Tecer

Estou assim leve,
pra que você tenha oportunidade.
Vem, me conhece, como quiser,
hoje estou pronto, e alegre.

Não precisa me enaltecer,
há ainda o que ver,
existe no que acreditar,
sei que depois de muitos tropeços…
o que cabe é desconfiar

Fia, sem freios; volta a fiar,
e cose, de novo, volta a costurar;
vai fazendo a peça, junta os pedaços;
vem tear, tatear, experimenta;

Se ajusta, volta a apertar; modela;
veste, vê se cabe; cai bem; roupa nova;
cheiro de novo; consome; paga o quanto achar que deve,
e volta a usar; procura a minha ocasião,
até desfiar; remenda; reaproveita; enquanto eu quiser,
por favor, me doar…

Aromas

Passou o tempo,
é o meu momento,
coisa nova, a aurora,
independe dessas farsas,
cansei das farpas que você colocou

Estou retirando uma a uma,
e agora já não dói mais,
a liberdade me faz sorrir,
com o livramento que a vida me cedeu

Concedeu, o tempo, um turno novo,
nessas rodadas que a vida tem
de uma hora te fazer sorrir
e noutra, o desgosto…

Seu gosto, seu cheiro, seus gracejos
não ficam mais na lembrança,
sou criança de novo que redescobriu a graça de amar

Não precisa ir embora, nem precisa ficar,
deixa a vida decidir a melhor forma
a se podar, as flores, para retirar os espinhos,
os versos meus são novos aromas pra se respirar…

Hoje eu entendi quem mora em mim,
e quem merece o frasco, fraco,
o fiasco da amostra grátis,
que perfuma um pouco, mas ninguém pede,
só passa no pulso e deixa passar…