Parece fácil que eu venha resolver tudo assim
apronto, irrito, envergonho, ofendo
desculpas venho pedir em poema
é uma pena que eu não tenha mais dignidade
Se for assim, não tenha pena de mim
eu já estou com remorso
se for assim, não me dê seu perdão
eu não mereço esse seu esforço
Dizer que foi tudo obra do destino
do sem querer, meu bem-querer, eu não vivo
Não vivo sabendo que fui perdoado
por algo irreparável
As manchas ficam negras sim
a dor é muito maior agora
porque tais palavras jamais
deveriam ser proferidas
Meu arrependimento, em vão,
momento maldito quando,
quando por um segundo te feri
As marcas ficam, você não chora
não se importa com o sangue derramado
mas eu me importo muito
porque dele eu sujei minhas mãos
O sangue da minha traição,
seu sangue em mim, não sai mais
nem da sua alma, nem da minha
Viverei a agonia eterna do assassinato
onde não houve um corpo no chão
mas a sua alma torturada pela minha ingratidão