Duas caras

Quando eu nasci chovia lá fora
os pingos anunciavam meu choro
e tantos outros que sofreriam
com a minha presença num futuro
não tão distante assim

Eu era um moleque safado
mas não deixava de fingir
que era um santo até pra mim
assim eu enganei, dancei,
chantageei sem ninguém desconfiar
e se viessem a me desafiar
eu distorcia a verdade
não foi bem assim que aconteceu
quem mente é ele, não eu
ele tem inveja de mim

E não sei se era a minha cara de anjo
ou algo assim, mas eu sempre ganhava
deixava todos confusos, eu aproveitava
arrancava do juiz da situação o beneficio
bendito da dúvida, ficava tudo por isso aí

Quando cresci descobri que o nome disso
era ser duas caras, mas espera aí nem tente,
nem queira me julgar, esse foi apenas um truque
que eu arrumei pra me disfarçar

Afinal quem nunca fingiu ser o que não é
só pra tirar vantagem do que vier
se não for assim pra você
duas caras não sou eu

O falso é quem mascara o que não quer
que os outros realmente vejam,
a verdade

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