Decisão

Não quero a opinião de ninguém, nem ouvi-los,
não quero mais assumir nada além de minhas possibilidades, exclusivamente.
Não quero dar esperança a outros de que eu contribuirei para soluções
que são, unicamente, dos seus responsáveis diretos.

Não quero nem rimar neste poema, nem ser obrigado a ter uma métrica,
eu não quero seguir linha nenhuma, nem mesmo estender a mão, cansei.
Não quero mais emprestar meus ouvidos e olhos, e ficar surdo e cego a mim.

Não dá mais. Eu preciso reorganizar o meu interior, e desfazer
as cidades turbulentas da minha alma, para não precisar mais,
nunca mais, pedir exílio no interior dos outros, confundi-os com metrópoles;

Não dá mais para auferir a terceiros aquilo que deveria vir primeiro a mim.

Eu não vou mais sucatear as minhas decisões à deriva,
ao primeiro que quiser brincar de entender o ser humano,
e nem ser dependente das emoções de outros,
além de menosprezar as minhas obrigações, comigo.

Eu não vou mais doar o meu tempo, e depois ter de pagar a outros
pelo tempo de ouvidos ou palavras estudadas, manipuladas, e pensadas
nas cadeiras de consultórios fazendo velório de minha vida parada, quase morta.

Eu não vou me negar mais o dever da decisão, nem da indecisão de dar a cara à tapa,
e nem ter medo de que nela batam por um erro meu, – meu!- mas, -meu!- e, mais, -meu!-
Quero ter esse gosto de dizer que o erro foi meu, – e não seu!- por uma ajuda errada,
ainda que muito bem intencionada, mas uma ajuda sua, da visão sua, de uma decisão sua!