Expoente

Eu me entreguei de mão beijada,
como quem decora tabuada
fui infeliz me subtraindo
pra somar com você, me dividindo

Fui fácil, não lhe dei nenhuma prova
– dos nove – fui incapaz de criar barreira…
Multipliquei anseios desde criança,
o amor precisa ser complexo,
fiz uma besteira

Na raiz, bem lá no fundo,
fui tapada, quadrada,
eu sei de um absurdo:
Ter a conta errada
por um sinal vagabundo

Sem trabalho algum fui zerada,
coisa que, se tem valor na matemática,
não tem peso no meu mundo

Fui infeliz na sua mira,
não contei nem um vintém,
se tive alguma serventia
não me contem

Não quero servir
como imposto nessa conta,
pagando altos juros,
sendo alíquota inútil

Nesse universo dos números
caí em negativa, expoente
suicida da paixão

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