Ao som de trancado

http://www.youtube.com/watch?v=fAAAeLzopoM

Desculpe se eu não te amo
se enganei meus próprios sonhos
te pintando de perfeito e predileto,
mas o dia a dia me mostrou que esse afeto,
fica na palavra, ao telefone…

Meu nome você não vive nos olhos,
meu carinho não entra na sua via,
vejo sua veia em adrenalina,
coisa que qualquer corpo incendeia

É bem mais que eu esperava,
não que fosse expectativa
de pessoa já machucada,
fui realista sufocado

Não faço, porém, qualquer queixa,
nenhuma denúncia,
concedo o benefício da dúvida
para nós dois de fato

Estamos juntos, eu não nego,
mas sei o que é estar apaixonado…
Com você pode ser carinho em excesso,
falta de cuidado que eu, mesmo experiente,
deixei transbordar para o outro lado

Estou sendo claro nessas rimas,
sei que com esforço você entende…
Não fique em cima do muro
achando que o outro é quem precisa
cuidar da gente…

Sei, acima de tudo, o quanto você precisa
dizer e sentir que alguém se importa.

É convincente não trancar a porta.

Mas a fresta que ficou aberta
não é suficiente pra iluminar muito,
feche a porta e encare
você, outra pessoa que te queira de verdade
e o seu mundo…

Farsa das palavras

A palavra fria
da sílaba fraca,
a frase vazia,
o ponto que não para.

Na sua vida tardia
minha poesia não fala,
sou vírgula vadia
não, não há vaga?

Sinto muito que me traia
palavra vendida, calada.

Sinto não ter sintonia contigo
quando faz tempo ela não envolve.

Palavra que não cativa,
castiga e me comove.

É outro sentido
– aquele que eu não quero ter –
por uma falta de sorte
– nem eu, nem você –

Sinto muito se não sigo as ordens…
Hoje me dei conta de que não sou nada.
Autor farsa das palavras.

São elas que me dominam
e ditam as regras,
são elas que se transmitem
e eu sou via de regra

Não as enlaço, nem as condeno
a viverem abaixo dos meus punhos,
não sou eu quem as compreendo,
um fantoche de dois mundo

Sei o que quero dizer
mas elas não dizem por mim,
têm vontade própria de um ser
que não faz terceira pessoa ver
o que vem lá do fundo

E não me adianta tentar
essa batalha é inútil.

O que me adianta segredo
se o que vai em meu peito
não chega aos meus dedos
por um capricho confuso…

Prévia

Tem uma poesia morando dentro de mim,
poesia não é poema, é sentimento;
tem status de amor, de esperança e amizade;
sublime até que mostre a outra metade

Esse sentimento ainda amadurece aqui dentro
para contar a qualquer momento o quanto eu gosto,
para demonstrar todo meu apreço por você

E sei que isso é só uma prévia,
um esboço do que realmente sinto
porque para a poesia final ainda
falta algum tempo, eu reconheço

Ela ordena como nunca
que seja preservada,
de uma vez por todas,
seja gerada, essa cria

Tem o tempo certo pra poesia,
para o verdadeiro sentimento
de poeta, falta tempo

Incubadora de flores
pois os buquês de rosa ainda existem
nos tempos de rosas com glitter
das postagens dessa era
informática de quimeras

Eu digito esse rabisco
no século seguinte,
mas minha alma é do século vinte
e a sua, ah, a sua, nem fez dezoito,
mas insiste em me provar e me provocar
toda noite, até às dez e vinte…

Retorno literário

É, eu vou voltar pro seus braços,
ter conhecimento do quanto você me quer.
Me faz falta esse seu apreço
que me pega de jeito,
caminha na minha alma,
quero esse desejo

Que mexe tanto comigo
bem lá no íntimo,
profundo nos meus caminhos
que eu mesmo desconheço

Aqueço o meu contato…
eu estou voltando
pra sentir de novo
a emoção que ficou parada!
Dei pausa pra minha inspiração,
mas há retorno

Respiro fundo e mergulho,
vou novamente visitar esse mundo
que ficou submerso,
só lhe peço que não tenha piedade
dessa minha capacidade de se entregar

Vou voltando com a energia que me resta,
sem festa, sem pressa, sou sua presa
me preza de novo para mais um tempo
de literatura….

Curtida

E na curtida eu tô de olho,
não comento, não compartilho,
mas tô por dentro

Eu estou atento,
não sei se entendo,
não sei se entendo,
estou rindo de você,
eu não aguento

Curtindo eu vejo tudo,
observo tudo, de tudo me oriento,
estou atento a tudo, observando sedento

Eu estou curtindo tudo,
curtindo tudo eu estou!
Sei que pra você não é nada,
mas está sendo notificada,
está sendo notificada
que estou sabendo!

Eu tô curtindo tudo,
curtindo tudo eu me atendo,
desnorteando você,
estou só querendo, querendo!

Coisas do facebook
intimando o meu intento,
vou te bloquear por dois dias
pra você ficar perdida,
vou te corroendo

Aí eu volto do nada
e você vem me consumindo
de perguntas desnecessárias

Só ir absorvendo
que eu estou em tudo,
estou curtindo meu mundo
mesmo sem você por perto

E se começar a curtir tudo meu,
eu sei que sou seu, compreendo,
é só cutucar ali do lado
que vou te respondendo!

Intromissão

Desculpe a intromissão na sua vida.
Sei que não é da minha conta,
mas me conte aí o que lhe incomoda

Estou vendo esse sorriso sem graça
fazendo força pra sustentar uma cara
não muito feliz, eu percebi, desculpe

Fala pra mim, se eu puder ajudar em alguma coisa,
ou em nada, apenas ouvir, estou aqui, se quiser.
Se quiser conversar só com meus olhos
pra ter a sensação de que alguém se importa.

Eu posso começar a me importar, se você me permite.
Não, não quero nada em troca, eu só bati na porta
do seu coração e ela quase caiu.
Anda cheia de cupim.

Pare de estragar, de apodrecer só.
Não prometo grande melhoria,
mas eu posso dar uma sugestão?

Coloque algo pra escorar essa tristeza
que a sua casa está ficando sem defesa…
E antes que alguém que não valha nada invada,
deixa comigo que eu ajudo, amizade…

Música digital

Estou com a mesma música o dia inteiro.
Sei que não sou o primeiro de todos,
mas serei o verdadeiro.

Reflito nas vozes fortes,
não me chame de cara de sorte.
Sei que luto, talvez, comova.

Deixei de pentear os cabelos,
esqueci a escova lá.
É simples e banal, não faz falta.

Não guardo nada na gaveta,
o rancor eu boto à mesa,
para me livrar logo

Posso ser decente, amando, sim.
Não fico me arrastando feito inseto.
Você me esmaga longe ou perto.

Escovo, sim, você por dentro.
Remorso não dói, nem dura.
Sua candura já passou batida.

A esperança é minha amiga,
a felicidade, quase prima.
O amor é meu irmão gêmeo.

Confidencio-me com eles,
mais sinceramente do que leio.
A música se repete incansavelmente

Eu tenho um novo refrão.
Acorde, desafinado.
Sua canção já passou.

Eu me desliguei desse rádio mau sintonizado.
Vivo de música digital, de alta definição.
Meu coração merece mais qualidade.

Ressecado

Desencantei
Quando um não quer
não adianta insistir.
Sei de mim.
De você no entanto
eu não imploro um sonho…
Propus um banho nas águas do amor.
Antes de entrar você já se secou,
já se trancou no não.
O que eu senti por você, perdão.
Não vou falar mais nada!
Água trancada não vasa,
e minha boca molhada
ainda não cansou de transbordar amor
Um copo d’água ofereci.
Você virou no chão…
Colocou meu carinho na condição do não.
Disse não merecer um eu e você…
Você encheu você de você
deixando-me com um eu que não quer ser meu…
Vou me afogando em mim
enquanto você resseca em si

Mundo de escritor

(Ao amigo Lucas Borges)

Não tenho posse sobre você
nem sobre o que sinto…
Eu só queria dizer muito obrigado
pelo carinho que de longe minha alma capta

Sou como uma bússola do amor
e ela tem me apontado pra você
Obrigado, pois eu me inspiro,
mas o motivo não se explica

Minha alma nota seu talento
seu esforço, ela é atenta
a tanta energia limpa
de um sonhador da vida
pela escrita que agora rima
na minha vida

Por um breve instante percebo a sintonia…
Por favor, por amor nossas
palavras se cruzam em espaços tão diferentes…

É a sua alegria convidando o meu espírito
a manejar as palavras, transbordar luz nos olhos,
marejar na saída, uma viagem de volta
mesmo sem encontro físico

Amigos unidos em outro plano
mundo de escritor…

Beijo, depois eu volto pra te ver,
conversar sobre nosso destino de vencer
vivendo de palavra, vem ver o quanto
gosto de você e nunca disse,
cansei de me esconder

Vou partir feliz, deixando você
sabendo da minha fascinação
pela sua paixão sem fim…
Eu entendo perfeitamente

Chapéu de palha

Não preciso bater tambor
pra chamar pajé, não necessito
de um cabouco, preto velho

Energia está no mundo
dela vibra meu corpo,
protege o todo

Categórico e certeiro,
preciso e exato,
não à essência e tabaco

Fumaça não chama espírito
tão pouco os gritos evangélicos
Fogo quem apaga é bombeiro

Sensibilidade não precisa de casa,
não está em estante me esperando
Está aqui agora e eu não estou fumando

Maria padilha não me chama,
não me provoca, oferenda,
nem qualquer preto velho
José do candomblé

Está tudo solto em um mundo
com tantos níveis, não preciso de jogo
Não preciso mascar palha pra fazer milagre

Polivalente

É com garra que a minha vida anda,
com garra que a vida brilha,
com garra eu também sou mansa,
mas a garra me agita

Com força de vontade, sim senhor,
vou acelerando com suor,
não sou melhor que ninguém
mas não vivo na pior

Corro atrás e vou à luta,
com sorriso na cara,
sem disputa

Não preciso tratar a vida como inimiga,
nem tudo é árduo, uma grande labuta,
mas cá entre nós, é o meu passo
que não me faz estagnada, tartaruga

Tenho fé e vou em frente,
sei da vida que levo,
sei da minha gente,
e de tudo que faço,
sei ser polivalente.

Com entusiasmo e energia,
sou filha deste mundo,
não reclamo e não me mato,
mas acabo com os mal amados,
preguiçosos, vagabundos…

Bichano

Felino do coração ferido,
esquece isso e vem cá
arranhar outras almofadas,
tenho um sofá velho pra você rasgar

Cruza em mim suas pernas
sua maciez de bichano,
arrepia minha pele
eu não lhe engano

Não precisa de sete vidas,
viva apenas uma comigo
que pelas outras eu acompanho

Fala, num sussurro, em doce miado,
um “eu te amo” com garra,
que eu permito que você passeie
por cima dos meus muros,
eles estão despencando

Pode até, nessa brincadeira,
abusar da caixa de areia,
dos meus trapos, farrapos,
pedaço de humano

Quero a lua contigo ficar observando
sem brigas, sem tristeza, nada disso;
Não vou permitir que se perca dos meus sonhos
que em cama de gato eu fico perdido por você,
pensando, pensando, pensando….

Gratuito

Dá trabalho, eu sei
sei que invisto, eu sei
que me cansa também, de verdade

Sei que me dedico
e que sou forte,
não peço ajuda à sorte,
ela é minha amiga

Não quero prestígio,
não preciso de status,
sei que isso estraga
muita gente, é um fato

Não vou viver pra sempre
nem sei quanto tempo tenho
com as minhas próprias palavras,
se elas foram minhas uns dia, as danadas

Não sou isso que você vê,
talvez eu não seja nada
Pra quê essa necessidade de vencer
dando até murro em faca?

Vou ser gratuito, toma aqui
é de presente, é pra você,
o que eu sinto, vamos ver
até onde chega esse meu rito
zero oitocentos

Aceito chamada de telefone móvel,
de qualquer lugar, toma aqui
torpedo poético de longa distância,
Desmedido, Descomplicado, Delirante.

Bilhete

Ainda não é você
que faz meu mundo melhor,
que faz minha criança
crescida viver,
que faz o mundo descer

Mas mesmo assim
você me ensina
eu sou grato por isso,
você sabe que não é pela rima,
eu não minto

Sintonia de primeira,
estranha essa nova fase,
sem máscara trapaceira,
sem alarde

Sei que o que sente é recíproco.
sem falsidade
Nem penso se desisto,
não faço mais sabotagem

Desses meus escritos inéditos,
o verdadeiro ser poético
é aquele que se entrega
sem metade

E o que eu digo é sincero, insisto,
pela minha própria vontade, sei de tudo,
fui um tolo, fazendo o jogo da crueldade
fingindo ser o que não era por vaidade

Hoje sei bem o que desejo
e o meu desejo é você,
mesmo que seja passageiro
eu quero um bilhete

Não escrito, nem secreto,
pode ser pouco lhe ter por perto,
pode ser curto o nosso trajeto,
mas pago pela viagem…

Madrugadas

Limpe seu coração das mágoas,
dessas águas sofridas de choro
você se afoga, e o sal dos seus olhos
desidrata

Reconheça os rancores como barreira
que você não passa, são muralhas,
socá-las só machuca as suas mãos, vai
quebrá-las

Entre o bem e o bem, meu bem
há muitas formas de aprender,
sei dos meus limites até você,
viver

Deseja a transparência,
questão de coerência com a vida,
que já se dizia há muito,
bonita

Por mais estranho que pareça,
é tudo uma questão de pretensão,
ou você pretende viver com riso, ou…
não

Se fosse assim tão simples,
todos escolheriam a mesma estrada
mas aí eu digo: É a mesma,
bifurcada

Cada problema vem com um enigma
ancestral são essas charadas,
dá trabalho desvendá-las,
destrancá-las

A felicidade é quase certa,
se você souber que a vida é engraçada,
faz piada com as suas dores, pra você sorrir depois,
madrugadas

Anunciação

Vou te tirar da minha vida,
estou a apenas um botão de distância.
Sei o que isso significa
não é covardia, arrogância

Não interages comigo,
estamos em outra dimensão.
Sei que tua partida,
ainda que forçada,
será a saída, faço a anunciação.

Não desejo mais a angústia
de te ver brincando comigo,
mesmo que não saibas o que sinto,
reconheces tua ausência, amigo

Não insistirei mais nisto,
falta-me a paciência,
não sou nenhum elevadíssimo,
estive aqui sem prepotência

Chega, meu caro,
eu é que não sou barato,
desligo aqui o nosso contato
que há muito você queimou

Lâmpada caída,
cuidado na saída
feche a porta no escuro
cuidado para não se cortar
eu não estarei mais aqui pra ajudar
nas suas feridas descuidadas…

Já tive as minhas e não havia enfermeiro
a dor que dói primeiro não é igual
a dor que dói depois da cicatriz fechando…

Expoente

Eu me entreguei de mão beijada,
como quem decora tabuada
fui infeliz me subtraindo
pra somar com você, me dividindo

Fui fácil, não lhe dei nenhuma prova
– dos nove – fui incapaz de criar barreira…
Multipliquei anseios desde criança,
o amor precisa ser complexo,
fiz uma besteira

Na raiz, bem lá no fundo,
fui tapada, quadrada,
eu sei de um absurdo:
Ter a conta errada
por um sinal vagabundo

Sem trabalho algum fui zerada,
coisa que, se tem valor na matemática,
não tem peso no meu mundo

Fui infeliz na sua mira,
não contei nem um vintém,
se tive alguma serventia
não me contem

Não quero servir
como imposto nessa conta,
pagando altos juros,
sendo alíquota inútil

Nesse universo dos números
caí em negativa, expoente
suicida da paixão

Carta amante

Sou carta na tua vida
na manga, sou carta coringa.
Corto teu baralho, sou a final,
um às, de paus

Sou teu jogo mais mirrado,
coisa que cartomante
não faz fiado

Sou tua algoz
se tu não fazes por nós,
sou tua lâmina na ferida

Sou tua aposta de quebra-banca,
nem te dou um futuro bacana,
tua sorte invertida,
tua carta viés na partida

Sou tua armadilha,
passei tua vez na saída,
corto tua mão preferida

Matuto

Sou chato e sou grudento
o seu carinho eu sustento,
quero você sempre perto,
bem próximo de mim, aguento!

Fiz pra você mais de um poema
e ando prometendo um livro até,
sei que sou homem de muitas palavras,
não sei se você aceita todas as falhas,
mas eu escrevo por uma questão de fé

Para que você acredite em mim
e no quanto eu te amo, sem dúvida,
tanto, tanto, tanto, diga-me, se puder:

Eu sou enjoativo e pegajoso,
sou seu homem virtuoso,
seu príncipe valoroso,
ou, sem definição, é mais gostoso?

Sei que sou repentino e astuto,
das palavras sou um matuto hábil,
busco seu hálito quente e saboroso,
grudento sim, provando do seu gosto…

Espírito da arte

Eu vi o espírito da arte
que paralisou o corpo,
que tocou a alma

Eu vi outros olhos
concentrados no nada
e no tudo, que é a vida

Eu vi o espírito da arte
que colocou homem em outra dimensão,
que cuidou do ser nesse espaço

Eu vi o contato com o além
que ninguém lê, que quase ninguém vê,
que raros tocam, mas ela tocou

Ela estava fora de si
dentro de si, estava
dentro de mim, fora daqui,
fora de mim, eu apenas observei

Eu vi o espírito da arte,
absorvi parte dele
que ela sabe que tem

Eu vi o espírito da arte
e contei para o mundo
eu contei um segredo

Eu vi o espírito da arte,
fiz fofoca pela arte,
faz parte, parte de nós