Mil olhos

Eu quero fazer um mosaico das suas fotos
para contemplá-lo em preto-e-branco, amarelo e vermelho
para te ver da infância à velhice, do sorriso ao choro

E fazer poemas com as suas nuances, seu tom de pele,
seu cheiro de verniz, quero o apodrecer dos anos,
das fotografias cheias de vinco, e dos vínculos de atriz

Quero ver seus olhos abertos de alegria, iluminados sob o sol
e a saudosa maestria, por tanta nostalgia, te admirar dormindo um sono profundo

Quero nesse momento demonstrar que você não é foto de cabeceira, mas que incendeia de lembranças
e por isso, criança, eu quero colecionar as suas imagens na minha sala de jantar, porque enquanto degusto o alimento
recebo amigos em casa, faço festas, cerimonias e encontros, abaixo dos seus olhos quero sempre estar

Para que na eternidade da sua imagem, você perceba que eu nunca te traí, mas que os seus mil olhos
-fechados ou abertos, sorrindo ou chorando, iluminados ou tristes –
possam me condenar, se um dia eu ousar tal feito, e que a dor consuma o meu peito
de remorso pela culpa por um dia isso cogitar

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