Cruzadinhas

E então, qual é a sua?
Passa por mim e olha torto,
do outro lado da sala,
do outro lado da rua

Você não disfarça,
encara e vira a cara,
olhares se cruzam

Não sorri e nem desarma,
não sei se faço piada,
não sei se devolvo,
se provoco, se estou louco

Olha demais, investiga, sonda,
afinal, afinal de contas,
o que você quer?

Esse cruzamento de dados,
são fatos que não se contam,
mas são percebidos

Mesmo que você não dirija palavra,
nem se esforce para ser sequer amigo
E assim o dia passa, o tempo passa,
passa todo mundo, e você, o último a sair,
não saiu de mim e nunca vai…

Vai…
Hoje eu sei até que ponto seus olhos
iam tanto até o fundo de mim,
Vem…
Eu também percebi, sei tudo que se passou,
e a gente não teve coragem de conduzir…

Beldade

Seu olhar é uma graça
que o meu olhar contempla
menino, não sei o que se passa,
mas já não sei mais fazer poema

Não com a delicadeza
que o seu rosto me solicita,
sei que sou poeta, mas seu corpo
é de artista

Dessas formas que a gente não traduz,
só teoriza, desse jeito com muita ou pouca luz,
desestabiliza

Não sei se a palavra é suficiente pra você,
se o meu sentir está pulsando manso no peito,
sentimento gostoso, um dengo, carícia d’alma
com respeito

Daqueles que olham o belo
e ao belo cultuam,
daqueles que olham o belo
e depois do belo,
tudo muda

Entrega noturna

Ficaria
a noite toda
conversando contigo

Gostaria
toda noite, a noite toda
abraçado no que for meu

Sei que
cada um entrega o que tem
sei bem
cada entrega que a vida me fez

Talvez o presente
não seja aberto agora
por hora, toma
abre amanhã

O meu eu já recebi
e estou desembrulhando,
desdobrando em vários
e até nos versos

Cedo demais

Estou tentando escrever
um poema de rotina
pra que não se quebre
essa mania de versos,
essa terapia não quero
interromper

Esse sábado tranquilo,
dei folga para o espírito,
dei atestado aos compromissos,
não quero obrigação

Curti a vida sem planejamento,
abri a porta do acaso e deixei,
deixei você vir

Com uma música boa,
sem nada na agenda,
comida gostosa na mesa,
cesta depois das onze

Cochilo bendito,
reflete a vida,
reflexo da corrida
que ninguém vence,
que ninguém perde,
mas absorve

Centrado e entendido
sei até onde cheguei,
sei onde quero chegar
sair desse não-lugar
pra sempre

Transformei, permiti mudança,
cansei de ser um velho em corpo de criança,
uma criança que não soube viver,
cansei de ser responsável e controlado por tudo

Quero ser mudo, nada de me justificar,
quero falar menos e talvez não ser entendido,
não deixar nada implícito, mas mesmo assim,
ter a certeza que você me lê
na interpretação que eu quis dar…

Ainda cedo demais,
eu, cedo demais

Poesia favorita

Sua leitura assídua
recria em minha poesia
a fonte de inspiração
reinventada e revestida
do brilho nos seus olhos,
energia bendita

Minha poesia favorita
tenho tanto pra contar,
temos tantas linhas ainda
será… será… seria de imediato
ou é poesia metalinguística?

Percebo, independente de tudo, energia que flui,
ansiedade, necessidade, libido,
que a sua leitura possui

E eu, encantado com tudo isso, vejo um ponto de luz,
sei que há energia no átomo,
princípio de todos os casos,
o choque das partículas conduz

Vejo a epiderme arrepiada
e o firmamento de madrugada
como parentes próximos,
são milhares de pontos,
esse desejo reluz

Como o êxtase e o desespero
pela fuga das palavras pelos dedos,
sei que você me entende e recupera,
na sua leitura agitada e ansiosa,
o primor do prazer potente
que une quem estava separado
pelo destino valente,
capaz de preparar você e eu
para um encontro frente a frente

Dois apaixonados pela poesia
porque ela explode feito o big bang,
e nos aproxima, apropriando-se da gente

Para Thalisson Noberto

Perto de mim

Tive um insigth com seu nome,
uma energia forte rasga todo o meu corpo,
eu sei que faz anos, não esqueci do seu rosto

Recorri ao passado
sob horas adentro,
a madrugada foi um fato
pequeno

O que é uma noite de música
perto de pretéritos anos,
seu carinho ficou guardado,
um amor que foi se recuperando

Sei que esse poema é pouco
para o que eu tenho a dizer,
sei de tudo um pouco
e do muito que é o zelo por você

Nossa cantora nos uniu e nos separou,
estradas dessa vida que tomaram rumos distintos,
mas meu instinto não sossegou

Minha alma, meu amigo querido,
não desgrudou do seu apreço
e sei de um fato:

a vida fez um contorno
para eu ter sua mão de novo
aperta, perto de mim

Assim que eu te quero,
não vai mais embora,
fica comigo, fica comigo agora

Sinto tanta paz em meu peito,
você tem uma energia leve
dessas que quando a gente sente
cabe ao poeta apenas a prece,
a prece do poema

————-
Para João Pedro Oliveira, amigo de longa data.

Sentimento histórico

Não vamos em um primeiro momento
de relacionamento amoroso
Tocar nesse assunto de imediato,
é um fato, um desgaste horroroso

A amizade deve vir primeiro
para a construção do solo sólido,
e não de uma rocha porosa
de um envolvimento precoce,
percebido por expectativas

Conhece o terreno,
arqueologia d’alma
que se descobre empática
pela sua voz doce e válida
para comparar a veracidade
dos seus lábios esparramados
em um sorriso que diz muito
para os dois envolvidos,
convite aos antigos,
desejos desenterrados
ainda vivos

Semente

Fora que eu já chego
meu corpo é seu maior apelo
sinto que não me tenha
sou ferrenha quando amo,
alma sedenta

Sou as garras de fora
ousada, não bato a porta
convido para se entregar

Não aceito chá, nem calmante
não fumo, nem bebo, seduzo,
não sou cartomante

Confundo seus sentidos
com meu corpo rígido,
sem expressão

Sensualizo de outra forma,
não mostro o meu corpo,
nem minhas pernas vulgares

Sei que de tudo sou de fato
melhor que seus muitos ares,
mesmo que não lhe dê confiança

Não sou a vendida da esquina
fácil como nota de cinco,
não me faço rara como nota de cem,
sei que não valho,
não sou comparada nem comprada por ninguém

Seu status não me encanta,
seu dote não me anima
não sou santa, mas seu crachá de bacana
não levanta o ânimo, sinto muito

Se isso é o que lhe prende, aprende
que eu não preciso desse seu corpo doente,
dessa mente perene, atitude que não muda

Sou muda, filha do meu próprio ventre,
astuta, vivo o sempre e o sempre da semente
que nasce, cresce e cai,
reinventa-se

Escolha nítida

Quando eu finalmente
pus os meus pares de óculos
sob a mesa esta noite
contemplei, inesperadamente,
com a vista turva por falta de correção
que a minha escolha por você, por amor,
não se justifica, mas mesmo assim é.

É sim, sei que é uma forma dolorida,
incômoda, não só aos meus olhos,
– também à mente -, essa constatação
reflexivamente, chata

Ora, porque eu não sou nenhum idoso
capaz de abaixar os corretores da vista
para pensar, repensar a vida, simplesmente!

É sim, sei que é incoerente tirar os óculos
e escrever, redigir com a forçosa falta de nitidez
sobre alguém que eu escolhi sem critérios
com a visão perfeita e limpa

Ora, mesmo que fingida por aparelho,
com essa falsa tecnologia do vidro
que tudo expande e esclarece,
– refletido olho cru no olho espesso –
o que não teve justificativa de enxergar!

Serviu

Da dimensão do seu sorriso,
pude sorrir contigo
quando o meu corpo,
minha mente e espírito
careciam de tudo,
principalmente, abrigo

Do mistério dos seus olhos
pude observar o que agita,
sua pupila encontra a minha,
investigativa

Da suavidade dos seus lábios,
pude tomar por certeza esse sabor,
mesmo tímido e deslocado
há necessidade da palavra

Da sua pele, não digo nada
que o tempo ainda não permitiu,
se sou assim humano,
se sou assim um fardo,
do cansaço, sua mão surgiu

Do seu afago abençoado,
inesperado e gentil
sou de todo um sortudo,
tendo a piedade da vida,
notando o quanto o outro pode ser vil

E se sirvo para você também de agrado
meu poema ainda não perdeu o significado,
de um modo ou de outro, a cada um de nós,
serviu

Versos gotejados

Careço
do teu
do meu
desejo
juntos
teu corpo
reto,
meu corpo
ereto,
sou seu
coberto
do amor
Sou feto
desenvolvido
cresci
com tuas carícias
com teus fogosos
afagos que há
de vir
de mim
pra ti
de volta
nestas
linhas curtas,
minhas rimas,
teus versos
Meus escritos
de pausa
de paixão
reinvenção
do poema
Tuas pequenas
palavras amenas
não suavizam
o teor dos grandes
sentimentos

Nós

Eco da minha mente…
divide comigo o mais difícil:
opiniões e visões de mundo

Tão somente teu carinho me espera
na ansiedade daquele que, quem dera,
pediu companhia próxima, mas não, não
acreditava na agilidade do atendimento

Agora atento fico eu, certo do que Deus me deu
se não um novo amor, amor, um amigo novo, convenceu…
E ultimamente as minhas palavras têm sido poucas,
os meus versos quase raros, mas o meu sorriso raso
escorreu pelos lábios, tamanho contentamento inesperado,
um achado desse lado para o outro lado do meu eu

Mas de nó em nó e devagar a corda de amarras se constrói,
laços de felicidades que o tempo não corrói
aos poucos e com os devidos cuidados
um bocado de nós dois

Doçura

Deixa que eu deixo a deixa
dessas doideiras doloridas do amor.
Digo, demais, eu falo, eu sei
o desgaste do exagero desmedido

Dor não combina com o doce sorriso,
seu, meu e dos nossos doidos vícios
que buscam descaradamente confortos
eu e você, um no outro, sem contrato

Desespero, não, não me entrego…
Desacelero a ansiedade pelo seu afago,
que graça, de graça esse desejo
de te ver bem e me ver bem no seu olhar

Demasiadamente uma vontade de permitir
ser assim sem compromisso, sem amarras,
digo, sem cobrança, que desperto
decerto a espera do que você puder me dar,
doçura.

Bom dia

Já diz o dia quando o sol nasce
que não é tarde para a sua companhia.
Amigos chegam a todo momento,
fortalecem a certeza do acolhimento.

Não é uma mera conquista que se comemora,
mas a comitiva se alegra porque você transforma vidas, pudera,
mostra a vida a capella

O objetivo não é importante, não é o topo do mundo,
mas você soma os fortes e os fracos na subida,
alegria escondida na liderança

Não é criança em espírito, sabe disso muito bem,
não há marcha entre o bem e o bem, não vencerá ninguém.
Sabe que constrói o importante, mais que admiração dessa gente,
sabe que a torcida é grande, cercado desse amor valente
que topou com você desafios, cruzou seu caminho em paz.

Não há perigo em vista, a vida é alegria protegida,
companheira que partilha tudo de benções pra você,
pois sabe que o melhor dos pensamentos pode trazer
somente aquilo que você desejou, o amor oferecido

Não há trocas, compras nem vendas.
Os bons sentimentos não são cambistas de esquina.
Aquilo que você quer dar na verdade se cria,
outro ponto de luz que nasce outro dia

Seja forte e sinta que a vida, sempre bendita,
ensina eu e você que o nós não é plural,
a força, a garra, a energia do que não foi feito não é impossível…

Some novamente mais alguns amigos na estrada,
segue adiante e firme a caminhada que eles vão aparecer
e unidos, você com os seus outros ser vai dar conta do recado
a missão nunca chega ao fim

A noite, escuro, medo, o negro, o outro lado,
não tema, nem merecem tema especial
é a outra fase da vida, a morte,
a outra face da moeda, tão natural
como o dormir humano, só que mais belo
quando se acorda deste lado

Sua legião, horda do bem,
vão seguir se avolumando
cruzando seu caminho
vidas e vidas cheias de história vão cruzando.

Cumpra o pouco que lhe foi dado, ainda com ajuda.
Você já percebe quantos foram encaminhados,
auxiliados pela sua conduta, não é hora, definitivamente,
de se sentir cansado quando se compreende mais abertamente
qual deve ser sua postura, você foi convidado
para ser a ruptura entre a noite o dia,
dois atos que não se separam,
bom dia!

Então…

Então eu sei do que somos capazes
quando acreditamos que podemos…
Então eu já sei das dificuldades
quando nos queremos perto estando distantes

Então eu sei o quanto persistimos,
contra a maré, nadamos e andamos
ouvindo “sim” em muito “não”,
jamais desistiremos

Então eu sei que a maioria não compreende
o que só você e eu vivenciamos, desculpem,
eu peço desculpa aos tolos que não não poucos,
verão, eles todos, o quanto se surpreendem

Está pensando que vai sair impune?
Então… eu só queria saber
se você queria casar comigo…

O quando

Vontade não me falta de ser eu,
mesmo que dê trabalho,
mesmo que meus sonhos sejam incansáveis,
vou buscá-los

Meu espaço ninguém toca,
meu olhar tranca a porta
e só eu digo: quem entra e sai

Eu não admito que me invadam,
nem mesmo o melhor e mais plausível
dos seres que eu considero de valor

Jamais alguém arromba e põe abaixo
as portas do meu interior, nem em assalto.
Não estou trancado, cadeados quebram fácil

É uma questão de respeito com o meu eu,
a unidade, o singular, a exclusividade
de ser eu vai ser preservada até quando
o quando deixar de ser advérbio de tempo

Quando o quando for o meu eu,
de vez em quando você vai entender
os meus tantos prazeres e defeitos,
mesmo os adjetivando de sujeito

Cólera

Sentir a palavra na pele
a mover a ira, o amor,
o ódio, o que for…
Provocar desconforto

Ser o encosto do que não se quer ler,
a obrigação do que não quer ser visto;
o meu mundo encantado está se diluindo

Vou na veia, fazer o corte profundo,
dizer que te odeio bem mais do que todo mundo,
jogar na sua cara a agressividade sempre contida,
eu não vou mais deixar você me ultrapassar na corrida

Quero que sinta o poder da palavra que corta,
cansei dos afagos, do carinho do abrir a porta
nas madrugas frias dos seus erros imundos

Espero que erre e erre de novo, que chore,
que grite, sentindo a solidão, o carinho
que você procura, não vai ter mais, cansei

Agora a minha palavra vai mostrar o outro lado meu,
o meu poeta vai ser trancado na tortura, molestado,
condenado sem regalias, sem prevenção alguma

Agora eu digo sem a preocupação da sua ferida aberta
e que ela arda, como arde a cólera quimera.

Brinde

Eu só queria ter a paz
que aqui eu não tenho
te fazer feliz demais
como é meu compromisso
mesmo que eu quebre
todos os vícios da norma culta

Ser o carinho da conduta que você espera
de uma espera sem sentido pela pessoa certa
Ser o amor que você sonha, o carinho
que te ronda, o desejo necessário

Quero ser o paraíso que você merece,
ser a resposta da sua prece no choro,
ser o louco que te aceita mesmo valendo pouco
quando na verdade não tem valor que estime

A estima que me convoca ao poema
é uma tentativa fraca, banal, pequena
desse adjetivo simples de poeta
para um sentimento que não se quebra
em pequenas e boas palavras

Não sei contar meus veros,
os poemas já perdi a conta,
mas meu amor por você não basta
nem nesta vida cancelo a compra

Oferta imediata e prontamente aceita
sou seu amigo, amante, namorado
o que você quiser que eu seja,
mas eu não troco por nada,
esse brinde surpresa

Que é o melhor presente que eu já ganhei
e mantenho guardado, um mimo, uma sutileza
que é ter recebido a honra de ter sua vida
relacionada à minha, em um combo de certezas:

De que qualquer palavra é mínima,
qualquer sentimento é pouco,
qualquer aperto no peito é a saudade
que tem me deixado louco

De que qualquer lágrima é apenas uma água
que não me afoga, nem me mata a sede,
que eu não faço nem a metade do que minha alma tem vontade
pra te proteger, cuidar, preservar no infinitivo,
infinito de mim, imperativo de você, minha ordem,
minha hora, minha honra sem medida, sou parte
de uma parte da sua vida que caminha com a minha…

Pesar

Não esquece da minha poesia
eu estou morrendo, não esquece
do meu riso, da minha rima.

Por favor, não esqueça
que cada letra era sua,
estou partindo nesse instante,
sinto muito ir embora
sem me saciar do que eu tenho a dizer

Sempre tenho mais alguma coisa a falar,
ou melhor, a escrever, mas o tempo
já não me cabe mais um verso

Está dizendo que é hora
de deixar as palavras mortas
sempre vivas, o poema
não escrito na eternidade
do pensamento

Eu estou morrendo
e não tem nada além
que somente o meu amor
por todas vocês,
minhas queridas palavras,
por vocês eu vivi
e mesmo morto

Pelos olhos

Hoje o amor por você falou forte de novo,
tocou fundo o meu coração ver seu sorriso,
seu rosto tranquilo, alegre…
É sempre bem-vindo
como há muito tenho desejado ver

Hoje a memória de tantas lutas vieram à mente
e eu preciso ser coerente com o que sinto,
não vou dizer pra você que eu minto um dia sequer

Hoje e antes, ontem você sempre soube, como também
no ano passado, e no anterior, e antes daquele outro ano,
você sempre soube todos os meus sonhos e planos e eu…
Eu sempre zelei pela sua alegria e o seu conforto

Hoje o amor por você falou forte de novo,
o amor que sabe que existe e me deixa louco
porque quero sempre seu bem e te ver feliz
é uma meta que poucos têm um pelo outro

Hoje o amor por você falou forte de novo,
falou no meu olhar e foi sussurrando uma lágrima,
e fui conversando com você água por água caindo
e fui aumentando o ritmo do rio que flui vivo
e, finalmente, fui gritando um choro incontrolável
de um amor inquestionável e por poucos…
que eu mesmo não sei a extensão do que sinto sem fim

Hoje o amor por você falou de novo
pelos olhos…

Conta da gente, amor!

Eu te amo tanto e muito e quanto
com exagero manso, coisa de quem sabe o que fala,
mas se atropela e repete, fala, conversa e insiste,
que ama, jura que ama, morre de amor, se entrega,
hipérbole do gostar, ama sem pensar, só sabe que gosta
muito, quanto, um tanto, um tanto assim enorme!

Eu te amo, e amo mesmo e mais ainda amanhã, não duvide
e diga para os seus falsos amigos que não te querem feliz,
que te amo, amo mais agora, e mais amanhã e bem mais que ontem
e diga para todos que não duvida disso, se sente seguro comigo…

Vai lá, fala lá que você sabe o quanto é bem, bem querido,
bem amado, bem vivo em mim e que eu vivo pra você, vai lá!
Conta, amor, que sabe o quanto eu faço tudo por você
e que faço ainda mais se você precisar, que a gente se entende,
vai lá, diz para toda gente que a gente se compreende bem distante,
sou seu amante primeiro no fogo e no desejo, na sede e na febre

Diga lá para quem quiser ouvir que você sabe o meu sabor,
que ama, sufoca, aperta o peito, sente calor, que dá pra ver
no seu olhar o quanto está sendo feliz, como nunca!

Conta, mas conta com gosto, com vontade, com delicadeza,
conta com a beleza de ver a vida de frente, de ser feliz finalmente
conta da gente, conta, pode falar, abertamente
que a gente se ama como muita gente não sabe se amar!

Óculos II

Retirei meus óculos
pela perna direita rapidamente,
cruzei-as sob a mesa e pisquei

Pisquei duas longas vezes
contemplando meu pensamento:
Eu via o que eu pensava
ganhando forma, tocando as pálpebras

Mudei de verso e de poema.
Não escrevo do mesmo jeito.
A dor amadureceu em meu peito
e como filho que a gente carrega
e só agora se dá conta da deficiência,
eu posso falar de verbo aberto e limpo:

Não tenho nada contra meu par de olhos falsos,
tenho enxergado muito bem a vida com eles,
mas é sem eles que me dei conta, patético,
das verdadeiras visões da vida

Estou aqui sim, me desculpe,
se você gosta da mesma pessoa que eu.
Olha pra mim
Olha pra mim
Olha pra mim
tira os óculos também,
mesmo que você não os tenha.
Olha pra mim
vamos, olha pra mim.
Olha bem no fundo de mim

Eu também gosto dele.
Olha ele por mim
cuida dele por mim
que eu vou me ausentar.
Olha ele em mim
que quando eu olho pra mim
só penso nele

Coloco meus óculos de novo.
Dou três piscadas profundas
Eu, ele e você
vemos o mesmo sentimento, o amor

Olha pra mim de novo
Olha pra mim de novo
Olha pra mim de novo
Estamos conversados

Cara a cara

Não é mágoa o incômodo aqui comigo,
não é dor, o que eu tenho vivido
não é sofrido, forçando a barra,
no berro, não é grito

Também não guardo calado
o que vem me consumindo,
e eu não faço desse incômodo
o que move o meu dia, a minha vida
é bem mais que esse tempo que me perco
parado tentando desvendar o que nem consigo

Cara a cara você sabe que meu olho
não tem o mesmo brilho, a minha risada
não tem o mesmo timbre do curtir da vida

Cara a cara você sabe onde a minha pele afundou,
você sabe onde está a ruga, a marca, o traço
novo que você fez tão bem, também, no plano físico

Cara a cara você descobre a lágrima presa por orgulho,
você sabe o quanto a represa guarda desse poço fundo,
você sabe o que me deixa amargurado, mas não admito…

Cara a cara, de cara lavada, você sabe porque tenho me esquecido,
porque eu tenho emudecido cada dia mais e porque eu não ligo.
Cara a cara você sabe qual é o incômodo que vem me destruindo.

A água que eu guardo aqui dentro é para não inundar mais você ainda
porque só eu sei o quanto já o afogaram desde que eu venho te seguindo,
só que das minhas águas você não bebe, não se limpa, nem se suja
porque cara a cara eu sou a água benta que vaza em desequilíbrio

Zelo

Para Alex Nilton

——————–

Zelo

O amigo, meu abrigo
companheiro de domingo
dos dias feios e lindos,
sobrevivo

Porque você me puxou
estou contigo, vivo
eu aqui e você no Rio
– São Paulo, de vez em quando –

Eu ando em falta, você,
sempre presente, meu presente,
meu querido, Alex Nilton,
nunca mais duvide do que eu sinto,
apreço verdadeiro e limpo,
sendo ligeiro no poema que vem inteiro

Desculpe a demora, o coração amadurece
o poema, essa coisa pequena de poucos versos…
Esteja certo, desabrochou agora porque a poesia
é quem manda, é ela quem desperta, feito Cinderela
buscando o príncipe, depois de tantos anos

Eu não fiz planos e nem controlo as palavras,
deixo que elas falem sem censura, sem cortes
para te mostrar que a poesia é um pouco de sorte
que atinge o coração, com amor pelas pontas dos meus dedos,
todo o meu apreço, carinho e zelo por você!