Carta anônima

Era tarde de sexta, eu chegava do trabalho já meio cansado. Entrei na minha casa pequena, morando sozinho já fazia um bom tempo, nem me dava conta de como tudo estava uma zona, passava mais tempo no trabalho do que nela.

Naquele dia peguei a correspondência que já fazia volume na caixa do correio – em outros dias eu nem a percebia – e comecei a passar, vagarosamente, entre os dedos as contas e propagandas que ofereciam.

Entrei com aquele maço de papel em mãos mas, antes de abri-los, como era o último dia da semana, preparei um drink forte para beber enquanto assistiria o filme mais tarde.

Tomei um banho, preparei a bebida, e fui checar o que pegara mais cedo. Dentre as contas habituais, amassei vários anúncios de ofertas e recusava qualquer coisa que me fizesse gastar o que já não tinha.

Entre uma besteira e outra, fiquei curioso em receber algo que nas semanas anteriores, e desde que me mudei, não recebi.

Uma carta endereçada em meu nome exibia em letra delicada e bem grafada, uma frase: “Abra e leia, se lembrar de mim, envie-me uma resposta.

Esqueci a papelada que ainda esperava ser amassada, e abri o envelope. Dizia o seguinte:

“Sinto sua falta desde sua mudança,

Você não me conhece mas eu sempre lhe vi com bons olhos, não tivemos sequer um contato pessoal, mas desejo até hoje lhe encontrar e conversar com calma.

Serei breve: Quando você saia daquele seu prédio, eu te seguia, se você chegasse um tanto mais tarde eu sabia, e enquanto você não chegasse também não dormiria.

Estarei pensando em você mesmo aqui longe e esperando sua volta com entusiasmo. Espero que volte bem e realizado.”

Não tenho idéia de quem possa ter mandado, não tinha sequer um nome, assinatura e nem o endereço eu reconhecia.

Esqueci de tudo, todos os compromissos, as cartas restantes no sofá, e durante o fim de semana todo pensei naquela carta anônima.

Guardei com carinho, mas desisti de saber quem a enviara, também não quis procurar informações sobre seu destino. Vou resolver minha vida por aqui e quem sabe um dia voltarei àquela cidade para ver o que me espera…

3 comentários sobre “Carta anônima

  1. E fa muito bem em não fechar a história!!!
    Apesar de as vezes ser um saco ficar curioso, eu tbm sempre escrevo contos que não são fechados, ou com final misterioso… enriquece a obra!!!^^

    Gostei bem!
    Abraço!

  2. E faz bem!!!
    Adoro histórias não fechadas…
    maior parte dos meus contos tbm não são fechados, ou tem final duvidoso e revestido de mistéio…
    acho que tudo isso enriquece a história!!!^^

    Continue assim!

    ps.Parceria?!
    Abraço!

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