Deferimento de saudade

Quando a sua caneta não puder mais assinar
nenhum benefício, nenhuma solicitação minha,
quando a sua articulação personal-política
for vazia de qualquer cargo comissionado,
quando dizer seu nome deixar de ser vantajoso,
aí sim, estarei mais próximo, mais perto

Quando o amigo precisar de força,
quando o zelo vier à tona,
quando o humano vier primeiro,
colaboro, sem ressalvas

Reitero tudo o que realmente compensa,
a recompensa por tanto cuidado,
por ter me ensinado os princípios,
o mais raso, o mais simples
que todo mundo julga que a gente já sabe,
por ter sido didático mesmo sem formação

Peço que (re)considere quando tudo me volta à mente,
antes mesmo de ser convocado, a entrega de documentos,
a perícia médica – por ter me encaminhado –
pela confiança de sempre, pelo respeito íntegro

Peço que relembre na memória, nesse tempo tão rápido,
as risadas sem medida, o silêncio cheio de mensagem,
as brincadeiras tão espontâneas e as piadas em alarde

A benigna maldade da convivência humana,
que sabe o quanto vale a amizade,
que sabe o quanto tem valor a cumplicidade,
os auxílios que o serviço não compra,
a tranquilidade da criança adulta,
em alegria, em verdade, sinceridade e ajuda,
ciente do que realmente importa,
deferimento de saudade,
do poeta.

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