Poema dos sortudos

Poeta que fala com a caneta
e xinga a tinta que nao saí
Manobrista de navio
que não consegue sair do cais

Taxista atrasado que pragueja os sinais
quando fecham na eminencia de sua passagem,
Turista que esquece a escova de dentes fora da bagagem

Adovagado que esquece o artigo capaz de inocentar um condenado,
Nome do colega de trabalho que foje na hora de pedir um cigarro,
Letra do médico que não dá pra deduzir, marcar outra consulta só pra traduzir

Professor que esquece os critérios de sujeito oculto,
Aluno, que oculto, só sabe rir,
esquece o exercício de casa em cima da cama
pra alegria do mestre que não sabe por onde ir

O padeiro que esquece de comprar mais farinha
bem na hora de engrossar a massa.
A massa, que frustrada, sem cafeina não sabe agir

O diário da menina que ela esqueceu de trancar
agora é notícia no “Diário Escolar”.
Todos sabem que é com fulano que ela quer transar

Colete salva-vidas e à prova de balas que esqueceram de vestir,
cuidado com as marés altas e as armas em punho pra te vencer
E eu, de punho ferido, ainda consigo resistir
nesse poema dos sortudos, eu termino por te fazer sorrir

Pela falta de cautela, de atenção
eu faço esta criação para que tenha mais atenção ao sair

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