu, cá dessa outra metade,
estou tão dividido, vai?

Vaidade já não carrego
digo o que por anos renego.
Afeto eu quero, quero você
mesmo que eu não diga.
Você sabe que sim,
sabe de mim,
sabe dos nós
sabe como desatar

Cama de gato.
Labirinto.
Nem tudo é cama.
Você entende que eu não minto
para nenhum de nós,
que já estamos unidos
mesmo sem querer

Mesmo não conseguindo passar pela sua mão aquilo que sinto,
certo ou errado, esses muitos lados não terminam jogo nenhum,
se foi um…