Fora de tudo

Vamos lá,
sendo bem sincero,
será que cabe em nós
o espontâneo compromisso
do bem-querer?

Será que dá pra dizer
que a gente não força nada,
só se curte, só se vive,
só se encontra
sem se encontrar só?

Será que a gente pode
confessar a alegria
que instala mansa e serena
nas nossas vidas tão corridas
com objetivo de sermos grandes,
embora tão pequenos?

Será que a gente precisa
do contrato social que
estrangula os laços
com prazos pré-determinados
de saturação?

Será que, vamos lá, basta simples,
banais conversas entre dois amigos,
generosidade de não viver buscando
o vício da carne, nem ter outros planos

Vamos lá, será que acaba aqui
um momento de alegria completa,
aquela que não se aquieta em nossos peitos,
que se vale da lembrança pra repetir o feito
constantemente o constrangimento de se perceber
fora do contexto, fora da malícia, fora do mundo,
fora de tudo que não seja os segundos nossos…

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