Vazio

Eu sei o quanto de bem eu já fiz
não, eu não quis nada em troca,
nenhuma barganha se cobra
por agir assim

Vem de mim, daquilo que persigo, o amor,
e não adianta me pedir por favor
sendo essa uma questão minha, simpatia

Não preciso apelar para mandingas
sei também a hora da partida,
entendo que acabou

Vai fundo, eu sei
sentimento não se mata em um segundo
é a lei de quem sabe o vício
de se apaixonar por tudo, pela vida

Não me encanto com tudo,
romântico absoluto
sabe muito bem as pegadinhas,
armadilhas da com(paixão)

Vou embora de cabeça erguida,
não me procure mais
bancando a esquecida

Fecho a porta na saída
e não olho pra trás

Satisfez o meu caminho,
sei há muito que iniciei sozinho
essa jornada do vazio sem explicação

Olhares procedentes

Atividade sobre parônimos para o curso de Licenciatura em Letras/Literaturas Portuguesas do Instituto Federal Fluminense – Leitura e Produção Textual I, primeiro semestre de 2013.

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Soou em meu ouvido seu desejo esbaforido
suou espavorido, delatando a paixão,
os nossos corações dilatados,
retificando o tempo perdido,
ratificando o que sempre foi vivo;

Hoje diferimos a amizade da paixão,
deferindo o nosso instinto,
fruto proibido de outros tempos

Sortir os nossos sentires
para surtir em nossas vidas
a concretude daquilo que um dia
foi partida

Olhares precedentes mostraram finalmente
que realmente eram procedentes, não apenas imaginação!

Absolvidos agora estamos, depois de tantos,
tantos anos, absorvemos um a outro
numa tentativa de ascender ao clímax,
sabendo muito mais que rimas,
acender as luzes depois do clima
não bastaria para nos satisfazer

Meus versos
parônimos tão sinônimos
de um desejo antagônico
que nos move fixos na cama

Se ainda era incerta essa relação
insipiente do que é ser casal,
esse contato incipiente não deixa dúvida

Indefessos não somos mais, não agora,
já tão entendidos das entranhas de cada um
que nos revigora, permitidos de indefesas
Perdemos horas, oras

Cadeira onze

Nós nos encontramos no mesmo trajeto,
na mesma estrada nossos caminhos se cruzaram
Tomariam rumos diferentes indo ao mesmo lugar?

Vida que passa por mim e segue?
Que cegue os meus olhos e sequem as minhas lágrimas…
Se eu não cessar as minhas angústias e parar por você.

Que eu não fique pensando demais
se de mais a mais nas minhas andanças da mente
eu fui menos dono de mim do que eu queria

No banco da frente, cadeira onze
por longos instantes meu medo foi grande!
Era preciso que ele desembarcasse do meu peito

Eu precisava ter postura para não permitir
que você fosse sem saber o que sinto,
mesmo que não manifestasse ser recíproco

Mas o transporte em movimento
parecia querer parar meu coração
a medida que as horas corriam
e você não sabia que tinha meu coração

Da minha existência não sabia,
a paixão não tinha limite de velocidade,
eu sem alarde parecia caminhar sem destino…
Desconhecia que aquele rosto de menino multaria a razão!

Hora que voa, cresce o desespero,
com você de fato apenas poucos quilômetros rodados,
e tudo errado

Que trabalho para fazer a curva da timidez
e ter o retorno do seu sorriso em carisma,
contentamento…

Passado poucos segundos de susto
você não me deixou outra escolha
além de ultrapassar sem planos e de súbito,
as margens de um Rio sem afluente

Precisava mesmo era dessa atitude louca, sem cobrança,
sem taxa nem juros, apenas os breves segundos de impulso para a felicidade

E afinal de contas, a plataforma trinta e três me deu sorte,
o número onze subtraiu a solidão e da loucura, vinte e dois,
somei acima de tudo, amizade.

Maremoto da paixão

Maremoto da paixão
são as nossas línguas presas
nas águas de cada um
Você se afogando em mim
Eu pedindo que me salve-vida

Transtornado, sem fôlego
respiro o seu ar, terremoto
em nossos corações
Não tem escala, não tem limite,
quem assiste vê o nosso desespero

Eu quero todo o nosso apetite desabando,
minha alma desabafando
pelo tempo que espera a sua chegada

Vou rasgar o céu de sua boca queimando,
o desejo nos unindo e nos consumindo
fazendo perigo no mar, na terra e acima dela;
Vamos perder tudo, chorando de contentamento
sem nenhum momento pra pensar

Sem medida

Já rebaixei amores à amizade,
e elevei amizades ao amor,
tudo bem se me enganei,
inverti os sentimentos,
mas não os inventei, nunca!

Não importa se me mostrei
forte ao forte,
fraco a quem era mais ainda, fraco

Sendo franco, não me arrependo
de nenhum ato prematuro,
nem de ser ultrajado de imaturo

Coração maduro vira pedra,
não pulsa, está sem vida,
enrijecido pela agonia

O equilíbrio da balança
não é perfeito em minúcias,
o simples vento que sopra
tem seu peso, atrapalha

Espalha certo desconforto
confronto de um todo
sem medida

Óculos

Para Flávia Marques, colega de classe do curso de Licenciatura em Letras/Literaturas do Instituto Federal Fluminense, primeiro semestre.

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Há em mim uma semente
germinando latente
querendo você

Há em mim qualquer
tentativa de acolhida
corrida das palavras…

Em versos arrumadas,
sem querer parecerem vagas,
oh, ou, pobres-coitadas!

Na palma da mão, o beijo;
Da delicadeza do desejo
de quem ainda cumprimenta
damas da realeza…

Ainda que você não se dê conta
– tem que se dar conta –
da sua beleza!

E não recorra a nenhum conto,
nem mascare seus desencantos
com maestria, que mesmo assim
eu lhe respondo sem falsa companhia

Mesmo que você se finja de ponto,
vou fazer de você mais outros dois pontos
sem querer explicar nada, contínuos

Continuo contigo propondo
enquanto você se vê finalizando,
eu, apenas reconheço recomeços,
voos longos sem máscaras à aparência

Pareço quem sabe louco, que me diga,
não me importo, oportuno é deixar claro…
O que é claro como o vidro dos meus óculos:
Sua beleza que enxergo, sem exageiro dos quatro olhos

Reencontro primeiro

Faço melhor se me permite
cansei de ser só, ser triste
encontrei você com alma
simples, próxima da minha
coisa de empatia, carinho
nostalgia de quem conheço agora

Por hora, careço de explicação,
confie em mim, ou não
descobri que já lhe conheço
sem ter visto, de qualquer jeito
loucuras da visão

Olhei pra você com carinho
apostei, sem sentido,
não busquei nenhuma forma
de compensação

Não pedi nenhuma garantia
de que você de mim gostaria
amor, seria pedir demais
não me arriscaria tanto assim

Se quer saber de mim
fui louco, leviano
fiz com você tantos planos
sem saber se estaria nos seus

Mas seus olhos encantam os meus
os nossos quatro se refletem
e nós dois, em cada quarto,
vivemos trancados de coração
aberto de contradição

Mas o que importa,
o que interessa
não é nenhuma pouca promessa
de amizade, ou seja lá o que vier
não espero nada de você,
só sei que vive em mim
você que eu criei assim
perfeitamente errado,
intuição acertada não pede trocado

Trancado tenho você
liberto em meu peito
solto em minha mente
sem pré-conceito
somente um pré-desejo
de compaixão

Sangue frio

Sou naturalmente um apaixonado
Escolho com cuidado os possíveis merecedores
É tanto carinho guardado, espera incansável por valores

Não quero a pessoa perfeita, reitero a minha paixão.

Esse sonho de senso comum não me encanta,
a vida me ensinou desde criança a ser realista
dentro de tanta limitação

Ensinou-me a ter paciência na espera
e a contemplar a pessoa certa
sem alarde de quem sabe o que faz

É preciso ter sangue frio para saber
quem vai ser capaz de te esquentar
com muito mais calor do que o apenas carnal

Estações diferentes

Para Marilia Siqueira, Letras/Literaturas, Instituto Federal Fluminense, Leituras Orientadas I, Primeiro Semestre.
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Eu preciso ver a poesia
no que você apresenta,
preciso trazer para o meu mundo,
mesmo que pareça fora de contexto

Preciso arrumar um pretexto,
um precioso desejo de me encantar
pelo que você faz, fala, demonstra

Eu quero, necessariamente,
o lirismo, a sutileza
que toca na alma
e não apenas à mente

Não minto para você,
não preciso ser conivente
com o que eu não entendo

As nossas razões não se compreendem,
alguém precisa ceder, um de nós;
Ou nós dois, quem sabe

A música pode tocar em estações diferentes,
mas vem em momentos díspares parar em cada ouvido.
A você eu grito para que me escute de longe;
ou você para o passo para que eu a alcance

Sintonia nós temos, não nego
falamos do mesmo assunto,
temos o mesmo gosto, espero
tentamos nos entender no mesmo espaço

Sincronia é o que nos falta
poesia na mesma hora,
o entendimento do mesmo verso
para que o debate não fique vago,
e nós não divaguemos nos debatendo

Cartada

Está proibido
de se despir de pudor,
eu não quero mais

Essa sua atitude de solteiro,
solto aos prazeres, chega
agora é comigo…

Eu sei que esse fogo não acaba,
coisa de gente quente,
testada pela vida.

Sou carta curinga
que vence o jogo,
sei que você não é bobo

Me escolheu porque temos
a mesma sintonia,
apetite que não sacia

Finge que não sabia que era amor,
mas nas entrelinhas a gente entende,
que de inocente você não tem nada

Mas de vez em quando ser sonso
pode ser bem convincente,
uma alternativa de sedução

Eu também cansei de aventuras,
de não ter um caso firme,
mesmo que não seja cotidiano e metódico,
podemos construir o nosso próprio jogo
sem azar na partida

Não precisamos perder a emoção,
a volúpia que nos envolve,
que nos deixa em transe
com tantos caras diferentes

Mas chegou a hora de demonstrar
as nossas muitas caras para o mesmo cara,
ficar cara a cara com um só
para sermos muitos nós,
sem nenhuma amarra

 

Tentativa

Claro que podemos voltar naquela conversa antiga
podemos, sim, claro, por que não, bater na mesma tecla?
Há alguma regra que nos impeça de voltar ao passado?
Será que devemos abraçar o clichê de não reviver pendências?

Pode falar do outro,
você sente ainda falta, não é?
Ainda não seguiu adiante por isso

Insiste mais um pouco em se machucar
que mal pode ter em querer sofrer?
Quem foi o juiz que determinou
prazo de validade para se esquecer…

Eu sei o quanto você ama
mas não quero ser repetitivo
palavras de amor o tempo todo
cansam o corpo, a mente e a alma

Calma, não estou lhe cobrando
não há juros na vida,
não se preocupe com tempo perdido
o tempo é daquele que se sente vivo

Eu não peço que você deixe de chorar,
se é que você ainda tem essa vontade,
não precisa negar, não economize água.
Ela sempre volta à natureza

É da natureza de quem ama o sofrimento
simplesmente no momento em que se ama
apenas de um lado, é um fato

Ainda assim é amor, meu caro
ainda assim é amor, é seu amor
é o seu amor, mas o amor é seu
mesmo que ele tenha lhe abandonado
mesmo que ele tenha abortado
o amor puro que a ele foi doado

Você não foi doido por ter tentado,
ora, não fez nada de errado,
e essa dor que você sente…

Não adianta, não mente,
só a está sentindo
porque, no mínimo,
apenas o ato de tentar
valeu a pena

Espera aí

Espera aí, deixa eu tentar explicar
o que você viu não é bem assim…
A vida cria armadilhas
pra vê se eu quero mesmo viver

Talvez você nunca me entenda.
Talvez eu seja mesmo complexa
Talvez eu não queira ser entendida,
só vivo entendiada

Eu não inventei nenhuma história,
mas eu acompanhei a sua própria.
Talvez eu tenha feito errado.
Talvez eu devesse agir de outra forma

Mas quando eu fui pensar no mal
que estava fazendo a nós dois,
depois, não tinha mais jeito

Eu tenho consciência de que não sou
tudo o que eu gostaria de ter sido.
Nem tudo o que eu digo tem sentido,
mas boa parte desse todo,
talvez você, tolo, acreditou

Mas não que seja mentira.
Espera aí, não agrida
a nossa amizade dessa maneira.

Nem tudo o que disse foi asneira,
sempre há um fundo de verdade
nas minhas palavras

Desculpe se não estou sendo clara,
não é essa mesma a minha intenção.
Eu só faço alusão ao café e à música,
não que ela expresse o que me vem quente n’alma

Mas tem ajudado bastante a me manter acordada,
junto com as minhas rimas, reafirmam a coisa falha.
Errada fui eu quem aceitou você assim

Vou ter que assumir os meus atos algum dia,
devo começar primeiro na poesia a lhe dizer
que a culpa de tudo nem sempre foi minha,
há sua parcela também, mesmo que você não saiba

E se eu fico calada vendo o horizonte…
Não aponte o dedo em riste para me acusar
temos ainda muito o que conversar.
Eu e você (dentro de mim) precisamos do diálogo
ou eu jogo tudo pelo ralo do meu pensamento?

Eu quero convencer você que vive falando comigo
no íntimo, antes de todo poema,
para depois tomar coragem de trocar o café
e essas músicas de fundo do poço
por cair dentro de você de fato

E realmente eu não sei quanto tempo isso ainda vai levar,
quantas xícaras devo sorver com cuidado
para não me queimar com você

Mas eu vou beber, um dia
ainda bebo você, quente
um dia, eu bebo você

Embriago-me.
Mais dois dedos de você, por favor.
Não me venha dizer que acabou!

Camaradagem

A gente dá um tempo e volta,
três, seis meses, um ano
vício que retorna

Vou parar de você,
eu tenho força de vontade
sou eu quem manda em mim
com um estalo, sem alarde

O pensamento depois de um tempo
bate como pêndulo, eu quase,
quase acreditei que conseguiria
– e eu consegui pra falar a verdade –

E não tenho porque lhe aceitar de novo,
eu já consigo ser independente,
contente por não viver você mais

Mas pode vir,
eu permito mais de uma vez,
o magnetismo que nos puxa pela arte
explica esse sim,
camaradagem

Quero saber como anda
aquela energia que me tornou
poeta certa vez, até certo ponto;
Se ele anda fazendo versos bêbados
ou se está bêbado fazendo versos

Overdose de hormônios

Ainda tem o seu cheiro no meu quarto
Não é questão de saber a marca do perfume
O meu olfato ficou apurado,
do nosso encontro não saiu impune

É preciso ir além de simples borrifadas
A minha alma ficou calada
tentando identificar a combinação
de uma colônia com a sua pele

Entrou por minhas vias
como uma espécie de droga olfativa,
contaminando tudo por dentro

Desta química não quero me curar,
nenhum encontro anônimo,
vou mesmo me identificar
em overdose de hormônios

Essência

O seu perfume me embriagou dominante,
ainda o sinto forte na memória,
agitou todo o meu sangue,
despertando meu instinto animal

Você tem o cheiro de Campos,
das matas invadidas à noite,
e o seu hálito quente ao meu encontro
se deteve ao borbulhar nas minhas veias
o desejo da liberdade

Do ponto que nossos corpos se encontraram
em esbarrões involuntários e propositais,
a sua pele fina e macia em contato com a minha
fez carinho.

Não esperava tudo isso,
nem sabia ser capaz de potencializar
normas comuns do corpo,
– de humano tenho pouco –
— Sou Poeta —

Esta essência impregnada em você
tornou-se inconfundível a mim
como quem sabe reconhecer de longe
a pessoa que vem distante
capaz de me seduzir alucinante

Antecipação

Novecentos e noventa e nove poemas,
e quantos deles pra você, quantos?
O milésimo, o mais importante…

É pra você, o milésimo, marcante
escrevo fora de ordem, fora de hora,
você antecipou a marca, o ponto,
pronto, é o poder do coração

Visitar o futuro sem ter vivido o presente,
e falar de passado com você, ser condizente
com tudo o que já lhe disse, com tudo que preguei

Prematuro o rio desceu fluente,
entrou nos mais finos versos
sem pedir licença ao tempo
cronologia que não se respeita

Aceita o meu corajoso ato
de atender primeiro ao milésimo fato,
antes de outros oito calos poéticos

Prioridade para o sentimento sublime,
não há como deixar mais pra frente,
ele vem, o de número mil, assim mesmo
como quem não viu o papel que pegou

Empurrou, jogou pro canto
e eu espero que não cause tumulto
nem espanto, se ele for pra você
que merece outros mil tantos poemas,
despertou em mim outra fase de poeta
para renovar palavras não ditas d’alma

Conduta de amigo

Nós já passamos tantas madrugadas juntos,
e sonhamos unidos pensando na vida.
Fizemos tantos planos que não deram em nada,
daqueles que se perdem nos dias

Mas até esses pequenos fatos
foram apoiados com alegria,
entusiasmo fantástico
de quem acredita no outro

E mesmo tão longe,
a sua viagem não mudou nada,
continuamos nessa estrada,
no coração, bem perto

Eu tive tantas desilusões,
e tamanhas as minhas conquistas,
preciso creditar a você,
parcela considerável de vitória

Porque quando desacreditado
você me disse, luta!
E quando eu insisti em me chamar de derrotado,
você me disse, luta!
E quando eu chorei machucado
você me disse, luta!
Esteve tanto a meu lado,
qualquer sorriso acanhado,
culpa sua!

Obrigado, e obrigado, eu sei que não precisa,
como percebi também não ter critério,
você esteve a meu lado quando minha vida era muda
Agora que está alegre, e te digo sem maior cuidado,
grito, nem um pouco acanhado, mil vez obrigado pela sua conduta
de amigo!

Remendos

E fica na imaginação
melodias para canção,
sendo a vida escrita;
Os versos vivem de imitar

Paixão, quando chega
cabe apenas contemplar…
Prazer, estou de volta

você me conhecia,
só não lembra,
agora recorda
é a nossa hora de amor

Agora não precisa ceder,
se você acha loucura, tudo bem,
mais tarde, quem sabe, você acredita
que eu fui escolhida pra você

E se acha isso tudo besteira,
utopia de incorrigível apaixonado,
deixo a vida demonstrar tudo o que eu falo

Não sou profeta, nem adivinho
é apenas o fio correto
sendo desenrolado e puxado
para a outra ponta,
depois de tantos remendos errados

Sentinela da felicidade

Então vem assumir suas escolhas
não vou te prender nessa bolha de poema
você é bem mais do que pequenos versos
rimas que eu quero apenas guardar
pequenos fragmentos de você

Recomece vivendo cada momento
sabendo que ele é seu.
O tempo é seu, o passo meu
é apenas pra ficar do seu lado

Sentinela da felicidade,
nunca é tarde pra sorrir.

Acompanho você enquanto der,
se for pra te auxiliar,
a minha vida perto da sua,
e seja o que Deus quiser

Não quero nenhum obrigado
porque não faço nada que eu faço
para ganhar parabéns no final

Para você não há exigências
meu desejo apenas recomenda
sensatez para que você não sofra

Não me comova com lágrimas,
com nenhuma tristeza feita de descuido,
me desculpo a falta de guarda,
nesses tropeços do mundo

Apago

Já é o quinto ou sexto
verso que apago, me desapeguei
de palavras, desapego de tudo

E vou vivendo como as demandas
que mandam a vida seguir
seu curso sem diploma algum no final

O meu rascunho antigamente não tinha borracha,
mas agora as coisas mudaram, vou amassando papel,
sem compromisso com nenhum coronel, coração

Vou jogando com você e comigo,
com a vida, com os amigos,
vou jogando pelo vício
de jogar pra fora esse meu castigo

Sendo perturbado por todos,
por vozes altas
e perturbador de silêncios inteiros

Interiores primeiro falam de mim,
quando você apenas lê assim,
versos soltos que estavam presos aqui

Agora eu me permito terminar
pequenos trabalhos, artesanatos da alma,
lapidando as palavras em mais de um dia

Duas versões do mesmo eu-lírico,
dois autores no realismo
de ser apenas o corpo que entrega,
que transporta, e faz a ponte
que te leva a outro mundo,
literatura desconexa

Que conversa contigo
desconversando comigo
para dialogar com nós dois
tão distantes e distintos

Rebelião

Hoje eu não vou atormentar ninguém,
estou atordoado em mim, e isto fica comigo
não vou passar nenhum problema a pseudo-amigos,
não mais

Cada um que resolva o seu próprio problema,
e que responda o seu próprio dilema,
coisas de quem vê vários dias banais

Esgoto aqui qualquer tentativa de compreensão,
coisa pouca, ou não, para quem quiser me decifrar,
se é que vale a pena tanto esforço

Se eu feito louco já escrevo no automático,
dando vazão quase que sem filtros ao pensamentos,
nem tanto assim límpidos que desejam falar…

E a quem quiser maiores detalhes, não me indaguem,
não perguntem, deixem a curiosidade de lado,
esse é apenas o momento vago para deixar a mente vazia

Sem qualquer ironia, apenas para dar liberdade
a tantas e tantas palavras que se juntam,
cansadas do aprisionamento

Fizeram rebelião na minha mente
para reivindicarem a luz das ideias
materializadas no poema!

Poetinha

Eu só quero saber se o fato de você ter um rostinho bonito,
se é apenas isso que me encanta, ou se tem algo a mais.
Ainda tento descobrir qualquer outra característica
que me coloca à risca de não desistir de lhe ver.

Não sei se é toda a ousadia que você vende,
esse jeito louco com cara de inocente
apenas procurando se encontrar…

Não sei se é o fato de eu estar carente,
ou se é o coração querendo o controle
da minha razão pra dar vazão a um outro
rumo em minha vida, se for essa mesma a saída,
eu posso mesmo me deixar levar?

Você é só um rosto lindinho,
de um homem nem tão bonito assim,
apenas querendo me encantar?

Será que basta apenas a sua vaidade
para dizer a minha sensatez:
– Não precisa mais se imunizar?

Ou será que eu quero mesmo é essa brincadeira
para fazer uma nova forma de poesia,
reinventando o que por anos
pensei ter o controle?

Será que por você eu quis perder esse controle
ou talvez eu apenas tente invadir seu mundo
para buscar lá no fundo outras formas de viver,
sendo ainda sensato, mas corajoso e com cuidado
para não me perder de mim em você?

Fofoca

Sou passageiro, viajo com o tempo,
tive vários amores que não dei atenção.
Sou curto na vida de quem poderia durar mais.

Deixo meu recado em breve instante, e vou indo nessa.
Desculpe as promessas quebradas de que não deixaria.
Mas de forma estranha, a partida é natural.

Vou simples como cheguei, sem causar dor, nem lágrimas.
A vida ensina, e comigo se aprende, que não se prende a vida.
E deixo no máximo a boa saudade na lembrança que de vez em quando vem.

A recordação de um tempo feliz e de crescimento.

Desculpe esse momento de saudade dos amores,
dos amores que poderia ter, e não amadureci.
Caminhei adiante antes mesmo que eles pudessem surgir.

Hoje é que eu me dei conta de quantas contas de amor eu não paguei.
Hoje somente senti falta de pelo menos três amores que eram admiração.

E se eu soubesse disso no passado, correria de lá.
Eu fujo do amor para falar dele.
Acho que faço fofoca em versos.

Quando ele está muito perto,
sou eu quem quero ficar distante
O amor assusta, mas eu convenço

Entregue-se a ele, vá até lá,
enfrente o que eu não pude,
o que eu não tive coragem de encarar

E vou eu aqui em meus versos,
sabendo que cansei de fingir,
chegou a hora de ter coragem
para assumir o amor fora do papel

E fazer verso com a vida,
mesmo quando o coração se agita
sabendo que é a presa
de quem ficou preso por muito tempo

Confessionário

Para Analice, professora de Teoria da Literatura, Licenciatura em Letras, primeiro semestre do ano letivo 2013.1, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense

**********
Eu gostaria de saber quais palavras usar para esse poema.
Falta a palavra ideal, a pontuação correta,
a entonação no papel para este poeta.

Tudo deixou de ter ordem agora, e isso inquieta.
Talvez seja esse o princípio da inspiração, ou não.
Este congelamento de como dizer, vem de antes.

Porque a inspiração já é um estudo esquematizado
do que a alma expressa, já há um conceito.
Aqui não existe tentativa nenhuma de lucidez.

Nem mesmo na escolha de verbetes.

O dia em que se cala o poeta,
em seu próprio poema,
é o dia em que ele se rende
a sabe-se lá o que, ainda não inventado.

Um sentimento tão forte, e tão desconhecido,
que seria audácia do instinto de escrita,
até mesmo para ele, colocar isso na roda.

Nesse momento a sensação que se tem,
se me permito então qualquer alusão
ao que está terreno, tocável, seria:

Duas torneiras que se abrem,
e a medida que se desce o elevador,
cai uma gota no interior, morando a essência,
e uma gota mora nos olhos, mas não cai

É a emoção no encontro, no ponto…
O oceano que transborda por dentro
não tem a mesma água do mar que salga o olhar

O dia que se calou o poema,
que se trancou o verso no inverso
do desconhecido, calou-se qualquer sentido
de escrita, porque ela limita – muito –
o que se sente, e o que se pinta na sua mente

A palavra agora deixou de ser companheira confortável,
para ser qualquer outra coisa que coça, que provoca,
qualquer outro sentido disperso,
dispenso qualquer nova loucura de dar rosto a essa bela criatura
que não se diz poeta, sendo poeta sem palavra alguma

Afinal, para calar o poeta das palavras
é preciso a poetisa dos sentimentos
que desperta no primeiro o desejo
de capturar a segunda de algum jeito

Ainda não disse tudo:

Não sei se por conta
da delicadeza, jovialidade de espírito,
não sei se o assunto contribui pra isso,
mas querendo ou não, merecendo, ou não,
há naquela que cala o poeta a chave

A autoridade suprema de destravar
duas possibilidades de ver o mundo:
Aquele que toco, que vejo, que recorto em palavras;
E aquele que eu não me lembro, está intocado pela matéria,
por tantos eus poéticos, por mais que se tenha mil personas,
não alcanço o que me trouxe até aqui, o que me fez ser assim,
nem consigo dizer até onde tudo isso deseja me levar.

Contrato de fidelidade

Eu paro o mundo por você
pra te ver feliz, queimo agenda,
remarco compromisso, fico omisso
das tarefas que me demandam

Porque o meu ego não emana
esse vício de trabalho,
e nem me coloca acima do bem,
abaixo do mal, ao contrário;

Não é o cargo que me modifica,
sobretudo quando a vaidade dos outros
fala bem mais alto, grita

São poucos os que estarão comigo
pelo prazer da minha presença,
mas serão muitos os presentes,
na figura do meu posto

Ora, nada disso me enaltece,
só me alerta à prece para saber
separar os oportunistas colegas
dos oportunos amigos que atravessam
muito mais do que uma cadeira
e uma assinatura representam

Com estes amigos de tantos tempos,
assino agora o contrato de fidelidade,
sabendo que não é do papel que vivemos,
mas do coração que nos lembra dos laços,
e lavra na alma o desejo de bem-querer