Futuro de um presente pretérito

Se eu buscasse seus defeitos
não seria seu amigo
mas se eu os amasse,
seu namorado eu gostaria
não de ser, porque não sou seu, – ainda –
mas de estar com você, bastaria

Não caberia minhas mãos nas suas,
parecer de ironia, pareceria,
mas é que minhas mãos são grandes
para caber em você como eu permitiria

Se eu puder dizer, no futuro próximo,
o quanto essa poesia disse do futuro
do pretérito – esse que vou viver, quem sabe, um dia –
eu direi novamente que valeu a espera,
eu obviamente esperaria, esperaria, esperaria

Feliz aniversário

(Para Darci Tomellin)

Pensa que eu esqueci
do quanto você me presenteou
com seu sorriso, sua energia
essa sua poesia viva

O sorriso, a astúcia de um palhaço
candura que despertou pra vida
pra minha vida, na minha existência
você fez festa, agora, agora,
feliz aniversário

Mais feliz, aniversário, bem vinda
novidade, nova idade, o mesmo ser
se é pra você, feliz, feliz, aniversário
e de novo, repito, feliz, feliz
feliz aniversário

Aquilo que se repete,
novamente, idade diferente
a vida renascendo
pra quem sabe viver

E quem a sério não leva
quem acha palhaço pateta
não respeita o corpo pintado
não sabe o quanto tem sido vazia
uma vida sem significado

Há quanto tempo conhecemos
um a outro, outro a um;
Nós dois sozinhos vivíamos bem,
mas celebrar contigo tem um porém
capaz de multiplicar,
controvérsia de duas sensibilidades somadas

Somos mais, bem mais vivos
duas máscaras de um teatro
não opostas, duas faces sorridentes
espero ter sido convincente de fato,
feliz, feliz, feliz aniversário

Poema Público

Baseado no álbum “Público” de Adriana Calcanhotto para atividade de figuras de som proposta por Vania Bernardo. Linguística II. Letras/Literaturas/2013.2. IF Fluminense.

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Ao mundo Público de Calcanhoto
publico estes meus versos
e peço, pego, desapego,
emprego de excitação
o ritmo, o ato, um laço
visto, me calço, abotoo
soo Mais Feliz, sou assim

Intérprete, desperte,
Devolva-me esse clímax,
essa luxúria, loucura
de poeta, candura na voz
pudera, quimera da arte,
alarde tamanho, essa doçura;

O som carregado me chama
ao meu sentimento, momento,
invento, tributo e luto
comigo e com essa voz a sós,
Maresia que vem atroz
me deixa partir, inunda assim
meu coração que ama sem fim

Vambora que esse álbum
reflete, me pede na mansidão
o silêncio, o vazio
aqui eu venho e crio,
recrio, reviro, repito
e vivo, sobrevivo,
insisto agora contigo

Sem sentido eu nado,
ardo, me completo, me calo,
me armo deitado dos recados!

Que canções desse porte me afoguem
e eu não me debato, deitado, deixo
que por Esquadros, meu mundo perca a cor…

Coisas de literaturas que conversam
por um pedido, e eu, solícito à Vania Bernardo,
atividade de figura de som vai além de linguística
querida, detém, retém inspiração enquanto ouvia
com essa chuva que cai tardia, Adriana me consumia…

Grandiloquente

O universo, tão sábio,
me trouxe logo após um sábado
de descanso físico, um novo amigo,
descanso da alma

Eu, grandiloqüente inspirado,
preparei as minhas energias
para vibrarem paz e poesia

No final do dia, quem diria,
nós nos encontramos e, sem querer,
nos identificamos
com carinho, respeito e MPB

Brotou aqui alegria tamanha,
deixo pra você, minha criança,
o material de um sentimento
que não sei dizer de onde veio,
mas, sem receio, é para você

Obra-prima

Quando eu vi você feliz
mais uma vez, eu me vi assim também,
outra vez

Meu coração se desprendeu do seu
sem as correntes do ciúme,
eu sei que o amor é verdadeiro
quando deixa o outro impune
pelo roubo que cometeu

Coração desarmado foi assaltado sem amarras,
de mim você foi levado por terceira alma apaixonada

E eu não cumpro prisão perpétua
de desgosto, e até aceito o outro
como amigo capaz de fazer por você
coisas que eu não preciso dizer,
nem vou revelar o quanto queria juntos,
bem mais que poesia

E não me acabo de arrependimento,
o destino eu não lamento
se você aceitou outra mão antes da minha,
a minha continua aqui pra outra forma de companhia,
porque o amor mudou de foco e de tom,
mas não deixou de ser a cor da obra-prima

Travessia

Para o amigo e ator, Darci Tomellin

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Você é a felicidade
no sorriso, na música
que traz você, refrão

Você e seu sorriso,
prenúncio de paraíso,
fascínio no olhar

E eu quero sonho soberano,
continuo sonhando com a felicidade
que passa, mas passa por você
com maravilhosa energia

Aí que percebo toda sua alma vibrante
não sei se me perco agora aqui
ou outrora, observando novamente

Poesia por você
que me faz ansioso
com garra, com cuidado,
sou um mero acaso,
eternizando o bocado…

Oh, alma linda, longe de mim
aprisionar a sua fantasia de viver,
que beleza, como você é assim?

Veio ao mundo brincando com coisa séria,
vida que leva leve, leve, leve, minha vida, leve,
é toda sua, carregue, nessas linhas minhas,
pensadas nas suas ruas, travessa, travessia em mim,
anda em minhas palavras, sorri, ri nas minhas esquinas,
pare nas minhas vias, envio, poesia travessa,
como você, você, você, como… você!

Insônia feliz

Seja minha companhia de noite
que eu sonho com o pouco,
aquela pequena amostra
de carinho

Fica comigo nessas horas
prévias de descanso,
vem incentivar meus planos
de um dia melhor

Não peço cuidado,
mas você tem se mostrado,
sem que eu pedisse
nada em troca,
contagem para todas as horas

E eu pretendo ter você
noites seguidas,
já me acostumei
se bem ou mau,
fica a dúvida,
a pergunta profunda…

Eu não vou responder,
já troquei as palavras que eu queria,
toquei a seda macia do meu pijama
vou pra cama, cansado, bacana,
ter você do outro lado, me chama

E eu pretendo ter você
noites seguidas, é claro;
Se as madrugadas serão em claro
é uma alternativa um bocado
irritante, se eu não tivesse você
nesse instante pra me dizer

É claro, sem luz acesa,
que eu quero você acesa
para me incendiar, acessa
minha insônia feliz

Segundo pensamento

Pensei rapidamente em você
essas coisas que não se pode dizer
em pequenas e poucas linhas

Pensei por alto e rápido,
uma lembrança do passado
ainda bastante recente

E esse flexe tem sentido
agilidade consumindo
a falta de coragem

Feito raio que vem caindo
sem direção é conduzido
caiu por compulsividade

E assim você me rouba os segundos
um momento de quase nada pro mundo,
de tão pouco, banalidade

Quem dera eu não me perdesse nesse segundo,
você não me prendesse por minutos,
e esse poema não ficasse pra eternidade

Que aí sim seria perfeito,
esse segundo preso em meu peito,
meu momento de êxtase somente,
vingaria na semente da felicidade

O amor do meu amigo

Para Ramon Martins, namorado de Rodrigo Moura, grande amigo.

Ele é o amor do meu amigo
o amor do meu amigo é meu amigo também
eu gosto dele como amigo, mas não como
o meu amigo gosta dele, cheio de paixão

O amor do meu amigo cuida dele
de outra forma, com mais atenção,
é mais intenso, mais seguro

O amor do meu amigo, cuidando do meu querido,
também cuida de mim, porque amigo feliz,
amigo feliz, me faz feliz também

É uma terceira pessoa cuidando de outra pessoa
que eu gosto tanto, e essa terceira pessoa
me ajuda, essa primeira pessoa, a proteger,
a guardar com requintes de amor crescente,
aquele pelo qual nós dois desejamos novamente,
e sempre, sempre, sempre bem…

Tercetos de devolução

Licenciatura em Letras/Literaturas, Instituto Federal Fluminense. Para alguém que ficou pelo caminho em 2013.1….
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Você foi embora,
mas eu tenho duas coisas
preciso devolver

A primeira é seu sorriso,
tímido, eu sei, mas recolhi…
Ficou preso na mente

A segunda é seu olhar,
assustado, menino,
eu compreendi

Talvez só nós dois
sabemos o que você me deu
sem chegar perto de mim

Eu guardei com carinho,
está aqui na memória,
afetiva, quando escrevo pra você

Corri demais, tentando dar conta de tudo,
agora, enquanto penso mudo, mudei coisas de lugar,
tirei a poeira do fundo, e encontrei você de novo

Em seu sorriso tímido, em seu olhar que mediu o medo,
eu que nunca fui bobo, percebi o pouco que você fez,
eu notei o muito que mexeu comigo, e a resposta chegou…

Desculpe a demora, fiquei observando o que me entregou,
e eu que queria devolver, acho que vou aceitar mesmo,
mas ainda assim, fique com esse poema, afinal, devolvi…

Teoria da Literatura

Selecionei você
dentre tantos que me fizeram sonhar…
A diferença é que você realiza em mim
algo que nem em sonho fui capaz de chegar

Selecionei você
sem nenhuma pretensão de escolha,
sem pensar previamente,
sem expectativa, sem nada

Tudo foi acontecendo
a realidade se tornando sonho,
a vida prática é a melhor teoria

Teoria é isso daqui, a poesia
a compilação de um não sei
do que sentir, do que amar

Se é você por inteiro,
seu corpo, seu jeito,
seu sorriso, meu apego,
seu afago, seu cabelo,
seu falar, meu ouvido
que ouve coisas com sentido
que nenhum sonho sem sentido
foi capaz de me fazer acordar

Sem contrato

Ah, eu arrumei um amor
daqueles quase amigo seu,
que entendem, que curtem a vida em par

Ah, eu disse que não me negaria mais a nada,
vou viver o que chegou cheio de conversa fiada,
veio manso feito água que escorre na folha,
como passagem de brisa que sabe a hora de se agitar

Ah, que você sonhe comigo e construa
porque a sua vida também vive comigo,
e a minha respira a sua

Ah, eu arrumei alguém
que sabe sorrir e me dar alegria
com a presença que contagia,
irradia o motivo de viver junto

Ah, eu já fui cego, carrancudo,
dei as costas para a felicidade,
mas nunca é tarde pra zelar
pelo meu coração

Ah, eu vou cuidar do que me faz bem
e no momento o que bem me faz
sem cobrança, sem laços conjugais
é você, que sabe ser meu
sem contratos nupciais…

Fim de primavera

Quando seus olhos falaram comigo
gritando pra mim mais alto que o seu corpo,
aí eu notei que o amor tinha chegado
mansamente

Quando duas óticas de beleza se apresentam
e eu escolho a mais simples, a mais suave,
é sinal de que alguma coisa mudou em mim

O detalhe mais banal foi o que despertou
um carinho crescente, delicado,
armadilha convincente para a alma

Busquei o caminho mais rasteiro,
aquele olhar que eu não vi primeiro
tem agora nova proporção

Sem comentar aqui o seu sorriso,
ressalva para outro poema,
esse belo carinho largo

Vou me permitir outro verso
para seus lábios, suas pernas,
seu braço, calo, costelas

Talvez eu homenageie você
com um sem-fim de adjetivos,
vício de um nativo apaixonado

Não cale o merecimento,
simples transbordamento
dos seus olhos misteriosos

Não cale a meiguice viciante da vida,
simples como a última rosa a desabrochar
na saída da primavera que não terminou
em mim

Tese para a Mestra

Para Marilia Siqueira da Silva, professora do Curso de Licenciatura em Letras/Literaturas do Instituto Federal Fluminense, Recesso escolar. Também estudante e futura Doutora.

E quem pra mim é soberana,
agora resolveu ter novamente
o mesmo adjetivo que eu

Comigo, quase uma dona portuguesa
daquelas que sabem bem o que diz e faz,
do olhar seguro, da voz firme,
incapaz de deixar dúvida

Lá fora, muda de figura, de papel…
Enquanto avalia, espanto-me;
Quando é avaliada, tem os mesmos medos meus

Não depende de idade, tão pouco o que já sabe
– o que para mim já é o bastante para uma devoção –
esse jogo de quem sabe o que ensina e tenta entender o que aprende
– ao mesmo tempo dona do jogo e jogadora sem privilégios –

Se comigo é quase inquestionável pelo respeito que fez merecido,
sem mim, enquanto novamente aprendiz, talvez seja só mais uma
querendo o seu espaço, o seu destaque

Ora sou ouvinte, bebo da sabedoria e das palavras;
Ora sou tratante, objetivo de estudo sendo apresentado;
Sendo avaliado por um terceiro, mostrando para segunda
onde estão os seus erros;

Fato é que ainda estou no começo da escala
– talvez sem sentido, essa dúvida me mata –
por um momento peço olhares piedosos
– será que ela faz o mesmo? –

Sou exemplificador em meio as suas citações,
e por vezes, segura de si, posso até ser riso
nas situações de sala de aula

Tenho minha tese de aluno
a preocupar a tez daquela que corrige,
mas ela, não mais minha professora,
tem um teste que também preocupa,
e ali as rugas na tez dela não são minha culpa

Caído na vida

Sou seu anjo de asas cortadas
caindo do céu em disparada
pronto para me acomodar nos seus braços,
tratado como ele ou como ela, não machucada

Doce, simples essa alma pura materializada
soube muito tranquilamente da lição requisitada…
Alma pura, coração é uma convenção limitada
esse ponto de luz que dele ou dela irradia,
energia abençoada

Toque leve, suave e delicado,
não precisa de prece,
já não se pede intermediários

Nos exemplos é que se tece
milagre pela coisa amada…
Que amor seria esse de um anjo
tão perfeito, ainda quer complemento?

O amor é um julgamento dos homens,
tratamento equivocado, anjo não precisa
de amor, ela não precisa;
Mas ele aprendeu a dar amor,
caído na vida

Encantado

São sinceras as suas palavras
correm tão suaves quando ditas
que não me impressiona
mal dizerem da sua sinceridade
para tantos, suicida

São francos os seus pensamentos
que a mim chegam atentos
capazes de identificarem
em meus versos conforto

Daqueles versos que não confrontam nada
acomodam os seus pensamentos em minhas palavras,
e não os condenam, nem a eles miram nenhuma arma

Aceito o que me apresenta, assim tão breve
vem e já me desorienta a tatear palavras
pela madrugada, acordando-as de um salto
para que trabalhem para um poeta falso,
verdadeiro, sincero e encantado

Solidão II

Fico esperando
resposta à solidão
brinca comigo,
não sou só mais são

Outro fantasma que me persegue,
segue comigo, mas não me leve,
aceito com uma condição

Que me perturbe apenas de tempos
em tempos, que ne perturbe menos
quando eu estiver em apuros

Os meus soluços são pulos
de desespero pedindo apreço
daqueles que nunca vi

E se é assim agradeço o presente
de ter chegado gente tão boa
que convincente nas suas franquezas
é com clareza por mim compatível

Assisto ainda que incrédulo
o descuido do destino
de me trazer amigo semelhante
andante das mesmas tarefas que eu

Aplaca a solidão do meu peito
que mostro contente e refeito
o sorriso que vem perfeito
por tanta coincidência
sem freios

Código secreto

Seu nome virou login na rede social,
as iniciais, senha do cartão de crédito…
É mérito dos apaixonados,
dica de e-mail é a data do seu aniversário…

Preencho formulários com o apelido
que eu mesmo invento pra você em segredo,
coisa de um desejo não contado
capaz de desvendar a minha vida

Seus gostos abrem as portas
para a minha individualidade,
procurando, sozinho, com você,
a minha própria intimidade

Guardo o dia do nosso encontro,
sei a hora que você chegou…
Eu não sabia que valeria tudo isso,
mas algo me dizia, a intuição anotou

E a cor dos seus olhos é a minha preferida,
o tom de sua pele eu uso nos simuladores de vida
tentando juntar a minha com a sua na partida

E ali ao menos desejo muitas vidas
porque entre um jogo e outro,
eu quero você ao meu lado
mesmo em fantasia…

Como quem não quer nada

E aí você vem como quem não quer nada
e toma tudo de mim, sem pedir permissão…
E eu que gostava de ter tudo sob controle
perco a direção sem perder a calma,
também sem agitação

E como quem não quer nada, você me tem todo
e eu que achava não possuir nada de valor,
entrego tudo o que eu tenho, buscando
ainda mais para oferecer

E eu que achava que você não queria nada,
tomou o todo de mim, aí que eu fui acordar
pra vida, sabendo que você arquitetou tudo
procurando no nada a saída sem falar de despedida,
apenas buscando a entrada da minha vida

Render homenagem

Choro enlouquecidamente
quando entrego um poema a alguém,
é mais que render homenagem,
bem mais que isso

Choro porque doo parte de mim,
daquele sentimento que transborda,
que não apenas passa pelos olhos,
ganha vida e forma, e vontade própria

Das poesias que entreguei,
eu não me recordo das palavras
porque elas não importam tanto
quando se coloca no outro o pranto,
incentiva a alma do outro ao diálogo
por olhares e gestos que atravessam
o concreto, o palpável das palavras

Rendo homenagens para ir além
de me desarmar e romper o desamor
de um amigo, um amor, um doce de pessoa,
da pessoa que é amiga e um doce de amor

Coloco-me sem medo de ser sem armadura
para despir o outro de armadura,
coloco-me sem arma alguma para curar
o outro com as ataduras da palavra

Segue Comigo

Para professora Vania Bernardo da disciplina de Linguística I do curso de Licenciatura em Letras/Literaturas, Instituto Federal Fluminense, primeiro período letivo de 2013.
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Eu tenho uma meta de vida que Deus guia
põe a Mão por cima e diz: Segue,
sua luta Eu acompanho,
você faz parte do Meu rebanho,
Vou proteger o meu amado filho
porque ele tem sido digno de proteção

Luta, segue adiante, não desanima,
Estou na frente, protejo você
de quem não quer nada,
sua vitória está selada
porque Eu vejo seus passos

Sei que seus atos condizem
com Meu desejo, aceito
que você descanse em meus braços
porque apesar de não ser feito de aço
coloca-se na frente quando Eu convoco

Filho amado, comigo siga,
agradeça pela vida e pelo coração,
vou segurar na sua mão, e se preciso for
Eu pego você no colo
porque enquanto perceber que você
diz: Oro com convicção, Eu sei,
no fundo só Eu sei,
a que Rei você recorre!

Para todos os meus amores

De todos os meus amores
por tantas pessoas
de todos os meus amores
por todos vocês
de todos os meus amores
evoco um a um

Na mítica da paixão
que nada explica, nada
coisa alguma define

Vocês não conhecem
a multiplicidade do amor!
Simultâneo sim, meus amores
todos os meus amores

Cada carinha carrega
a pétala, primavera
do meu coração

Querer bem não é uma escolha
por momento algum foi…
Todos os amores meus
não cabem em um, jamais

Utopia é acreditar
que mil e uma formas de amor
vão se concentrar em um ser,
desculpa, mas não dá

Pra ser multifacetado
com tantas variâncias de paixão…
Sou de um, sou por todos,
e para todos, único

De graça

Não se esqueça que eu te amo de graça
por favor, não empata o que eu sinto
procurando algum motivo que complete
a minha boa vontade de estar aqui

Eu sei que é estranho dizer
que eu quero você sem explicação
não preciso de um motivo,
não sou nenhum fingido em solidão

Aceita que eu te quero por perto
eu não te venero por condição,
sei que todo mundo espera
a hora certa pra pedir uma paixão

Mas aí quando ela chega, puxa uma cadeira,
senta ao seu lado, não precisa tomar cuidado,
não sou ladrão, nem cantada eu faço

Não se esqueça que eu te amo de graça
não há nada que eu faça querendo algo em troca,
troca comigo apenas o que você sente no ato,
não busque nenhum lado, nem teoria

Se eu não me sentisse bem fazendo o que eu faço,
certamente não estaria ao seu lado sem obrigação
sou espontâneo de qualquer jeito,
a vida me deu esse defeito
de ser sincero de fábrica

Não procuro por nada, por nenhum crédito,
nem agora, nem depois, não propus em momento algum
uma dívida com você

Eu te amo de graça, não se esqueça,
o que quer que aconteça, eu não te cobro
de nenhuma maneira, sob nenhum modo
vou doar o que eu puder, me desprender, sim

Não te dou nada rasgado, remendo não é coisa minha,
sentimento puro e embrulhado pra você abrir a caixinha
é um presente selado, não tem preço, mesmo,
não é mercadoria

Eu te amo de graça e não tem nada,
absolutamente nada que você precise trocar
aqui está a dose perfeita, a forma perfeita
pra você utilizar sem validade

Separados

O bem e o mal não existem
por que vocês insistem
nesses dois polos?

Sorte ou azar,
vida ou morte
já não dá mais
para acreditar
em duas metades

Chega de dividir
o amor não é assim,
não dá pra separar

Quem inventou o corte
desferiu um golpe ao todo
acreditando que a manipulação
evidente convenceria até os
descrentes dessa ficção

Por que aceitar apenas
um lado dos fatos
se os atos são um só?

Quem colheu para o bem?
quem plantou para o mal?
Quem recebeu o sinal
de um dos lados?

Há escolha, por quê?
Por que temos que defender
um lado da razão?

Poupem-se de batalhas mentais
isso não dá mais pra acontecer
é pedir pra permanecer parado
quando o mundo de fato já não
pede mais um vencedor

Nunca houve nenhum derrotado, por favor!
Não busquem condenados, esse jogo acabou!
Não teimem em metades que se completam
quem foi que separou?

Junta de novo, retorna à totalidade
não existe maldade nem o inverso
não precisam abrir mão de uma coisa ou d’outra
que coisa louca, viver não cabe na caixa da mente,
chega de guardar tudo em recortes, acordem!