Fora de tudo

Vamos lá,
sendo bem sincero,
será que cabe em nós
o espontâneo compromisso
do bem-querer?

Será que dá pra dizer
que a gente não força nada,
só se curte, só se vive,
só se encontra
sem se encontrar só?

Será que a gente pode
confessar a alegria
que instala mansa e serena
nas nossas vidas tão corridas
com objetivo de sermos grandes,
embora tão pequenos?

Será que a gente precisa
do contrato social que
estrangula os laços
com prazos pré-determinados
de saturação?

Será que, vamos lá, basta simples,
banais conversas entre dois amigos,
generosidade de não viver buscando
o vício da carne, nem ter outros planos

Vamos lá, será que acaba aqui
um momento de alegria completa,
aquela que não se aquieta em nossos peitos,
que se vale da lembrança pra repetir o feito
constantemente o constrangimento de se perceber
fora do contexto, fora da malícia, fora do mundo,
fora de tudo que não seja os segundos nossos…

Nó de nós

Minha querida,
aqui o desabafo,
cansei de retalhos,
das conversas pela metade,
cansei da amabilidade fajuta

Ajuda, seja sincera, minha querida,
não precisa fingir o que não deseja,
nós não somos obrigados a nada disso.

Liberto, sem causa injusta alguma,
percebo, de perto, sua angústia.
Minha querida, vamos parar com isso.
As suas mentiras não cabem mais em meus ouvidos.
Estou farto disso. Perdoe, não jogo mais.

Meu querido,
não jogo, nem nunca o fiz.
Caso se sinta infeliz,
não bata a porta, não grite,
nem me culpe, não se desculpe.
Sai.

Não lhe acuso, não vou cuspir
tudo que eu sei que não existe
só pra dizer que você é imundo
pra que eu saia ilesa e sem culpa,
não faça mea-culpa de algo
que não esquenta mais a alma

Calma, e segue
Asseguro que a liberdade
vale mais que qualquer laço
que já deu nó
por nós

Interno

Quando outro homem,
apavorado, agitado,
intranquilo, eu
precisava mudar
para me permitir
o sossego daqueles que
precisam, de qualquer modo,
do silêncio que não perturba

Conturbado, sem a lucidez,
ácido, bem longe da doçura,
detectei o que me atormentava,
ataquei os males que me incomodavam,
e hoje, depois do esforço diário,
contínuo mesmo, incessante,
o alívio e a garra agora
são a coragem do tempo novo

Esse tempo novo tem sido recomeço
do amanhã, que desde então, desafia.
É um amanhã que não cobra o ontem,
que não joga na cara o quanto se deve
para a vida, que só deseja, adrenalina,
essa vida que cumpre o seu papel
e me perguntou qual o passo que eu dei
para a paz interior almejada num outro plano,
na ilusão do céu…