Pronunciamento de libertação

Apodere-se da prece bendita
que quebra a desgraça,
a praga maldita
que o homem falho,
falha em dizer em Meu nome

Liberte-se, Eu ordeno,
das energias frágeis
que te aprisionam
cegamente

Limpo na sua frente agora,
– e da sua mente -,
o caminho torto, confuso
e fecho as cruzadas
que não levam a lugar algum

Restauro, profundamente,
seu ser, renovando,
de toda culpa e todo peso
que não te auxiliam na mudança,
mas, paralisam.

Segue adiante, confiante
que há mudança próspera
que se aproxima,
nessa linha onde cada um
borda o manto que salva

Ergue a cabeça que nenhum mal te alcança,
levanta que nenhuma enfermidade te enfraquece,
faça acontecer que nenhuma inveja vai te parar
e não tenha medo, Deus está junto com você!
Eis o poder, verdadeiro, que só os justos têm acesso
porque não pensam exclusivamente no próprio ego

Ergo sobre você um império de graças
que estão muradas de todo bem-querer,
que nenhum ato malígno chega perto,
nem ousa balançar a fé inabalável
que Deus tem por você e você tem em Deus

Poema do orçamento público

I – 50

Merrequinha inflacionada
poucos mantimentos, quase nada,
quando você vê já foi embora,
basta minutos, sequer hora

II – 300

É começo de conversa do dinheirinho,
no mercado, ainda, o básico,
a metade da primeira necessidade

III – 800

É o cheiro do e no mínimo hipócrita,
não cabe defesa nem argumento,
se for ver bem, é mais linda manobra
do vintém

IV – 1.800

já não há tanto o que reclamar,
se souber aproveitar, bem que o aceitável,
conversa fiada, um chá, compras pequenas,
um mimo aqui, outro lá, bem de vez em quando,
calha de nomear ordernado

V – 3.000

E se me permite o comentário,
já dá pra começar um negócio simpleszinho
se a renda vier de um lucro bem administrado

VI – 6.000

Já se anuncia o empreendedor
com terno de segunda mão,
já tem cara de doutor,
ainda sem condição

VII – 15.000

Aqui a coisa muda,
se vislumbra pequenas economias
que, quem sabe um dia, será usufruto
da tranquilidade

VIII – 40.000

Já vem o capital itegralizado,
sociedade do comércio,
uma transição de requinte baixo nesses versos

IX – 80.000

É perfil do investidor de primeira ação
que pode abrir mão do hoje pelo amanhã
capital de visão

X – 150.000

É o ato dos pequenos fazendeiros
terra pequenina de rebanho,
pecuário dos sonhos,
da casa no subúrbio da praia

XI – 300.000

Já tem teor de importância,
apartamento distante do centro,
a filha já sonha com casamento,
apresentação social

XII – 800.000

Já vira prêmio de capitalização,
pra qualquer jogo de médio porte
que, com sorte, e muita sorte,
resgata um carro de pequeno porte
com laço de fita vermelha,
e mico de entrega no brinde

XIII – 2,5 milhões

Três meses fingidos de atuação,
supostamente trancafiados pela direção
de alguma emissora sensacionista

XIV – 5 milhões

Alguns órgãos ainda chamam de verba
para desviar dez por cento
pra conta de qualquer colega
por compra de voto

XV – 20 Milhões

É o primeiro passo de um orçamento
de uma mega empresa em expansão
que vende sonhos, mas cobra por ligação

XVI – 200 milhões

Já caminha pro aporte
descontrole de todo tamnho
são muitas mãos no mesmo cofre

XVII – 500 milhões

É a política pública mal feita
o cartel com a quadrilha de pilantras
que desde a planta do terreno já afunda

XVIII – 1 Bilhão

Orçamento geral de relevância
para doar casa popular aos montes
é a fábrica da cesta básica dos pobres

XIX – 30 Bilhões

Investimento do Governo Central
pelo aperto de mão em outro país,
já dá pra montar um circo decente
para os indecentes do País

XX – 500 Bilhões

É a obra pública bi-lateral
que já chama a atenção da mídia
internacional por alguns dias

XXI – 1 Trilhão

Majestosa pela própria natureza
és o gigante, colosso que ninguém domina
é a rima que ninguém entende
como pode tanta gente produzir tanto
e ver tanto não voltar pra gente?

Segundo olhar

Pelo seu olhar de soslaio
eu sinto um bocado de curiosa
e bem-vinda candura,
ainda que não seja a mais
doce das criaturas

Pelo seu olhar tão calmo
e tão distante ao mesmo tempo,
percebo que busca algo,
alimento

O seu relógio parece parado,
se eu não estiver errado,
isso é um raso rio, um raio
desesperado

Contratempo que não me engana,
você investiga a minha calma
de sábio

Eu entendo que a vida não pede ensaio,
e meu caro, o tempo certo a gente tem,
e digo além: Só o tempo mostra o tempo
que o tempo tem.

Não adianta vasculhar com os olhos
o que só a experiência de vida enxerga,
depois de muitos altos e baixos,
nem que se queira, o tempo não fecha

Ressaca

Se não tem novas pra contar,
canta as velhas, sopra as velas,
corre pelas veias, incendeia
as velas em alto mar

Nau em nó,
fora do radar
bússola que não acompanha
e nem vai nos salvar

Afunda em abundância
água que convém no convés,
o amor venceu o revés
descobriu o que estava morto
e não era o mar

Agora vive, e bebe,
sobrevive tempestade,
a paz que nasce
há de calhar
no mais alto dos caralhos…