Institucional

Ainda tenho tempo para o poema,
– como se eu precisasse de tempo –
— o poema está em mim, o tempo todo —
para alguns poucos versos nesse final de dia,
movido a aprendizado e imensa alegria do aprender

Não sei você, mas eu sei observar,
tem coisas que eu preciso considerar,
nem sempre eu digo, nem sempre se sabe por mim,
mas, é preciso registrar:

As oportunidades multifacetadas que a vida me concede,
cercado de gente que sabe que sabe,
e sabendo que eu ainda tenho a saber,
não sei você, mas, meu verbo é agradecer

É por isso que eu aproveito, como a academia diz,
para beber de muitas águas, e eu não preciso fazer referência bibliográfica,
eu não preciso citar seus nomes, mas, ainda está em voga:

Seus ensinamentos, no futuro ainda, lá na frente,
me outorga competência, entendi o objeto da ciência da Educação Profissional,
ser aprendiz, ser artífice, ser técnico, ser professor, ser – depois de tudo –
convivência humana, na excepcionalidade que não ressalva,
mas, exalta toda a trajetória, o imenso legado institucional

Tributo às Letras

Rendo-me porque não fui capaz
de vencer as palavras,
nem os versos que me manipulam
feito joguete das emoções humanas
e me afundam na imensidão
de mares egos literários

Estou vencido e humilhado
pelo ato quase espiritual
dos fatos que se escrevem por mim

Fui nocauteado pelo desejo
supremo e incerto da tradução
da sua língua na minha língua,
da sua linguagem pela minha arte,
escrevo a palavra transformação

Condenado ao conformismo
de tentativas lindas
que não bastarão

E peço desculpa,
pela usurpação
da matéria
simbólitica
e operária
da reconstrução dos sintagmas
perdão, poeta, pois não
não é escritor de diversão

Dói também ser imortal
dando às palavras a própria vida,
e que vida seria
se não só do poeta,
é quase um pacto diabólico
de palavras pelas emoções humanas
que nem sempre se pedem permissão…

Habilidade com palavras

Para Ana Poltronieri pelos seus 50 anos de vida – Professora do curso de Licenciatura em Letras/Literaturas do Instituto Federal Fluminense – Entre a pausa do quarto semestre para conclusão de Administração/EaD

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E a gente trocou a sala de aula pelos corredores,
pelas presenças em eventos, pelo olá rapidinho,
trocamos a convivência diária futura
por breves encontros corriqueiros

Um poema aqui, um verso lá
a gente se conhece e se descobre
quase sem se falar

Virtual só pra quem não sente o que a gente compreende:
que o dia a dia é de fato aniversariante porque na etimologia
é o que se repete todos os anos, mas esse dia é diferente pra você…

Entre os riscos e a beleza do cotidiano,
todos nós ficamos, um dia, cansados dos desenganos
e, como saída, o poema: Sempre nos conectando…

Bem-aventurada seja sempre cada nova estrofe, sua quinta.
Felicidade sempre desde o verso zero, ainda virão nove antes de mudar:
Assim a é vida retratada, tão breve, tão ligeira
ainda a ser aproveitada…

Não há de ser mera impressão
se a sua sensibilidade encontrar com a minha
na contramão

Mais perto de uma nova vida do que da morte,
cabe ao poema eternizá-la por pura sorte
porque não traduz nem o mínimo da relação humana…

Pra quem pensava que eu conhecia pouco
pra quem lê e pra quem escreve:
habilidade com palavras, charada:

(Si[lê]n[cio)na]
[ins(e)screve]
(mono)grafia
de inúmeras teses

Acredita em polipoema?

Te amo, acredita?
Se não, pouco importa
O poema é a porta do amor,
mesmo que a campainha toque no truque,
vou abrir e sorrir feliz

Se não for assim, prefiro o exagero
de uma vida sem sentido, mas não,
eu não fui feito para alternativa,
não sei vagar sem poesia, romântico
do primeiro ao último verso
até debaixo para cima

Acima você viu o que ninguém diz,
amo até o seu não-amor, meu amor
porque transformo a dor em paixão
e pelo não, pelo sim, lê um pouco de mim,
diferente: pode ler esse verso de trás pra frente,
uma vez mais descubro outra função para poucas palavras

Te amo, acredita?
Se sim, obrigado pelo poema,
senão, pela poesia.

Tenta não amar?

Lê de qualquer forma,
como você quiser,
partindo de qualquer verso,
é só uma pequena dose de amor