Com sinceridade…

Não acreditem em poetas, eu admito e recomendo,
somos o verso da pior espécie,
a estrofe que não vale nada,
e mentimos.

Mentimos muito.
Na verdade, sofremos algum distúrbio,
talvez, melhor ainda, sofremos algum transtorno,
alguns pra ser sincero, moda desse século

Temos a sensação de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo,
poligamia das palavras polissêmicas,
não acreditem nas palavras de um poeta

O poema, esse instrumento ordinário da palavra,
tem a força da argumentação mais doce e delicada,
mas, depois não se julgue ludibriada,
falta de aviso não é

Realmente somos profundos e intensos,
mas, a qualquer momento trocamos de foco,
os nossos olhos partem para outro,
pensam em outro, respiram pele nova

E o ciclo recomeça deixando corações partidos,
e um vazio no peito de cada um de nós,
e dos dois lados, ainda continuamos sós
tentando nos unir na ilusão do discurso

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