Mês: dezembro 2016
Ficaste
(fim de ano)
Alegra-te, pois que chegaste até aqui,
ao fim de mais um ano, tu venceste,
muito enfrentou durante tua trajetória,
posto à prova em tantos momentos,
colha o renovo das plantações que semeaste
Vivenciaste o que era próprio da existência
e com paciência, resistes aos sofreres da matéria,
em matéria de aprendizado
Alegra-te, é a hora!
Inspira-te, renova-te!
Aviva-te, o impossível
aconteceu!
Tu sobreviveste!
de janeiro a dezembro,
o ano se foi, ficaste!
Fica em alegria,
finca a alegria,
em teu peito,
energia, fica!
Nada vai virar,
continuarás servindo a vida!
Servir e bem dizer que a vida te deseja.
Compromisso com a vida, abençoa-te!
Terapia
Coisa que não me falta é caráter,
não me faço de moeda de troca
me vendendo pela metade
Não me comparem com um idiota,
desse grupo não faço parte,
estou atento a tudo,
não me venham com sacanagem
Não aceito tapinha nas costas,
nem o sorriso falso,
nem fingida camaradagem
Não engulo desculpas frouxas,
meias-voltas para contornar situações,
eu digo mais, e sinto muito,
sou deficiente físico apenas,
não fecho os olhos para a pilantragem
Pilantras camaradinhas sacanas,
não é só os políticos diplomados que me incomodam.
São os abutres do dia a dia,
que não sabem o que querem, não mostram a face,
mas, as duas caras, as máscaras, colecionam
E reclamam do mundo, e reclamam da vida,
e reclamam lá de cima, até de Brasília,
mas, não mudam, não tomam atitude,
não mudam de trilha.
Amordaçam a boca, põem vendas nos olhos, tapam os ouvidos
e tudo, tudo, – convenientemente e coniventemente –
relativizam.
É o meio erro, o meio certo, é o quase isso,
é a falta de norte e de norma, de parâmetro,
é a ética jogada na lama para não se estressar,
é a moral jogada na lama para não se indispor,
é a cidadania jogada na lama para não perder o aplauso,
é o príncípio jogado na lama para não perder a estima,
é a lama, é a lama, é a lama
Tratamento facial para deixar a cara macia,
é o que vier, de cortesia
Ganha a fama quem deita na cama
e não faz terapia
Retorno
Me descobri feliz no viver,
ainda que cercado de turbulências,
me descobri realizado no servir,
me percebi sereno para o aconchego
pelo pleito, pela demanda,
pela necessidade humana,
de uma direção, de um afago.
Me descobri abençoado,
cercado de espiritualidade,
desde que saio de casa,
quando um batalhão me acompanha,
protege e me orienta a ir ao mundo
anunciar a paz, a praticar o bem,
a não ver a cara de ninguém,
a não ligar nome com pessoa,
a ser indiferente ao ego
eu me ergo, sou completo
do abraço que eu não nego.
Aprendi muito, construí, primeiro,
a base sólida por dentro,
inabalável porque há preparo,
há muito tempo, há aprendizado,
amadurecimento para estender a mão
e não ser puxado para o abismo,
mas, trazer o outro de volta,
de volta pra vida, pra mim.
Imenso amor
Eu acho que a gente já entendeu
que no nosso caso, o amor não é um acordo,
entre seu corpo e o meu, nem entre seus olhos e os meus,
nem sobre seus desejos e os meus
Eu acho que a gente já entendeu
o significado firme e forte,
o elo que nos une além da morte,
a sorte dos nossos reencontros
no tempo e no espaço,
e no estado de paz
Não é questão de falar sério,
ou, de pensar mais a frente na eternidade,
é mais simples, porém, mais sólido,
é a certeza da segurança, da grande confiança
que a minha voz não fala, que a sua timidez não deixa,
é, em certa medida, a vergonha que a gente pragueja no íntimo
A questão é que a gente tem muito a dizer
de forma leve e divertida,
são os sonhos que brilham na esquina da alma quando a gente viaja
nos nossos planos de muito tempo pra frente
A questão é que eu sou parte de você,
e você, parte de mim; sabendo,
que o que parte de mim pra você
é imenso amor
É imenso, amor
o que nos conecta,
o que nos trouxe até aqui
É o nosso aprendizado contínuo,
sabendo que a gente se merece
e que o mundo nos amadurece
para a gente se receber lá na frente
meu presente, eternamente.
É imenso, amor
o que o meu coração agitado decifra,
o que a minha mão quando aperta a sua sente,
é a fala, que quando sai, vai tão trêmula,
mas, mas, não insegura do que eu preciso
É imenso, amor
o que eu tenho confirmado, é bendito,
saber que seu abraço ainda tão pequeno, é vivo,
é imenso, eu insisto, o que a gente vem descobrindo sem pressa
Que nesse mundo, não adianta ser presa dos outros homens,
eu sou um grande homem, querendo o mais honesto dos sentimentos
com um pequeno homem, o melhor dos pares que nem milhares de caras
serão caros de significado da aliança que só você se fez – e me deu.
*Para Hiago Tavares
Corpo celeste
Não é hora da divisão,
senão do pão na mesa, de abraço,
de incertezas aflituosas
que podem ser sanadas,
ajustadas – ainda que penosas –
porque é na dor do outro
que eu encontro um igual,
tão preocupado, ansioso,
confuso e cansado,
porém, mortal.
O limite do humano
tão cheio de dúvida,
merece, hoje, concentração,
de forças, de energias,
de compaixão.
É todo mundo junto,
na mesma vida, no mesmo mundo,
cada um com seu problema,
seu dilema particular.
Se é pra ficar com algo em mente,
o lema de toda a nossa gente,
solidariamente, na solidão, em frente!
É esse o recado que se quer passar, em suma:
Assuma, que ainda tão diferente,
tão confuso, o seu mundo precisa do mundo do outro,
porque o universo quer seus planetas em órbita.
Eu sei que você habita um corpo,
e orbita outros corpos,
são todos celestes,
e merecem a mais primária prece humana
a contemplação ao nada, ao tempo.
Um momento:
o céu só fica belo
porque cada estrela, que se sente pequena e só,
– anos-luz distante uma da outra –
(está perto)
– anos-luz distante de eu e você –
(para nós).