Observações

Tenho pensado em muitas pessoas ultimamente e em como elas me fizeram feliz.
Como, mesmo sem perceber, eu pude contar com cada uma delas para construir o que sou agora.

Até para escrever poemas, admito.

Admiro muito mais os fatos, os acontecimentos e as passagens da vida
e as valorizo, certamente.

E tenho certa mania de fazer poemas com observações

Celebro os verdes campos que já têm incomodado meus pulmões intoxicados,
desde as toxinas do ar puro, às pessoas que sorriem ao meu lado no banco do carro

Agradeço profundamente os acasos do destino quando penso que nada de bom me surge,
quando o cansaço vence, o desanimo desilude, e o sonho se dilui na realidade difícil.

Agradeço os mesmos ventos quentes que batiam em minha face e me faziam desistir nas paisagens dessérticas,
e a esses mesmos ventos que me refrescam de esperança, garra e confiança quando tenho a sua energia por perto

E assim, por certo, que a vida nos prega surpresas, e nos desgasta para desmontar o quebra-cabeças que pensávamos faltar apenas uma peça.

Então, em meio à frustação do recomeço, eis que me vem o apreço da mão amiga para me dizer em muito mais que uma rima:

– Viver em companhia pode ser complicado de início, quando nos vemos perdidos, sem cuidado,
mas acima daquele que está calado e cabisbaixo, nascem sorrisos nem um pouco acanhados
que se completam agora em comunhão

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Pela amizade, companheirismo,  credibilidade e confiança que o amigo Igor Calil tem em minha pessoa. Votos também de minha parte pelo reconhecimento verdadeiro de que é nas aflições da vida que encontramos quem nos mantenha de cabeça erguida.

Meu eu do futuro

Eu sempre serei rídiculo para o meu espelho,
e infantil para o meu eu de amanhã, talvez até convencido.
Serei ingênuo com certeza.

O meu eu de amanhã sempre zombará de mim
até por essa petulância de tentar advinhar coisas de amanhã

E ele sempre lembrará como eu me sentia extremamente certo das coisas,
quando tudo estava errado, e eu não via, apenas com os olhos de amanhã

Então, ele vai lembrar das minhas palavras ditas erradas na infância
e de como eu era rídiculo esperando a menina passar

Claro, vai gargalhar lembrando como foi comico o primeiro olhar
e mais adiante, como foi natural relatar a ela esse dia, e ouvir dela a mesma coisa

Porque o meu eu de amanhã, vai olhar os meus futuros filhos brincando
e sentir saudades do passado correto, por mais que os meus pais disessem
que o tempo deles é que foram bons

E o meu eu do futuro talvez se surpreenda
quando perceber que concorda com ele mesmo,
do passado

Des-encefalecer

Controlar as feras psiquicas, muito pior seria
se eu não tentasse, se eu me sujeitasse apenas ao meu isolamento
ao confinamento dessa mente que, ferida, leva a cada dia a mais ácida mordida ao intelecto

Não há remédio que controle, não há camisa que isole, e antes que eu implore
no último filme da minha mente consciênte, e antes que eu chore
por qualquer coisa que não sei o que

Sinto muito, mas o caminho fui eu quem escolhi
por favor, não tenha pena de mim
tenha pena de quem acreditou na saída
quem ainda viu a vida gritar em mim
presa nos meus olhos

Presa de meus erros
na pressa do apego
de não ser compreendido

E assim se constituiu o vício
ferindo à construção familiar
e antes que a reflexão se perca,
perceba, é realmente literal

Hoje, por motivos alheios,
sinto falta do cheiro a me matar
das roupas, o odor, o clímax de me perder

E para dar um ar cômico ao recheio
sinta o trágico desfecho ao se constatar

Que as camisas de força, as internações,
as injeções, e as orações daquela moça,
não têm adiantado muito

Ainda me lembro de absurdos
que minha mente luta para não esquecer

Aquela senhora que um dia chamei de mãe
hoje ergue as mãos para me benzer

Para bem dizer é ela quem precisa de oração,
já cansada de viver, roubei-lhe os bens
materiais e humanos, para me entregar aos erros mundanos
ao me des-encefalecer

Curvas e Retas

Hoje é dia de ter um sonho bom,
uma meta, um desafio, fazer da música
uma sinfonia que agita a alma,
mesmo na calma de canções suaves

Sossego para o espírito
que cansado de ter inimigos,
deixou de afrontar a vida

E as coisas vindas, hoje entendidas,
passam a ser lidas com mais atenção
E as coisas idas, hoje compreendidas,
são na medida da estrada construída.

Os caminhos tortos hoje são desviados,
corrigidos, inacabados, mas foram aprendizado
Os caminhos certos, por mais que estivessem retos
tiveram prazos determinados

E o passeio pequeno, sem entendimento,
hoje já construíu uma estrada curta,
em alguns pontos suja, noutro, limpa,
mas no futuro, uma pista com rumo correto,
após curvas completas, de uma vida corrida.