Muito há dizer

Ainda não há muito o que dizer
além do seu sorriso fácil
do seu humor solto,
de tantas curiosidades
dos meus beijos de pescoço

Ainda não há muito que dizer
além do seu corpo esguio,
além dos ritmos do seu corpo,
e do seu carinho

Não há nada a declarar
sobre as nossas trocas de olhares
dos paladares que eu vigio e cuido

Nada há a acrescentar
além da minha falta de ar,
enquanto de desnudo

E é humano te bem-dizer,
ter segundos com você
antes de começar o dia

Deveria ser regra,
mas eu não vou seguir,
não vou detalhar nada mais além
dos seus cabelos enrolados
e o fato de seus abraços,

e seu colo – postergarem a ida,
prorrogam a rima,
nem dá vontade de fechar estrofe

Eis que a vida quis,
eu e você. feliz
em rumos diferentes

Fugindo pela esquerda,
correndo à direita,
a poesia nos colocou frente a frente,
finalmente.

Falando pouco,
dizendo muito,

inconsistente ao mundo –
coerente se faz
o nosso silêncio

Se necessário fosse

Se necessário fosse
pelo seu sorriso, presente;
se necessário fosse
pelo seu sorriso, um elogio singelo;
se necessário fosse
pelo seu carinho, afago de mão;
Se necessário fosse,
pelo seu descanso, a observação;

Se fosse necessário um dia feliz,
sua companhia meramente,
seu abraço cativo,
um mínimo de música,
qualquer passeio,
qualquer filme,
qualquer história,
qualquer motivação para a sua presença

Presente mais intenso,
vida mais amiga,
a poesia mais leve e bendita,
a alma mais próxima do início,
e daí se o mundo está próximo do fim?

Sua risada é recomeço,
suas piadas com sentido exclusivo,
sua fala sobre (qualquer coisa) tem mais relevância

Minha criança (?)
Eu sou criança de novo (?)
Talvez, quem sabe, outra vez,
todo mundo me confunda;
todo mundo perceba paixão,
um novo ar, um novo brilho nos olhos,
a vida em outra direção

Com a certeza, somente, de que tudo não merece explicação,
que essa situação nos deixa à mercê um do outro, vulneráveis,
abaixamos a guarda e deixamos guardados um coração no peito do outro,
confiando que no mundo há com quem se possa contar…

De muito e de pronto, sou capaz de muito mais depois de cruzar seu caminho,
nada nesse mundo vai descrever o que a gente escreve vivendo,
amores em silêncio – no singular e no plural –
cada palavra aqui tem um referencial…

Absoluta poesia

Você, minha joia rara,
minha riqueza,
cheio de encantos e de beleza,
tão doce e tão meigo,
meu amigo e companheiro

Sendo simples e mágico no caminho,
é meu vício o seu jeitinho,
um menino tão puro,
um homem tão complexo

Te amo o dia inteiro,
mesmo com todos os seus medos,
contigo encontro coragem,
seu carinho é uma necessidade

Para um minuto de paz a mais,
seu cheiro me cativa.
É o corpo que alegra,
o sorriso que supera
– qualquer dor ação de ser –

Eu não consigo mais…
meu sorriso é mais eficaz,
minha alma desperta,
meu corpo reage,
minha pele arrepia,
tendo você na minha vida
Tudo
em absoluta poesia

Matéria-prima rara

Raras poesias que vem e vão,*
mas, você não.
Você não volta
porque sempre fica
é obra-prima,
essência,
a arte primeira

Um verso apenas você me deu,
e verso sou eu seu,
uma estrofe inteira
da sua vida, meu poema de amor

Verbo, origem do mundo.

Poesia, substância
da minha criança
que encontra a sua criança.

Duas almas lindas
procurando na rima
uma forma mínima de se reencontrar


*Com Iago Reis