Manhã de sábado

Um dia eu
me apaixonei
sem dizer pra você
o que sentia

Eu vi poesia desabrochando na manhã de sábado,
campos coloridos me acordaram na manhã de sábado
eu vi raios me cercarem pra me acordar de uma forma diferente

Um dia eu,
acordei com esperança
de ter você aqui do lado
era uma manhã de sábado

Você me veio à mente
nas primeiras horas,
e com você eu resolvi viver
pra sempre

Em nosso colorir de flores,
você fez minha manhã de sábado
valer a pena

Durante todas as manhãs da semana,
eu esperei você vir novamente
nas manhãs de sábado

Porque um dia
você me deu o significado
das manhãs de sábado

Até agora

Teus pedidos
sempre infundados

Meus anseios
sempre reprimidos

se encontraram

Tuas justificativas fugitivas
– infrutíferas em outros tempos –
semearam em oportunidade

Mudou o contexto
no meu peito
teu carinho faz sentido

Teus beijos vazios de significados – ontem –
mudaram de sabor e de forma – hoje –
marcaram a nossa história juntos

O acaso do destino encontrou pretexto
e esse meu verso é um intenso jeito
de dizer que te amo sem qualquer receio
de que a vida me surpreenda de novo
na contramão do desejo

Não busco o controle da vida
nem que siga a minha vontade,
permito-me, de corpo inteiro,
relembrar teu nome com vontade
que nunca tive
até agora

Horas depois você aparece

Horas depois você aparece
com um copo na mão como quem não quer nada,
cansada da vida do nada do nada do nada
que tem feito agora

Disse que mora na calçada do tédio
da vida estável e estagnada

Difícil pra mim decifrar o que isso quer conter

Talvez suas horas de análise não tenham chegado a conclusão alguma,
não que fosse necessário, eu sei
Mas, um fio condutor sempre se espera
nessa mania da existência linear

Há verdades perdidas na pia, na louça suja,
uns planos mal elaborados perdidos nas roupas,
um caos qualquer nas contas vencidas
e vitórias não vistas depois de um dia de chuva

É um amor que se desloca no vazio
do não-amor vivido no tempo querido,
e desse presente, no hoje, já não faz sentido
senão fotos velhas guardadas na memória,
senão sorrisos transmitidos errados,
senão o tempo consumido,
senão uma foto guardada no verso,
senão um amor lavado ao vivo

Poucas roupas cobrem a alma,
poucos presentes traduzidos,
poucas as frases sobrevivem ao ouvido,
poucos sentimentos permanecem vivos

Senão fragmentos de ideias perdidas,
senão reflexões interrompidas,
senão há alma guardada no corpo
senão há vida sobrevivida.

Horas depois você aparece
em outros dias, semanas ou meses
horas depois você aparece
anos depois, contam-se décadas
você aparece em desmazelo
no resquício de uma memória,
depois de anos, em meu outro leito.

(T)EU

(T)EU
sem meios termos,
sendo bem terno,
não temo, os erros,
nem tremo de êxtase aos acertos tolos,
toldos da vaidade

(T)EU
tarde da noite,
tento, acima de tudo,
ter o que se espera de um poeta a todo momento,
– tempo sublime –
tido por mim como
terço de poesia

(T)EU,
todavia, espero que não
troquem os meus versos sinceros por
três ou quatro interpretações sem sentido,
tentativas infelizes de me decifrar

(T)EU,
Terminei os rascunhos da minha vida enquanto
trocavam-se em meus olhos, lágrimas,
tocavam em meus sentimentos com farpas que a música
não traduz mais

(T)EU,
Transcrevi para outro papel a minha decisão de viver bem,
transcendi como ninguém o sofrimento da matéria para jogar, à vera, e
transfigurar para primavera, todas as estações do ano