Nunca vingou

Você confunde as minhas paixões
e me deixa a dúvida mais difícil,
aquela que mexe com o íntimo
e embaralha todas as sensações

Pelo poema mais confuso,
você sabe que poetas
são homens do mundo
que manipulam palavras,
camuflam tudo

Tenho que confessar
que já me perdi
já não sei se amo A,
se me encanto por B,
se conquistei C,
se posso dizer
quero você

Desculpa a minha dúvida,
só os poetas podem suportar
tantos desvios de conduta,
mas não tente entender
os amores dos letrados
são um caso raro,
outro lado, outra face do amor
que ninguém nunca viu,
mas também nunca vingou

Para Iago Reis

Digno de sorte

Por isso vale perder noites de sono,
não só pelo fato do poema construído
pela memória que vem me consumindo,
pelo que eu descubro de mim em silêncio
quase que reflexivo, ioga do espírito

Por isso vale a pena perder noites,
porque eu sinto meu corpo transcender
os meus próprios planos, sinto a matéria,
o corpo se elevando, eu me esquivando
da verdade do sonho que vejo em frente.

Sinto por você paixão crescente,
alucinante, delirando, naquilo,
você é tudo aquilo que eu venho sonhando
e agora está diante de mim, mesmo que distante

Mesmo que seu corpo e sua mente estejam viajando,
seu corpo é real e tocante, é próximo, material vibrante,
você existente quebrou meu coração resistente
para um novo momento-poema, antes eu era digno de pena
hoje sou digno de sorte.