Déficiente

É possível viver sem andar
é possível viver mudo
é possível viver cego
é possível viver surdo

Só não é possível viver sem pensar
sem respeitar as diferenças do mundo
ouça o que eu vou te contar
o pior de tudo é ser défit ciente

Porque ainda não é possível viver sem cérebro
embora muitos insistam em usar apenas parte dele
é ironico dizer, mas déficit ciente se escolhe ser

Mas é possível lidar com deficiência
eu repito: é possível nos entender
basta, você, simplesmente querer

O que me deixa mais intrigado
o que eu estive a pensar agora
é que todos aqueles que são ‘completos”
não admitem perder para uma pessoa
que tem um sentido a menos

Veja quanto sem sentido você é
tem todas as possibilidades de batalha
mas joga tudo isso nas águas do preconceito
é falta de respeito consigo mesmo

Tem tudo para batalhar e menospreza o meu direito
de ser cidadão igual a você com um pouco mais de jeito
o jeito brasileiro aguçado para superar os seus erros

Quem de nós dois

Você não sabe o tanto que eu preciso dizer
a massa que está entalada na minha garganta
ela precisa sair, precisa sair de mim

Não foi falta de confiança, foi momento
criança, obrigado por existir, criança
apenas obrigado, por tudo, simplesmente

Hoje eu posso falar abertamente
hoje me permito te dizer
coisas que eu não diria se
fossemos apenas amigos

Quero que saiba que esse dia me marca
não só pelo que você fala, não apenas palavras
Tudo hoje foi ajuda, conspiração que entrou em ação

Quero que sinta que segurei suas duas mãos hoje
e que ao tocá-las, olho no fundo dos seus olhos
e me sinto seguro, simplesmente, criança

Saiba acima de tudo, que nossa música
aquela que embalou as nossas conversas
só hoje entendi o sentido completo
quem de nós dois hoje não está certo
que a nossa amizade tomou o rumo correto….

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Esse poema eu vou marcar com uma mensagem, como poucos que fiz, porque tem um significado tão grande que apenas um poema não foi suficiente  para revelar tudo o que eu sinto….

E por mais que eu não diga seu nome nessas linhas, por vergonha, talvez, de [ainda] não revelar ao mundo tudo o que sinto por você, somente você vai entender o real significado desses versos da forma como eu queria tocar seu coração….

A você, que eu prezo e quero sempre…

Desconsideração

Eu sei que essa situação é difícil
viver qualquer vício destrói
o que eu posso fazer?
a vida constrói amores alucinógenos

E quanto mais eu quero estar perto
você me foje, amor, foje de mim
e quanto mais quente eu espero ficar
mais fria, amor, meu amor

Então me diga?
em que armadilha cai?
diz meu bem
mata essa curiosidade

Eu sei que não foi maldade
na falta de carinho e de ombro
ficamos um pouco tontos
caimos nos braços alheios

Então, por que desse vício?
sabíamos que era passageiro
sabíamos que era diversão
pena que o coração não sabe ler essa linguagem

Sacanagem, tudo para ele é paixão

Então me perdoa
se te faço de tola
se brinco à toa, querida,
Tudo não passou de impulsão…

Agora eu entendo
ser fria é um reflexo
é o espelho da enganação
é mesmo o que eu mereço

Você não precisa ficar desse jeito
a culpa é minha, somente, querida
eu me aproveitei da situação

E agora que você acorda e não sabe quem sou
eu mereço mesmo essa desconsideração
porque o que fiz com você
não se faz com ninguém não,
eu admito, coração

Simplesmente, amo-te

Deixa eu dizer que te amo
porque isso me faz bem
deixa eu te fazer bem também
dizendo a ti que te amo

Porque palavras doces
fazem bem a mim e a ti
porque palavras de amor
quebrantam nossos corações

Em todas as canções de amor
ouço seu nome no fundo da alma
e todas aquelas melodias
lembram-me momentos juntos

Deixa eu dizer que te amo
enquando meu coração está aberto
deixa eu transmitir minha paz de espírito
porque a você eu dedico meus sentimentos

Tudo o que eu faço por você é profundo
tudo é verdadeiro, eu juro
deixa eu dizer que te amo
enquanto ainda há tempo

Amanhã não sei se terei palavras
amanhã não sei se você aceitaria
deixa eu dizer hoje, porque amanhã
amanhã pode ser que eu não diga

Amo você simplesmente….

Fumaças

– Fogo?
– Tenho, senta aí.
– Fuma há muito tempo?
– Comecei essa semana – desdém e sorriso amarelo.
– Dores do amor?
– Talvez – uma tragada
– Tem nome?
– Tinha, quero esquecer – fumaça
– É por isso que fuma, não é?
– Cigarro mata o cérebro. Não é isso que dizem? – outra tragada sem jeito.
– Eu fumo há trinta anos.
– E aí?
– Ah, o amor! – gargalhadas – trinta anos, cara! TRINTA!
– E o resultado?
Uma tragada profunda e a resposta:
– Ainda sei o nome dela, mora com outro. Teve dois filhos, sabe. Engordou alguns quilos. Usa vestidos estampados, acredita? Ah, e isso aqui – mais uma tragada – foi a única coisa que me sobrou dela. Nós fumavámos há trinta anos. Ela parou, mas há trinta anos não me esqueço dela…

Quarteto de separação

Só não me faça sentir medo
não me faça sentir calor
não me faça ter piedade
por falta de amor

Só não me faça ameaças
só não me perturbe por farsa
só não me faça chorar
só por raiva

Não me faça ter pensamentos ruins
só não me faça ser assim
amarguras de vida adulta
lembranças da vida à dois

Não me faça perder a alegria
de correr na folia
de viver a minha vida
livre

Quer saber, não me faça lembrar você
vá embora, não me faça mais te encarar
não me faça brigar, que eu não gosto
não me faça ter ódios momentaneos

Só não me faça chorar oceanos
porque você não merece
Anda, vê se me esquece
desaparece

Não me aceite de volta
só não me faça lhe procurar
se eu voltar atrás na minha palavra
Só vale me maltratar

Porque eu ja vivi essa novela
já sofri esses dramas
mas por falta de carinho
eu revivo esse vício essa trama…

Só pra me encontrar em mim

Acordei hoje de manhã
me encarei no espelho
não vi mais a minha imagem
Virei miragem de pessoas a minha volta

Hoje eu constatei
que não importa o que eu faça,
pode ser até ajuda humanitária
se eu não me curar de mim, nada vale

Hoje eu descobri que sou poeta
ainda que por frestras de revolta
ainda que eu feche a porta
ainda que eu não entre,
eu já me tranquei

Hoje eu escrevo,
poderia ser melancolia
poderia ser tragédia
poderia ter platéia
Só me resta a minha leitura

Preso em mim estou
enforcado, sou um mago
que pretende fugir das
próprias correntes

Perdido nas minhas ideias
meus ideais embaralhados
talvez eu fique aqui calado
ouvindo a minha própria voz

Quem sabe um dos tantos nós que habitam em mim
desate e me solte, e me permita fugir do meu tanque
enquanto a água não me afogue a alma angustiada…

O colecionador de histórias e o príncipio da amizade

“Porque o que me mantém vivo é o amor das pessoas que me cercam…”

Você tem amigos? Sim, amigos mesmo. Pessoas de real significado. Não seu colega de classe. Não aquela pessoa que você joga conversa fora depois de um dia cheio. Estou querendo que veja o seu amigo. Talvez se tenha apenas um, dois, se tiver sorte. Esqueça os temporários também. Não pelo tempo que convivem, mas pela pouca intensidade que tem. Não quero saber daquele que você conhece há três anos, e se for perceber só esteve com ele realmente um ano e meio, ou menos. Esse você não conhece. E então talvez você lembre, agora, do amigo que eu quero mostrar.

Aquele que você vive um ano em um dia. O amigo que você não sabe, mas sente. Na alma. No coração. Aquele ser que você disse, muito prazer, tendo a sensação mais forte da sua vida. De que ia dar certo. De que encontou alguém que possa partilhar não só a sua vida, mas também todos os seus sentimentos mais profundos. Ah, que graça é a amizade, não?

Veja só, é quase um romance, percebe? Tem todos as caractéristicas… A pessoa amada, a entrega, a felicidade de encontros, da palavra certa, do silêncio certo…. Talvez você me diga que o que difere amizade de amor, paixão, seja o desejo sexual, o apelo pela cama, pela luxúria. Não, não é isso. Quantos de nós, em determinado momento, já não confundiu esses sentimentos? Amizades intensas têm o poder de embaralhar nossos sentimentos. E o que era amizade, em momentos, vira paixão. E novamente amizade. E de novo paixão. E amizade mais uma vez. Até você que é sincero. Chama o amigo para uma conversa franca. Olho no olho. Expõe todos os seus sentimentos, todas as suas dúvidas, os seus anseios, e tudo aquilo que está preso entre o coração e a garganta. E é ouvido. Sem máscaras. Sem julgamento.

Está ai a diferença: Em ambos relacionamentos há entrega, forte, vívida, alucionógena. Sonhadora. Mas, por mais que se entendam, os namorados, casados…. Eles jamais consigirão deixar o ego e de lado. Inevitável que se diga com restrições, com certos receios. É o medo de se perder a relação que tanto lutaram para conseguir. Foi aquele ex-namorado que você desbancou, os pais da moça que você convenceu, aquele jantar chato que você foi só para agradá-la, e tantos outros sacrifícios que marido e mulher fazem para se manterem unidos…. O que não acontece aos amigos….

Ah, os amigos…. Ser você sem medo de reprovação, livre. Desagradar? Não existe essa palavra entre amigos. Com amigos você vacila. Pisa na bola. Com amigo você dá mancada. Ser amigo é assim, liberdade… É voar sem destino. Ser amigo é ser tranquilo, leve…

Ter amigo é ser como um passarinho que consegue escapar da gaiola sozinho, vencendo a inteligencia humana…

Carmem

Atenção:

O poema a seguir é destinado a maiores de 18 anos por ser considerado material adulto. Caso não tenha atingido maioridade, favor não prosseguir, ou estar ciente de que esta publicação não é destinada a menores de 18 anos pela constituição brasileira.

Jefferson de Souza

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Vem fazer sexo comigo?
vem nessa orgia, nesse frescor
sentir meu sabor se misturar com o seu
seu cheiro impregnar no meu seio

Acha que sou prostituta, qualquer vadia
uma puta mal comida, oferecida, dada?
Não, eu não quero seu dinheiro seu porco imundo
eu só quero o prazer do sexo com algum desconhecido
O que tem demais?

Interpreta mal mesmo, sua opinião não vale muito
sua boca só me serve de lubrificante, é desconsertante, eu sei
saber que sua palavra nada significa lhe doi?

Acho que você está perplexo, não?
Isso é falta de sexo, garanto!
Tá em choque? Não entendi…
Olha só a sorte que você tem!

Quero ser comida, não entendeu?
Vai ficar com essa cara de pamonha?
Que vergonha, você não é o homem que eu quero
Vou procurar outro alguém, você perdeu a oportunidade

Que maldosa Carmem, batom vermelho escuro
Unhas vermelho luxúria, que pena, que formosura
Ficou patetando, perdeu a chance de ver Carmem
Gozando….

Chega de chorar

Eu não vou chorar por voce, não
cansei desta solidão, sou eu que insisto
sei que para você acabou paixão

Eu não vou insistir, deixo, eu lhe deixo ir
não me procure mais, não temos mais nada
eu já não temo mais a singularidade de estar só

Ainda me resta uma vida inteira, novos amores
novas rimas e novas lágrimas para beber
e salgar o meu viver

Já que chega, por você eu não choro mais
já que chega, já é tarde demais, já chega eu escolhi
vou viver assim rindo, assim dançando
assim querendo ser somente, somente….
eu novamente….. feliz

Insonia

23:05. Volto novamente. Não consigo dormir, não consigo pensar, não consigo fingir. Apenas olho para o teto do meu quarto e desvio o olhar pela janela. Só para ver a lua. Só para tentar decifrar seu nome nela.

Sabe, o riso que agora me vem ao rosto é melancolia, desespero disfarçado, sabor da agonia. De não te ter mais ao meu lado, de não te ter nem sequer de dia.

Engraçado como vivemos tão ferozmente. Assustadora a nossa entrega em certos momentos. E agora, o que nos resta senão apenas desprezo?

Eu aqui olhando para as paredes, não conseguindo conciliar o sono, pensando em você, fazendo-me de tonto. Enquanto você, aonde será que está? Será que consegue dormir? Será que consegue pensar? Será que pensa em mim? Será que ainda esconde o meu amar?

Mal entendidos nos afastaram… As poucos lembranças que tenho já estão se perdendo, já estão fugindo… É a falta do sono, não ter você mais aqui comigo está me matando…  

Incesto

Vem do ventre da família, que ironia
que impacto, que agonia, minha prima
vem do berço da minha tia

Vem o amor proibido, condenado
vem o amor ceifado pelo preconceito
acham que é falta de respeito
que é pecado, que jeito
incesto

Apaixonado, nas suas veias também rola meu sangue
que desengano, que tristeza, duas vidas, a mesma certeza
fugiremos,  destruiremos  sobrenomes, teremos filhos co-de-nome

Que culpa temos nós?
Diga-me, que culpa?
Diga-me, cairá sobre nós
a desgraça, a desordem?

Nossos DNA’s se conflitarão?
que doce ilusão em pensar
praguejar nossa relação

Amor de primo, parente, irmão
Abençoado poderá não ser
nosso amor pagão

Tem nome, tem condição
incesto é a definição
mas entre nós só uma resposta
Paixão