Escravinha

Negrinha da senzala, que demora!
Venha cá e sirva a seu senhor por direito
pois por dinheiro te comprou no mercado

Não poupei um vintém:
Vendi terras, outras escravinhas
porque te quero como minha

Mas não se engane, escrava negrinha
não me deitarei com este teu sangue sujo
não serei imundo e amaldiçoado,
estragando minha linhagem por ti

Escravinha, quero teus serviços
sem regalias, sem prestígio
que isso, te digo, só ao sangue branco

E se insistir, escravinha, com um dos meus,
se eu te ver de graças com os meus herdeiros,
mesmo que te ordenem, escravinha, não ouse!

Coloco-te no tronco, corto tua língua fora,
para que não fales, e nem beijes outro homem puro,
para que não desgrace o meu mundo com o que lhe corre nas veias,
escravinha astuta e desordeira, insolente!

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