Por homem

Hoje distribuo poema,
ofereço saudade,
oferto abraço,
doo amor

Hoje tenho lembrado
do bem de ontem,
de como é merecido
o riso de canto a canto

Hoje me permito
ser sincero, ser honesto,
presto-me a viver sem protesto,
sem pudores do ego

Amo e amo sim,
esse seu fingimento
de constragimento por mim
quando digo o fato,
no ato, encantado,
mostro o outro lado
da face do amor

Mostro que posso, sim,
amar outro homem,
e que de homem tenho fome,
e por homem tenho sede
e por homem, a delícia,
o apreço e o beijo
revela-se e prevalece
a verdadeira parte de mim

Reverência ao poema

É a minha melhor brincadeira,
minha maior diversão, meu momento,
a hora da negação da negação,
do meu ser não sendo, meu eu
projetado em nós, em você

É minha maior alegria,
caçada das palavras,
não mata e não agride,
se for pra isso: desiste

Meu poema tem outro adjetivo,
outro objetivo, sou optativo,
obrigação só de paz, reverenciado
sempre e sempre mais a água do espírito,
bebo em conta gotas, mas me afogo
de afagos e verdades, mentirinhas…

É assim que minha criança sobrevive
de um poema leve, livre, vive, sorri
e insiste no sorriso bobo, suave,
no contente de um presente pronto,
posto e rasgado, lembrança de um passado,
desejo de um futuro bonito, poema vivo,
delírio que seja, não importa se sem beleza

Divagar devagar ou corrido, construído
no agito de qualquer domingo sem sentido,
buscando a finalidade quando nem a metade foi dito,
e que acabe assim, em um mito, um rito tolo de ponto final?.

Conversa franca

Precisamos conversar
sentados frente a frente
preciso contar algumas coisas:

A gente sabe a situação qual é,
a franqueza sempre foi a nossa medida,
nossa primeira norma-obra-prima
de qualquer relação, bem sabe

Que o papo não precisa ser dramático,
nem tão sério, nem penoso, sufocante;
Realmente a gente conseguiu outra solução,
amenizando sofrimentos e torturas vãos,
nãos entre eu e você: Não

Jogo aberto é jogo limpo,
o que acontece com você,
o que acontece comigo,
o que acontece com um amigo,
o que acontece, filho?

Conta conjunta dessa vida,
sem revolta, encare e aprende;
não há “a vida filha da puta”,
mas há covardia adulta quando tratamos
tudo como crianças

Encara de frente o seu momento,
o nosso problema; precisamos
da saída para o que você precisa
para não causar a saída um do outro
de ambas as vidas…