Um amor das águas

Quando eu passava pela praia
na orla extensa e suja
que Deus não me iluda
não acreditei no que vi

Banhada, molhada
salgada, temperada
das águas saia
com um quase nada

Na beira-mar
olhar não deveria
hipnotizado estava
seu corpo me arrepia

Não consegui me mover
areia movediça
morena da marquinha
sua beleza alucina

Quando vi, você passou
tão longe de mim decepcionou
meus olhos salgados ficaram
quando você beijou seu protetor

Pedido de conversa

Ei vem aqui
senta aqui perto
me conta o que não está dando certo

Ei, vem aqui
confia em mim
não vou lhe fazer mau

Ei, sem medo
me conte seu segredo
vejo no seu olhar
o desasossego

Ei, fale,
não há problema
que falhe a fé

Ei, tenha pena de si mesmo
não é pecado ser imperfeito
mas me conte o seu problema

Coisa pequena, não se preocupe…

Macarrão com queijo

Gostoso e grudento
o molho, venenoso
que apetitoso, repeti

Se foi gafe levantar o garfo
mais e mais e mais uma vez
não quis saber

Conversavamos e comíamos
comíamos conversando
quando o grude por engano
sem perceber, o ousado e suculento
em seu seio quis um novo acompanhamento

E meus olhos indiscretos, focados em ti
o macarrão deixei esfriar e lhe aqueci de desejo
que esperta e avançada não retirou o alimento que comi

Avante

Avante

Revolta tola que me acompanha à toa
mas não foje da verdade, apesar de pouca

Vontade de quebrar com paus e pedras
Ver nascer uma nova civilização
e fazer justiça com as próprias mãos

Salvar o sistema do caos intelectual total

Avante jovens revolucionários,
aqueles que ainda não foram dominados,
lutemos contra essa compra de poder

Mudar é pagar pra ver,
viver é vencer,
conquistar o poder

Não é anarquia, fuga da fantasia
dessa república-monarquia