Segundo dia

Para Thaís Almeida, amiga e colega de trabalho da Gestão de Pessoas/Reitoria do IFFLUMINENSE.

Acima das futilidades mundanas
você, figura humana;
acima das tolices da matéria
pretérita de outra existência,
você, essência que apraz;

Acima do momento, escassez do ser
você sabe ser, antever o que não se pode dizer,
cansada do sou, do eu: é o meu pensamento também.

Amém ao futuro
que antes, o passado,
– antes desse futuro -,
no ontem, cê fonte
de esperança

Pequena ruptura
meus versos apontam
na alegria, na coragem,
na ousadia, cansaço de vaidade

Hoje e até agora, você não entendeu
porque a vida, ou Deus – como quiser –
te fez mulher, mãe da Ana Letícia,
pai e mãe dos seus, pai e mãe,
amiga de tantos amigos em comum

Incomum e sem pretexto,
meus versos – antes tão corriqueiros –
retornaram ao grande defeito de ser poeta:

É sentimento em alerta, que você vai dizer: Presente.
Não, presente, não. Que você sabe, mais do que ninguém:
Data nunca me obrigou a nada, sem muito motivo, é Graça, de graça,
como sempre faço.

O correto, ainda que não soubéssemos lá atrás,
é chamar mais um ano de vida, de vida corrida e corajosa,
de um imenso e inenarrável privilégio.

Como tudo que passa um dia na mente da gente,
já veio tanta história… que alegria poder narrar trajetória
que os anos propuseram e você, aceitando o mistério da vida,
mudou de rumo, de rota, de carreira, de rito, de ritmo, de rima,
amiga de consideração, que não passa, transpassa essa dificuldade do ser

Há de ser agora, e novamente, no segundo dia de maio,
um calendário para a vida toda, para toda sorte
e para qualquer missão.

Substitutivo de saudade

Gosto de gente que tem caráter,
que fala e sustenta a fala até o fim.
Gente que tem princípio,
quando diz sim é sim,
daqui cinco minutos ou cinco anos
 
Gosto de gente que questiona,
que rebate, que argumenta,
gosto de gente atenta e de olhos abertos,
de gente do tipo esperto, ligado,
capaz de desconfiar das intenções terceiras
 
Gosto de gente parceira
que não vai me jogar na fogueira
na primeira oportunidade
 
Gosto de gente certa por completo,
que não olha o nome do processo,
e fica fazendo média
 
Gosto de gente que erra tentando acertar,
e se assume, e se corrige, e se retrata também.
Gosto de gente que, como ninguém, sabe falar o necessário,
sem ofender, sem criticar demais por puro desprezo,
gosto de gente sem rodeios, que diz o preto no branco,
sem enfeitar, sem os floreios
 
Gosto de gente que não assina embaixo sem ler,
gosto de gente que revisa, sugere, suprime e acrescenta,
gosto de gente que ensina sem arrogância, aprende sem prepotência,
gosto de gente que pede da paciência à clemência sem perder a autoridade,
gosto de gente que fale de moralidade, praticando,
gosto de gente que comenta de impessoalidade sem olhar o sobrenome
gosto de gente, de gente, gente, que assume a figura pública
sem perder a particularidade.
 
Gosto de gente, de muita gente,
de gente que ficou insubistituível
no substantivo saudade.

Imenso amor

Eu acho que a gente já entendeu
que no nosso caso, o amor não é um acordo,
entre seu corpo e o meu, nem entre seus olhos e os meus,
nem sobre seus desejos e os meus

Eu acho que a gente já entendeu
o significado firme e forte,
o elo que nos une além da morte,
a sorte dos nossos reencontros
no tempo e no espaço,
e no estado de paz

Não é questão de falar sério,
ou, de pensar mais a frente na eternidade,
é mais simples, porém, mais sólido,
é a certeza da segurança, da grande confiança
que a minha voz não fala, que a sua timidez não deixa,
é, em certa medida, a vergonha que a gente pragueja no íntimo

A questão é que a gente tem muito a dizer
de forma leve e divertida,
são os sonhos que brilham na esquina da alma quando a gente viaja
nos nossos planos de muito tempo pra frente

A questão é que eu sou parte de você,
e você, parte de mim; sabendo,
que o que parte de mim pra você
é imenso amor

É imenso, amor
o que nos conecta,
o que nos trouxe até aqui

É o nosso aprendizado contínuo,
sabendo que a gente se merece
e que o mundo nos amadurece
para a gente se receber lá na frente
meu presente, eternamente.

É imenso, amor
o que o meu coração agitado decifra,
o que a minha mão quando aperta a sua sente,
é a fala, que quando sai, vai tão trêmula,
mas, mas, não insegura do que eu preciso

É imenso, amor
o que eu tenho confirmado, é bendito,
saber que seu abraço ainda tão pequeno, é vivo,
é imenso, eu insisto, o que a gente vem descobrindo sem pressa

Que nesse mundo, não adianta ser presa dos outros homens,
eu sou um grande homem, querendo o mais honesto dos sentimentos
com um pequeno homem, o melhor dos pares que nem milhares de caras
serão caros de significado da aliança que só você se fez – e me deu.

*Para Hiago Tavares

Poema dado

Se eu pudesse me disfarçar
de festa, de sorriso largo,
se eu pudesse dizer que me faço
de abençoado o tempo todo,
que bom seria a vida,
se eu pudesse escolher
o que eu faço e como me sinto.

Mas, na verdade, o sorrir é um mito,
o abraço de amigo tenta confortar,
mas, só eu sei o que eu quero juntar
nesse entrelaçar de carinho

O meu vazio me permite
o falso preencher de contentamento,
mas, por dentro, lamento;
é um mundo obscuro que eu entro,
e me tranco, e me lanço, e parece,
que mesmo em prece, eu não consigo voltar

Se eu falasse o que dói de verdade,
se eu soubesse identificar,
o que está por dentro do corpo,
eu não precisaria me arriscar
a perder a vida, tentando ganhá-la

Essa minha fala, tão simples,
e tão verdadeira…
me sinto a beira do silêncio,
e
vou
me
jogar

Assumo as consequências, e peço clemência
à divindade que me criou, mas, eu não consigo suportar,
que nessa vida, eu não tenho vida, e na próxima,
se houver alguma, eu também não terei,
temerei eternamente o que eu não pude aproveitar

Por isso, responsabilizo o mundo,
sou fraco, querendo ser forte,
e me sinto imundo,
mas, o poema vai me limpar…

O poema vai me benzer,
o poema vai me proteger,
o poema dado foi lançado
pra me demover do não viver,
pra reviver