Avesso

Sou o lado errado
que erra, falha, falta
Sou fera, contrário
que avesso, sem compromisso

Sou o engano, o tolo, fraco
o que cata retalhos, buracos
o que canta, troca letra
Sou o careta, trocadilho
filho daquilo que é vago

Sou o que prejudica
o que se faz de ilha
o que se isola e se afoga
sem água, já sem vida

Sou o avesso do que se espera
o que limita tudo, apaga a vela
aquele que se faz apego e se liberta
o contrário do contrário
avesso do combinado

Sei mais uma vez

Sei que insisto
quando digo
que gosto
de você

Sei que você sabe,
você sabe que eu sei,
que eu não menti

Sei, meu bem,
que eu faço
mais do que falo

Sei que eu não preciso,
mas insisto em dizer,
gosto do gosto
de gostar de você

Sei, muito bem,
o quanto, meu bem,
eu confundi tudo
muitas vezes

Sei que as minhas palavras
confundem sua mente, vencem;
mas essas aqui são só para confirmar
eu gosto do gostar de você

Eu sei, de fato, que vou continuar gostando
no gerúndio que ainda move
o verbo do carinho, adjetivando
você, querido, merecedor
do merecido carinho
sabido

Parece redundância
esse poema sabido,
mas cá entre nós dois,
sei que você sabe:

A amizade precisa ser renovada
nessas sabidas palavras ditas
espontâneas na primeira vez
e que se repetem, remetem, repetem:

Eu sei que você sabe
que eu gosto de você,
e sei que eu sei,
você gosta de mim
mesmo sem motivo
sei, sem dúvida.

———————–

Para o amigo Ronaldo Costa

O poema inédito

Essa poesia é inédita
até o momento em que
aquele alguém que me interessa
a ler

Vai continuar a ser inédita
se outra pessoa garantir
que foi o melhor
meta-poema que já fiz

Vai permanecer inédita
se aquele alguém não tiver compreendido
que a expressão “aquele alguém” é você

Que seja inédita, passados tantos anos,
se cair em domínio público
sei lá depois de quantos anos,
se aquele alguém morrer

É inédita para o poeta
se o poema não chegar
àquele alguém que deveria

A poesia é inédita,
a palavra não;
O sentimento do poeta,
menos ainda, nunca foi inédito;

Mas se é para perder de fato
o ineditismo, eu preciso
que você, “aquele alguém”,
use a poesia, não apenas leia
o poema inédito

Fim

Eu quero me afastar
deixar de lado
o tempo que passamos juntos
nós nunca estivemos perto

Eu quero
cancelar todos os planos,
descumprir todas as normas
da eternidade, do para sempre

Eu quero chegar à finitude,
não desejo mais contar os anos,
vou embora amanhã

Eu não quero despedida,
isso não é um ultimato,
nem um aviso prévio

Eu já fui e você não me deixou,
já estou do lado de fora,
meio indiferente

Não guardo saudade,
já passei dessa fase,
não peço desculpa,
não tenho o que pedir,
nada mais

Não vou relembrar
os melhores momentos
e os piores apertos,
não faça isso também

Não deixe espaço na memória
para o meu nome, nem para a minha vida,
e não houve uma nossa, em momento algum

Não tenho do que pedir perdão,
nem te perdoar, nem tão pouco
culpar o tempo por nada

Acabou e está acabado
isso não é um basta,
e não guarde esperança,
definitivamente não tem recomeço

O que acabou está aqui
sem dor nem piedade,
nem amor, nem maldade,
é apenas o fim das minhas letras
em três letras apenas…

Sincera

Sincera
minha vida
ganha outra
semente

Sincera
sou eu
com um só eu
sem, será?

Sim, cera queimada
não estou mais protegida
e lubrificada, posso queimar
de uma vez só

Sincera, abro mão da eternidade,
sim, será a minha vez de derreter
pela última vez
sem ser quimera

Sincera
minha cara
fica com as marcas
do seu tapa

Meu corpo
fica com os sulcos
que a vida secou
com tudo que foi expresso
espremido pelo tempo

Sincera
morro todo dia
não há segunda pessoa,
ninguém que possa
pisar nas poças no meu lugar

Sincera
eu me afogo
no sufoco
e no afago
de ser
sincera
senzala
sem sala
pra mim
sensata

Imperativa

Preserva
quem te inspira,
respira a alma,
arrisca a solidão
viver a confusão

Aduba o prazer
cultiva a vida curta
pula nua, se desejar

Investiga o que te faz bem,
não precisa da benção, amém!
viva sem permissão pra tudo
seja sua, dele, dela, fruto

Nem canta, nem dança,
o colorido do romance
não te cai, nem valoriza

Risca as idealizações,
apetite do que planeja,
seja, apenas, ceda sempre
as sedes do coração

Sede das contradições,
experimenta fora do posto,
inventa o seu próprio gosto

Viva a palavra nova,
o sentir é um futuro
que já foi o passado
de alguém

Cria a tua própria poesia,
chora tua própria aurora,
arrepia-se do que não se sabe,
monta a tua própria ceita
incendeia outras partes,
faça arte além da carne,
além do coração

Busca o teu próprio
ponto de fusão,
demarca onde você sentir
é ali que a vida começa
pra cada um, um devir

Tríade da amizade

Para Jéssica Simões, amiga em comum com Ronaldo Costa, nosso querido Cariúcho!

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Desculpe as armações
vou fugir do óbvio, limões
Olho pro céu, eu vejo, constelações

Sei que é uma estrela especial na palma das mãos
de um amigo que gosto
sem definições

Por momentos, complicações,
por contradições do destino
eu não encontrei você nos vagões

Divagações da vida,
sei que a rima sofre oscilações,
mas é para demonstrar
outras derivações

Apaixonado pela vida, poesia
sem prisões para dar liberdade
provisória à amiga Simões…

Não carece de preocupações
pelos outros por suas vagas opiniões

Senta aqui do nosso lado,
que a viagem está completa,
A tríade da amizade sem alucinações

Desprezível

Quem de fato foi fiel,
sentiu prazer em acolher seu fel,
procurou você sem lua de mel

Sou muito mais que papel,
mais que literatura de cordel,
sou sua noturna de bordel

Segurei sua mão sem anel,
já rimos juntos sem carrossel,
brincadeiras de babel

Entendo sua língua invisível,
mudei de tom sem o rímel,
talvez incompreensível

Sou sua carne crível
disposição incrível
até a omissão é verossímil

Agora quero que negue o impossível,
se não estou entregue em outro nível,
sou sua compreensível,
desprezada, desprezível

Pistas da alegria

Quero um par para dançar
na alegria, dividir comigo
esse passo, essa energia,
multiplicando a felicidade

Eu quero essa mão colada na minha,
o riso solto dos timbres, dos sons,
do batuque bom que revigora, revigorará!

Vem pra pista comigo
ser criança de novo,
balança comigo no meio do povo
sem se preocupar

Somente esta intenção de ser você,
de ser pleno, não preciso de pena,
não preciso penar pra ser feliz,
é fácil, fácil, farei!

Você e eu, hey!
Rei da alegria,
sinto muito se
pareço gay
e não me incomodo com isso!

Só abrigo o bem,
estou zeen para as críticas,
ocupado demais com as vidas
que despertaram juntas nessas vias,
pistas de felicidade na pista!

Partida de ego

Mesmo quando se tem todas as cartas na mão,
com tudo pronto pra encerrar o jogo,
levar a mesa inteira, rodada rasteira,
prefiro o blefe da verdade

Sei que posso ganhar,
mas estou retirando a aposta,
dobrei tudo até o último minuto
para perder de propósito

Pensei melhor, nem todo jogo
a gente tem a obrigação de vencer.
E vou dizer uma coisa:
Não é questão de poder

Vale a pena tanta espera,
tantos momentos de tensão,
vale a pena as incertezas certas
das cartas na mão

Vale a pena colocar quase tudo na mesa,
comprar outras tantas de naipes diferentes
sabendo que eu poderia encerrar bem antes
esse jogo que não é prêmio do coração

É por respeito que eu passo a vez
sei que mais uma vez estive perto,
mas não vou embaralhar mais a sua vida
por mais que conserte a minha
só pra te ter por perto

É então um momento de ego…
Frear o meu para não deixar o seu
ainda mais aberto, exposto, decerto
que no fim de tudo, adio minha vitória
vou te dar vitória para que em outra hora
possamos nos perder juntos, eu espero

Farsa das palavras

A palavra fria
da sílaba fraca,
a frase vazia,
o ponto que não para.

Na sua vida tardia
minha poesia não fala,
sou vírgula vadia
não, não há vaga?

Sinto muito que me traia
palavra vendida, calada.

Sinto não ter sintonia contigo
quando faz tempo ela não envolve.

Palavra que não cativa,
castiga e me comove.

É outro sentido
– aquele que eu não quero ter –
por uma falta de sorte
– nem eu, nem você –

Sinto muito se não sigo as ordens…
Hoje me dei conta de que não sou nada.
Autor farsa das palavras.

São elas que me dominam
e ditam as regras,
são elas que se transmitem
e eu sou via de regra

Não as enlaço, nem as condeno
a viverem abaixo dos meus punhos,
não sou eu quem as compreendo,
um fantoche de dois mundo

Sei o que quero dizer
mas elas não dizem por mim,
têm vontade própria de um ser
que não faz terceira pessoa ver
o que vem lá do fundo

E não me adianta tentar
essa batalha é inútil.

O que me adianta segredo
se o que vai em meu peito
não chega aos meus dedos
por um capricho confuso…

Prévia

Tem uma poesia morando dentro de mim,
poesia não é poema, é sentimento;
tem status de amor, de esperança e amizade;
sublime até que mostre a outra metade

Esse sentimento ainda amadurece aqui dentro
para contar a qualquer momento o quanto eu gosto,
para demonstrar todo meu apreço por você

E sei que isso é só uma prévia,
um esboço do que realmente sinto
porque para a poesia final ainda
falta algum tempo, eu reconheço

Ela ordena como nunca
que seja preservada,
de uma vez por todas,
seja gerada, essa cria

Tem o tempo certo pra poesia,
para o verdadeiro sentimento
de poeta, falta tempo

Incubadora de flores
pois os buquês de rosa ainda existem
nos tempos de rosas com glitter
das postagens dessa era
informática de quimeras

Eu digito esse rabisco
no século seguinte,
mas minha alma é do século vinte
e a sua, ah, a sua, nem fez dezoito,
mas insiste em me provar e me provocar
toda noite, até às dez e vinte…

Intromissão

Desculpe a intromissão na sua vida.
Sei que não é da minha conta,
mas me conte aí o que lhe incomoda

Estou vendo esse sorriso sem graça
fazendo força pra sustentar uma cara
não muito feliz, eu percebi, desculpe

Fala pra mim, se eu puder ajudar em alguma coisa,
ou em nada, apenas ouvir, estou aqui, se quiser.
Se quiser conversar só com meus olhos
pra ter a sensação de que alguém se importa.

Eu posso começar a me importar, se você me permite.
Não, não quero nada em troca, eu só bati na porta
do seu coração e ela quase caiu.
Anda cheia de cupim.

Pare de estragar, de apodrecer só.
Não prometo grande melhoria,
mas eu posso dar uma sugestão?

Coloque algo pra escorar essa tristeza
que a sua casa está ficando sem defesa…
E antes que alguém que não valha nada invada,
deixa comigo que eu ajudo, amizade…

Ressecado

Desencantei
Quando um não quer
não adianta insistir.
Sei de mim.
De você no entanto
eu não imploro um sonho…
Propus um banho nas águas do amor.
Antes de entrar você já se secou,
já se trancou no não.
O que eu senti por você, perdão.
Não vou falar mais nada!
Água trancada não vasa,
e minha boca molhada
ainda não cansou de transbordar amor
Um copo d’água ofereci.
Você virou no chão…
Colocou meu carinho na condição do não.
Disse não merecer um eu e você…
Você encheu você de você
deixando-me com um eu que não quer ser meu…
Vou me afogando em mim
enquanto você resseca em si

Mundo de escritor

(Ao amigo Lucas Borges)

Não tenho posse sobre você
nem sobre o que sinto…
Eu só queria dizer muito obrigado
pelo carinho que de longe minha alma capta

Sou como uma bússola do amor
e ela tem me apontado pra você
Obrigado, pois eu me inspiro,
mas o motivo não se explica

Minha alma nota seu talento
seu esforço, ela é atenta
a tanta energia limpa
de um sonhador da vida
pela escrita que agora rima
na minha vida

Por um breve instante percebo a sintonia…
Por favor, por amor nossas
palavras se cruzam em espaços tão diferentes…

É a sua alegria convidando o meu espírito
a manejar as palavras, transbordar luz nos olhos,
marejar na saída, uma viagem de volta
mesmo sem encontro físico

Amigos unidos em outro plano
mundo de escritor…

Beijo, depois eu volto pra te ver,
conversar sobre nosso destino de vencer
vivendo de palavra, vem ver o quanto
gosto de você e nunca disse,
cansei de me esconder

Vou partir feliz, deixando você
sabendo da minha fascinação
pela sua paixão sem fim…
Eu entendo perfeitamente

Bichano

Felino do coração ferido,
esquece isso e vem cá
arranhar outras almofadas,
tenho um sofá velho pra você rasgar

Cruza em mim suas pernas
sua maciez de bichano,
arrepia minha pele
eu não lhe engano

Não precisa de sete vidas,
viva apenas uma comigo
que pelas outras eu acompanho

Fala, num sussurro, em doce miado,
um “eu te amo” com garra,
que eu permito que você passeie
por cima dos meus muros,
eles estão despencando

Pode até, nessa brincadeira,
abusar da caixa de areia,
dos meus trapos, farrapos,
pedaço de humano

Quero a lua contigo ficar observando
sem brigas, sem tristeza, nada disso;
Não vou permitir que se perca dos meus sonhos
que em cama de gato eu fico perdido por você,
pensando, pensando, pensando….

Gratuito

Dá trabalho, eu sei
sei que invisto, eu sei
que me cansa também, de verdade

Sei que me dedico
e que sou forte,
não peço ajuda à sorte,
ela é minha amiga

Não quero prestígio,
não preciso de status,
sei que isso estraga
muita gente, é um fato

Não vou viver pra sempre
nem sei quanto tempo tenho
com as minhas próprias palavras,
se elas foram minhas uns dia, as danadas

Não sou isso que você vê,
talvez eu não seja nada
Pra quê essa necessidade de vencer
dando até murro em faca?

Vou ser gratuito, toma aqui
é de presente, é pra você,
o que eu sinto, vamos ver
até onde chega esse meu rito
zero oitocentos

Aceito chamada de telefone móvel,
de qualquer lugar, toma aqui
torpedo poético de longa distância,
Desmedido, Descomplicado, Delirante.

Bilhete

Ainda não é você
que faz meu mundo melhor,
que faz minha criança
crescida viver,
que faz o mundo descer

Mas mesmo assim
você me ensina
eu sou grato por isso,
você sabe que não é pela rima,
eu não minto

Sintonia de primeira,
estranha essa nova fase,
sem máscara trapaceira,
sem alarde

Sei que o que sente é recíproco.
sem falsidade
Nem penso se desisto,
não faço mais sabotagem

Desses meus escritos inéditos,
o verdadeiro ser poético
é aquele que se entrega
sem metade

E o que eu digo é sincero, insisto,
pela minha própria vontade, sei de tudo,
fui um tolo, fazendo o jogo da crueldade
fingindo ser o que não era por vaidade

Hoje sei bem o que desejo
e o meu desejo é você,
mesmo que seja passageiro
eu quero um bilhete

Não escrito, nem secreto,
pode ser pouco lhe ter por perto,
pode ser curto o nosso trajeto,
mas pago pela viagem…

Madrugadas

Limpe seu coração das mágoas,
dessas águas sofridas de choro
você se afoga, e o sal dos seus olhos
desidrata

Reconheça os rancores como barreira
que você não passa, são muralhas,
socá-las só machuca as suas mãos, vai
quebrá-las

Entre o bem e o bem, meu bem
há muitas formas de aprender,
sei dos meus limites até você,
viver

Deseja a transparência,
questão de coerência com a vida,
que já se dizia há muito,
bonita

Por mais estranho que pareça,
é tudo uma questão de pretensão,
ou você pretende viver com riso, ou…
não

Se fosse assim tão simples,
todos escolheriam a mesma estrada
mas aí eu digo: É a mesma,
bifurcada

Cada problema vem com um enigma
ancestral são essas charadas,
dá trabalho desvendá-las,
destrancá-las

A felicidade é quase certa,
se você souber que a vida é engraçada,
faz piada com as suas dores, pra você sorrir depois,
madrugadas

Anunciação

Vou te tirar da minha vida,
estou a apenas um botão de distância.
Sei o que isso significa
não é covardia, arrogância

Não interages comigo,
estamos em outra dimensão.
Sei que tua partida,
ainda que forçada,
será a saída, faço a anunciação.

Não desejo mais a angústia
de te ver brincando comigo,
mesmo que não saibas o que sinto,
reconheces tua ausência, amigo

Não insistirei mais nisto,
falta-me a paciência,
não sou nenhum elevadíssimo,
estive aqui sem prepotência

Chega, meu caro,
eu é que não sou barato,
desligo aqui o nosso contato
que há muito você queimou

Lâmpada caída,
cuidado na saída
feche a porta no escuro
cuidado para não se cortar
eu não estarei mais aqui pra ajudar
nas suas feridas descuidadas…

Já tive as minhas e não havia enfermeiro
a dor que dói primeiro não é igual
a dor que dói depois da cicatriz fechando…

Carta amante

Sou carta na tua vida
na manga, sou carta coringa.
Corto teu baralho, sou a final,
um às, de paus

Sou teu jogo mais mirrado,
coisa que cartomante
não faz fiado

Sou tua algoz
se tu não fazes por nós,
sou tua lâmina na ferida

Sou tua aposta de quebra-banca,
nem te dou um futuro bacana,
tua sorte invertida,
tua carta viés na partida

Sou tua armadilha,
passei tua vez na saída,
corto tua mão preferida

Matuto

Sou chato e sou grudento
o seu carinho eu sustento,
quero você sempre perto,
bem próximo de mim, aguento!

Fiz pra você mais de um poema
e ando prometendo um livro até,
sei que sou homem de muitas palavras,
não sei se você aceita todas as falhas,
mas eu escrevo por uma questão de fé

Para que você acredite em mim
e no quanto eu te amo, sem dúvida,
tanto, tanto, tanto, diga-me, se puder:

Eu sou enjoativo e pegajoso,
sou seu homem virtuoso,
seu príncipe valoroso,
ou, sem definição, é mais gostoso?

Sei que sou repentino e astuto,
das palavras sou um matuto hábil,
busco seu hálito quente e saboroso,
grudento sim, provando do seu gosto…

Espírito da arte

Eu vi o espírito da arte
que paralisou o corpo,
que tocou a alma

Eu vi outros olhos
concentrados no nada
e no tudo, que é a vida

Eu vi o espírito da arte
que colocou homem em outra dimensão,
que cuidou do ser nesse espaço

Eu vi o contato com o além
que ninguém lê, que quase ninguém vê,
que raros tocam, mas ela tocou

Ela estava fora de si
dentro de si, estava
dentro de mim, fora daqui,
fora de mim, eu apenas observei

Eu vi o espírito da arte,
absorvi parte dele
que ela sabe que tem

Eu vi o espírito da arte
e contei para o mundo
eu contei um segredo

Eu vi o espírito da arte,
fiz fofoca pela arte,
faz parte, parte de nós

Pele morta

Pedido de desculpas
devo a você, pele morta,
que vai embora de mim

Que sairá de mim
pelo ralo quando eu…
Eu queria que continuasse aqui
para me que me lembrasse das coisas
de um tempo que passou,
mas permaneceu marcado

Pedido de desculpas
devo a você, pele morta
que suou comigo,
correu comigo
foi na garra agarrada,
até as vitórias,
sentindo o desespero das derrotas

Você que me fez arrepiar,
abriu e fechou seu encanto,
que sorriu comigo, um dia

Pele morta, desculpe
mas você vai embora
com o ano velho

E eu vou reconstruir
tecidos novos
para minha vida

Reconheço

Pela amizade de Igor Calil, nesses dois anos!

Eu reconheço
que tenho
grande habilidade
com a palavra

Reconheço
o apreço
por você,
imensamente

Reconheço
que com ela
posso ser inverídico,
mas não tem jeito

Assim que eu sei me expressar,
e pode até parecer enjoativo,
mas nunca será cansativo,
escrever para você, meu amigo

Reconheço
que sei bem pouco
da vida, da vida,
reconheço, bem pouco

Mas o que é a vida
senão fizer sentido
na vida de outra pessoa

Mesmo que essa segunda pessoa
seja a primeira pessoa
que virou presente de natal

E mesmo que seja contraditório,
reconheço o seu esforço em ser,
muito, muito melhor a cada dia,
mesmo que o natal seja apenas
uma simbologia

Mas eu não cansei de dizer,
e digo mais, outra vez,
pela palavra, pela palavra
eu reconheço que você
deixou de ser só palavra,
coisa bonita só da poesia