Revigora

Os homens de bem estão se reerguendo,
passado o momento de desalento e descrença,
pois a vida é feita de ciclos, e a Criação espera,
compreende perfeitamente o passo mais contido,
o andar mais lento, o cansaço que veio grande,
imenso, corroendo o vigor, a vontade de lutar,
de acreditar, de mudar e de vencer.

Mas, levantados, os homens de bem são poderosos,
não no sentido perverso da liderança humana,
falha, torta e torpe.

Avante, estamos todos, livres das amarras do desassossego,
livres para crer e para reviver o lado gostoso da vida,
a face da energia plena, de paz, serenidade, aliança,
compaixão.

A fase em que se troca o não,
que se toca o chão, e se ergue.
Voltemos a ter sede do progresso,
a ter sede de sucesso, a ser por completo
a força da fonte da vida

Voltemos a ser nós mesmos, mais lindos,
mais limpos, límpidos e alegres,
mais criativos, cheios de sorrisos,
bem-vindos ao aceite do reflexo,
da nossa sombra, do nosso eu de novo,
o outro lado, virada a mesa,
virada a cara, virada a carta,
a fase, vencida a febre,
de tudo aquilo que nos afeta

Aperta de novo o botão da flor!
Agora ela não murcha, não despedaça,
não padece.

Aperta de novo o botão da flor!
Ela vive, e cheira, perfuma,
encanta, colore, arruma
um jeito novo de refazer o jardim
dos versos

Poema profundo

Debata-se
Se acaso não se importa,
meu verso abriu nova porta
no sentido de ser poeta

Não é mais assim tão romântico,
como era feito eu, de esperança, num cântico
de amor, eu diria; se platônico, não sei…
A bem da verdade, dava para realizar,
se quisesse.

Mas, agora, na casa em que essa janela se encosta,
outra fresta de luz insiste em me impulsionar.
É a profissão que me cerca, a árdua labuta de quimera,
é o suor, é o salário, é a conta paga,
é o compromisso assumido e cumprido,
palavra dita e fiel, há realidade.

Meu poema, meu bem, tem outro tom,
tem outro cheiro, outro vigor,
o calor subjetivo é concreto,
o pensamento é reto, trocou tudo:
desde o membro ereto, a língua quente

Hoje é tudo simples, e plausível,
palpável, é verdade… que não divaga mais…

Ademais, o vento mudou de rumo;
o coração mudou de prumo;
a alma, mudou de rota…

Ela agora é porta entreaberta,
nem desistiu de sonhar,
nem acordou para realidade,
mas, sabe, desde então, aceitar visita real
e da plebe, não sei de qual mundo mais bebe
– se do amor ou do mundo –
em todos, porém, afoga

Porta ora fechada, ora entreaberta,
afoga-se, sim, queimando a garganta,
inundando o corpo, rasgando as ilusões,
abrindo os olhos da paixão para o cansaço
de ser do mundo de lá – das ideias –
para ser do mundo de cá – das matérias –

Debate-se o novo poema.
Mergulha-se em estrofe.
Afunda-se em cada verso.

Provas

Diga a todos os seus, o seguinte:
adiante, não esqueçam da fé
seja no que quiser, diga a todos:
promova a fé, a esperança,
a autoestima, a confiança

Diga a todos os seus, o seguinte:
não é tempo de tristeza, ou de apatia,
não desacreditem na vida…
porque já houve tempo bom,
o melhor você já viveu e provou,
eis a prova que tanto pedem,
lembrem-se do passado

Mais feliz e mais sereno,
mais alegre e abundante,
lembrem-se dos sorrisos
e da fartura, da fortuna dos homens
não me vale um tostão, não é isso, não

A matéria é boa na matéria,
mas, é hora do espiritual,
é tempo de elevação,
da transição,
da transcendência…
paciência

Elevar-se não é simples, meu caro,
e não se compra, nem se vende,
como insistem em seus templos,
até os ditos mais humildes…
o mais simples de tudo
é compreender que é na falta de tudo
que se faz, do nada, um ser melhor

Visita seus sentimentos,
e seus defeitos, os seus traumas,
os seus medos, a sua vida inteira…
não precisa do corpo belo,
isso é passageiro,
a alma, verdadeira,
conhecerá várias matérias
afim de aprender muitos conteúdos
em várias formas, situações e frentes

Deus é onisciente porque reencarnou
em todas as experiências e viveu
a máxima da vivência, na morte plena;
e, ainda assim, se fez vivo na carne
para mostrar – aos seus olhos –
e se fez vivo – na alma eterna –
para mostrar a sua capacidade
de também ser alma eterna

Poesia de homem

Esse poema
Não é sobre o seu sorriso
nem sobre a sua aparência
não é sobre ser bonito
nem sobre coincidências

Esse poema
Não é sobre ser amigo
ou sobre ser romântico
não é sobre os mimos
nem os ritos de concordância

Esse poema
não fala da sua pele branca
ou dos reflexos trêmulos dos lábios
ou da rosa na sua boca
não é sobre o sussurro no ouvido
nem sobre a língua no pescoço

Esse poema
não é nenhum erotismo
daquele mais íntimo ou marginal,
pode ter o falo comprido,
o fardo cumprido, e coisa e tal

Esse poema não é sobre a carne
nem sobre o vício, nem meu próprio umbigo
coisa do homem-animal

Esse poema
vai além do bonito,
da arte, do poema,
da palavra, da fala,
da escuta, da escultura,
da imagem, da imaginação

Esse poema
vai além do pensamento
e da distância,
vai além da ignorância,
do sentimento, do momento
e do vácuo do tempo
que nos faz mortal

Esse poema
é a referência
do mundano mudado
é simples por si só
e complexo por nós dois
e depois, te digo mais

Esse poema
é a liberdade
sublime e adorável
da regra desnecessária
da tentativa sumária de dizer
e vou dizer, que o paradigma não é mais complicado

Esse poema
é muda, é semente,
semente que só a gente
pode ver brotar,
só a gente pode cuidar
e ver paisagem diferente

Esse poema é para nova geração
de homens que têm coragem de ser poesia,
de ser pétala delicada a cair de manhãzinha

Esse poema é para a nova geração de sentimento
do homem que tem liberdade pra dizer a outro homem
com capacidade, “amo sem medida outro homem
para além da masculinidade”