Provas

Diga a todos os seus, o seguinte:
adiante, não esqueçam da fé
seja no que quiser, diga a todos:
promova a fé, a esperança,
a autoestima, a confiança

Diga a todos os seus, o seguinte:
não é tempo de tristeza, ou de apatia,
não desacreditem na vida…
porque já houve tempo bom,
o melhor você já viveu e provou,
eis a prova que tanto pedem,
lembrem-se do passado

Mais feliz e mais sereno,
mais alegre e abundante,
lembrem-se dos sorrisos
e da fartura, da fortuna dos homens
não me vale um tostão, não é isso, não

A matéria é boa na matéria,
mas, é hora do espiritual,
é tempo de elevação,
da transição,
da transcendência…
paciência

Elevar-se não é simples, meu caro,
e não se compra, nem se vende,
como insistem em seus templos,
até os ditos mais humildes…
o mais simples de tudo
é compreender que é na falta de tudo
que se faz, do nada, um ser melhor

Visita seus sentimentos,
e seus defeitos, os seus traumas,
os seus medos, a sua vida inteira…
não precisa do corpo belo,
isso é passageiro,
a alma, verdadeira,
conhecerá várias matérias
afim de aprender muitos conteúdos
em várias formas, situações e frentes

Deus é onisciente porque reencarnou
em todas as experiências e viveu
a máxima da vivência, na morte plena;
e, ainda assim, se fez vivo na carne
para mostrar – aos seus olhos –
e se fez vivo – na alma eterna –
para mostrar a sua capacidade
de também ser alma eterna

Regressão

E se eu, antes de pedir ajuda da espiritualidade,
do além-matéria, me lembrasse, sobremaneira,
de que eu, hoje, sou o além-matéria, a própria espiritualidade,
de séculos atrás, antes do agora?

E se eu, antes de pedir auxílio das esferas superiores,
antes de desejar uma direção, orientação do guia,
lembrasse, que já estou em outro caminho diferente,
bem distante do que já trilhei um dia, séculos antes?

Ah, se eu regredisse no meu próprio ser,
nessa própria vida, quanto já aprendi!
Quantos percalços se fizeram dolorosos,
quanta lágrima, quanta angústia, eu venci!

Se eu me lembrasse, nessa vida mesmo – só nessa –
do quanto desejei estar aqui para me redimir de erros imperdoáveis de outrora, ah!
Eu, não me espantaria, se relembrasse o quanto já deixei a punição máxima,
por tantos irmãos que, anteriormente, eu me fiz protagonista no papel de algoz!

Como eu sou tolo! Auxiliando-me em vida, querendo a outra vida, além da matéria,
quero palavra amiga de um guia, espírito de outro lado, de qual lado?
Não existe lado para experiência!

Eu sou a própria ajuda do futuro do meu próprio ontem,
perdoem-me os outros amigos, os meus amigos espirituais,
pelas horas de lamentação, de muitas frustrações não entendidas,
ocupando-me de perturbar outras vidas, lidas de outro ângulo,
quando eu tenho a minha própria…
de ontem, de hoje, de agora, e de amanhã pra cuidar

Eu não quero regressão espiritual,
não quero regredir nessa vida para lembrar de outra,
nem quero antecipar a regressão do futuro para esse instante,
nesse instante, paz e bem, e vamos lá!

Perdão ao tempo que se perdeu no tempo
porque eu não tive tempo para me cuidar…

Resíduos da divindade

Onde mora a paz
senão dentro de mim,
pelo meu caminho,
no meu passo,
pela minha fala,
voz mansa
que alcança
a alma do outro

Onde mora a paz,
senão no meu progresso,
não é no templo,
na circunstância,
no momento

A minha paz,
conhece os nós da vida,
e se diverte,
te recepciona e te recebe
no abraço apertado,
no olhar que ilumina

Irradia o caminho,
a minha paz é um ponto de luz,
não necessita de confirmação,
a minha paz é uma situação
do estado de espírito,
Santo.

Eu sou morada de nada,
daquilo que não se vê,
eu sou morada de reflexos,
raios, feixes de ser
resíduos da divindade

Lastro

Meu ouvido não é absoluto,
mas, sem dúvida, o meu silêncio fala muito,
todas as notas, todos os sons, e melodias

Na minha concentração mora uma ousadia,
mora um mergulho tão profundo e íntimo,
e qualquer vento, qualquer tempo,
assusta

Eu me jogo no lastro do abismo,
e me vigio, e me acho, mesmo
caído e em pedaços

Todos os meus sensores humanos
confundem-se com os meus sentires harmônicos,
e neste momento, paira o indivisível,
e eu saio de mim para provar que não sou
isso daqui que se vê

Não ao tom de voz,
nem essa face cretina,
nem esse tom de pele,
ou a profissão escolhida,
não sou esse nome que você convoca,
nem essa barba postiça,
é o indivisível do corpo e da mente,
o sujeito que você chama de gente,
e eu não sei classificar…