Caso raro

Você tem sorriso nos olhos,
brilho, tem brilho no rosto
tem também leveza na boca
e tranquilidade nos atos

Você passeia pela vida,
alegria que vive personificada
que tem a alma livre, solta
ainda que ajuizada

Você é caso raro de se encontrar
réu primário nos autos do amor
a lágrima, pedido de clemência, quem dera,
legítima defesa em ato de primavera

A longa novidade que sempre surpreende,
folha desprendida da vida,
seu crime cativa,
cativeiro dos homens

Os anos parecem não passar
nessa prisão do bem quase já tão vazia
que você por um fio ainda não foi solto
já são a poucos que eu recorro

Obrigado pela prece de internos sentimentos,
já sinto a condeção do mundo,
mas você está salvo
preso às esperanças,
ainda confuso nas grades do poema

Pague

O carinho que eu te dei
o calor que eu transmiti
a felicidade que eu propus
o brilho no olhar que nos conduz

Eu usei o presente, o pano,
eu usei o abraço, acalanto
eu usei o sorriso, contagiando
eu usei o encontro final

O caminho do amor
talvez a palavra não saiba,
talvez a boca não diga,
talvez o ato seja até uma falha

Mas ninguém sabe o que está aqui dentro,
só você pode perceber,
só você

Sentimento não tem vaidade
sentimento não vive do ego,
sentimento é mais que apego,
mais que carinho, capricho ou respeito

O que eu digo não tem validade
e se tiver, não é completa,
você sabe o que eu quero dizer
e, além de tudo, acerta

Aceita

O carinho em forma de presente,
o sorriso com a sua chegada
até quando eu não tenho nada pra dizer,
meu sentimento já disse e você vê

Acredita

O que eu fiz ainda não é nem o começo,
você sabe que não basta bater forte o peito,
nem secar a boca, nem perder o ar
se for preciso, eu peço:
Fica, fica, fica
ficará?

No sonho a certeza do que a gente um dia quis,
o desejo supremo de se sentir feliz
e não há nada que nos impeça ou trave,
a não ser que a gente aceite e se cale

Teoria, irradia, fale,
levante bandeira, brigue,
implique, saiba da verdade,
mas não encare, nem viva,
nem vive, inibe
e por isso pague