Re-flexos

Aprender que o sentimento é vivo
e que deixar passar batido é natural,
essência que retém poeira não faz bem,
a alma não deve se prender ao banal

O tempo que o vento sopra,
tudo vira nada na ladeira
do verso perdido

E tudo ganha outra forma
de vida, divida, querida
outrora, imagine só
se viramos pó, não somos nada;
se acabou tudo de uma vez só, nada

E digo mais:

Se insistimos no retorno,
o bem que é bem se faz pouco,
amanhã na imensidão do tempo,
o inimigo é resquício do perigo,
hoje chamo de amigo pra me tornar uma pessoa melhor

Não se prende a alma com coisa pequena,
o cordão de prata que nos amarra à Terra
é vivo, é vida em perigo na matéria,
é luz que recebeu o ultimato das trevas,
a evolução que se espera em quimeras

E se tudo for um ato falho,
um prato raso, um copo meio cheio,
e se alma for um tanto vazia,
se tudo ficar no meio termo,
relativiza e suaviza a vida,
é um grão no pão de centeio

E a estrela não se perde no meio do breu do espaço,
onde ela se vê em escuridão por todos os lados,
não se dá conta que sozinha encaminha luz,
e nós, desse lado, visualizando o macro,
distância anos-luz, estrela solitária uma da outra,
não são poucas, constroem o divino céu

Retrospecto

Voltei a escrever porque a poesia vem de dentro,
ela assalta os dedos, interrompe o corpo, aluga a mente,
toma conta de tudo, é um mundo que transcende

E fazendo um retrospecto, antes de tudo,
o mundo foi criado para o bem
e cada um para a própria felicidade
e no roll da humanidade ainda tão simples,
simples é a capacidade de amar

É o primeiro passo daquilo que está por vir,
antes de tudo, o mundo é o primeiro terreno
de uma Luz que não tem fim

Deixa o que não tem nome em branco,
é um ponto ainda na existência,
mas, se quer dar um nome Santo,
escolha o que lhe couber melhor

E antes de tudo, um retrospecto,
volta tudo o que você carrega por dentro,
se descobre novamente feliz assim
retroage o seu dilema, retorna o seu problema,
regride no poema que está por vir
porque ele nunca foi, lê de novo por mim

União

Fim de estrada
estagnada, a vida não é,
no fim de percurso,
um impulso qualquer
já nos dá novo rumo
para o que vier

Eu aceito, recebo e aproveito
aquilo que a vida me cede,
não há pedido, nenhuma solicitação,
recebo com gratidão, o novo começo

Coloco-me em apreço
e permaneço disponível,
vida, cativa em mim
o caminho desconhecido

Não conheço o passo seguinte
chamo todos os astros,
eu respeito a todas as ciências humanísticas,
comungo da paz de todas as lideranças dos mundos

Espírito que se acalma e se alastra
em paz não padece em momento algum,
todas as energias fluídas em afinidade,
nunca é tarde para a renovação,
nada me basta

Que se prospere tudo aquilo que no bem segue,
que se agigante tudo aquilo que no bem guarde,
em todas as faces da Terra, em todas faces dos homens,
em todas as fases d’alma

União,

De todas as formas,
todos os modos,
todas as crenças (ou não),
todas as vivências possíveis
aos ouvintes,
na junção de todas as mãos

União

Respostas da vida

A chuva vem da nuvem negra,
o progresso, pelo pico da adversidade.
Em toda crise, surge a prosperidade
e toda questão de saúde delicada
requer cuidados, sem vaidades

Toda alma triste está procurando a felicidade,
e para cada problema não resolvido ainda há o caminho,
há capacidades em desenvolvimento

Em todo alento, um novo rumo
e em tudo que é novo,
rege a ansiedade

Toda matéria incompreendida
requer estudo, e todo saber
tem por sequência um esforço anterior

Se a vida fosse fácil e tranquila,
não me daria ao trabalho de provocar o meu interior
Se a vida fosse fácil e tranquila,
querida, não brotaria sequer uma flor

Se é da luta que se sai do casulo,
a borboleta, sem nenhum barulho,
não inspiraria o amor

Se a vida fosse só pausa,
o mar não teria seu encanto.
Se ondas alegassem sofrimento,
de pronto, e de momento,
abaixo das águas não reinaria a vida

Se a vida fosse só poesia,
não existiria o poeta,
o poema, antes disso;
um vazio de ideias,
um conjunto de palavras,
um amontoado de letras

Sem sentido
a vida é
sem mudanças