Jogo dos amantes

Por amor tenho colhido flores secas
para mostrar que o meu peito
não se engana com romances passageiros

Tenho inclusive, deixado de plantar árvores
e cuidado do meu pequeno jardim de inverno com zelo;
Tenho externado principalmente o que minha mente construiu:
Uma imagem sólida que não se leva pelas brisas

Tenho anotado seu nome nos papezinhos de guardanapo
que me são entregues com cafés de admirador desconhecido;

Ora, que tolice esse jogo dos amantes,
como se não soubéssemos antes que um gosta do outro….
Faz parte das regras essa brincadeira de tentar despistar o óbvio

Mas, se entre as dicas de flerte você sentisse a sede que sinto,
se você fosse tomado pelo ímpedo íntimo do meu ser que deseja lhe devorar,
talvez você entendesse que para matar essa sede não basta se entregar;

É preciso mais, é preciso ir além, é isso, meu bem:

Não tenhamos vergonha de viver, nem de brincar com o amor;
Faz parte esse sabor do desejo ácido, que nos seus doces lábios,
no início, eu vou desfrutar…

Mas é preciso retrucar, para que mais a frente esse nosso desejo latente,
expanda-se, encante-me a contigo caminhar nos anos seguintes,
mesmo ainda que tristes, da minha vida, que passa pela sua vinda,
para a nossa saída…

Chama enfraquecida

E então chegou o dia que eu achei que não chegaria
e as flores, continuam no jardim, pois não murcharam
e nenhum dos meus dramas se concretizaram
e o sol continua a nos iluminar involuntário

E o que pensei eterno foi apenas duradouro
e ademais foi, sobretudo, pouco
e essa amizade se finda,
o que antes era linda,
continua ainda na lembrança

E é tempo de mudança
e é hora de usar a rima
que nessa noite um tanto doída
que a nossa chama enfraquecida
meu bem, que não se apague,
que não se apague da memória
o quanto um dia nos foi bem-vinda…

AIDS

Uma hora eu paro lá na esquina
rodo bolsinha, ganho uns trocados
abaixo a calcinha, caio no conto do vigário

Mas se eu for para a esquina,
rodar a bolsinha, tirar a calcinha
e cair no conto do vigário

E se eu voltar pra você, ainda te chamo de otário
porque perdi a calcinha, perdi o dinheiro
mas antes de perder o namorado, eu te passei AIDS

Sonho com você

Eu quero te beijar com as palavras,
tocar seus lábios de forma suave
sentir na sua boca a leveza do poema

Eu quero te abraçar com as rimas
te acariciar com essa delícia de te ter
Eu quero chegar de surpresa e tapar os seus olhos

Vou te perguntar sorrindo quem é
e sorrindo te dizer que errou – ou que acertou –
E talvez te dar de recompensa um hálito na nuca

Quero correr com você de mãos dadas
recitando essa nova vida juntos, que eu nem sei como é

Mas sabe como é, a gente sonha
a gente sonha com algo bom
Eu sonho com você….

Coisas de amigos

Quero descobrir minha querida
se é normal essa saudade
essa saudade doida e doída
que sinto perto de você

Quero saber se é frequente
que duas pessoas que se amam
sejam doentes uma pela outra

Sua presença não sana a minha vontade,
mesmo te tendo sempre por perto,
de poder ficar mais um minuto contigo

É esse o sintoma de amigo ou enamorado?
É normal sua presença me sufocando,
é normal em seguir compondo
poemas de amor para quem eu sempre encontro,
pra pessoa que está sempre perto, é correto?

Responde se é justo, esse peito matuto
continuar doendo de desejo de te ter comigo
são coisas de amigo, ou é paixão?

Por favor, guarde a sua opinião.
De palpites meu coração está cheio
E de desejo o meu coração transborda,
mas a coragem escorre entre os dedos

Vivian

Rasgue minhas cartas e minhas palavras.
Tenha de mim um ódio incontrolável,
que eu, inconsequente, medirei forças.

Não mais lhe escreverei, leia bem,
estes são meus últimos versos,
veja bem, antes de queimá-los.

Não os guarde, e não te culpes,
nao foram tuas atitudes as erradas.

Simplesmente, este é o fim
e não vou te acusar aqui
de coisas vividas.

Vivian, minha querida, não me arrependo,
compreenda, não mudaria nada…

Não nos foi um conto de fadas,
mas vivemos bons momentos,
outros não, é normal.

Segue tua vida, que eu sigo a minha
e não pensa que entrego a outras teus versos.
São teus por apropriação.

Não costumo tomar de volta presentes dados,
em outrora, tão bem cabíveis…

Foi bom enquanto durou, e tão duro
enquanto esteve rígido, mas, hoje,
nossa cama não nos aquece mais.

Não sejamos hipócritas. Dois corpos frios,
cheios de vida ainda, não têm a menor graça.

Procure outro homem que te satisfaça, que eu,
eu vou ficar com as mulheres da praça e um vinho barato.

Não nos merecemos

seus olhares não são para mim,
sua atenção não é para mim,
eu não os mereço, não os mereço

Seu diálogo não é comigo,
eu me ausento, eu me ausento
eu não mereço, não mereço

Seu grupo é outro
não precisa fingir
não há como dar certo

Nós não merecemos, merecemos?
Uma relação que começa frágil
vai ser levada pelos ventos

Nós não merecemos, merecemos?
Eu não lhe mereço, não mereço
você acha que não me merece

Esquece, o destino nos diz
que enquanto não acreditármos
não nos merecemos, não nos merecemos

Noite Preta

"Pretinha, eu faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo bem do nosso bem, meu bem..."

 

(Produzido ao som do álbum “Noite Preta”, e por momentos inesquecíveis ao lado da cantora que conquista seu espaço por merecimento. Um poema pessoal, mas que retrata de forma geral o que cada um de seus fãs deseja lhe dizer)

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Ao embalo de suas músicas,
minha musa deste poema,
além de me divertir,
inspiram-me a lhe declarar

Que a Noite, Preta, é um encanto…
E digo que lhe quero, tanto, desejo tanto,
voltar às tantas quantas madrugadas forem preciso
para lhe trazer sinais de meu amor

Quero trocar com você novamente
momentos mágicos, do jeito que só nós,
essa multidão de fãs, e você, sabemos fazer

Cheios de respeito pelo próximo,
em um evento apaixonante, que libera
nossas mágoas, e abre as alas do coração
para declarações puras, nessa festa que,
não à toa, ecoa em nosso ser por muito tempo

Finda Noite Preta e, Preta, você não me deixa,
sua energia estonteante ressoa em minha mente
e até suas brincadeiras, cheias de descontração,
eu aprendi de cor, para repassar o melhor
para aqueles amigos cheios de preconceito…

Que pena, não é? Não desfrutar da sua alegria,
não desejar compartilhar essa energia,
não se deixar levar pelo momento, que pena…

Preta, espontânea, amiga, criança dos palcos
sua identidade nos fortalece, diz não com carisma
a quem não lhe merece, faz-se respeitar pelo que é

Seu valor está além da canção,
pois não é teatro, não é fingimento,
cada canção retrata você, esse jeito lindo de ser,
passa a sua emoção ao subir nos palcos,
quando anseia ser amada, ser aceita

Porque tudo que queremos é o cheiro de amor,
sem compromisso, sem frescura, sem cobrança,
tudo que queremos é ternura….

Pretinha, vou te confessar,
você é de casa, porque as Noites,
ah, as Noites, por quem é apaixonado por todo esse transe,
não terminam mais….

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“De repente fico rindo à toa sem saber porque… E vem a vontade de sonhar de novo em te encontrar… Ah foi tudo, tão de repente, Preta!”
“Foi bom estar com você, brincar com você, deixar correr solto o que a gente quiser…”
Um beijo, Preta Maria!

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Atualização
04/09/2011 às 19:29

Cantora responde à homenagem via Twitter

Canção de amor

Voltei porque esqueci os meus desejos
guardados em você, voltei para lhe dar pistas
Porque o meu coração eu conheço,
mas o seu, não

Mas eu sei que meu simples tropeço na sua vida,
fez a cada um de nós cúmplices. Trocamos, sem perceber,
sentimentos puros, que eu gostaria que você achasse

Meu sorriso tem cor de paz, é branco,
porque é ele que me chega primeiro.
Meu coração é vermelho, de paixão,
porque é por você que ele bate,
E minha tranquilidade tem cor azul
porque ao pensar em você ganho o céu…

Trocamos mais do que risadas e palavras
quando nos encontramos, eu me doei por inteiro
fui, e sou verdadeiro, ao lhe escrever essa canção…

Carinho profundo

Vou te confessar um defeito que tenho
eu sou extremamente feliz por ter te encontrado
não que esse seja o defeito, meu caro
mas esse meu apego tão rápido e involuntário…

Ah não sei, já me causou tantos transtornos,
já me deixou tão feliz, e depois tão triste…
Mas minha pobre alma apaixonada insiste,
mesmo doída, ela me instiga a acreditar de novo

E por um motivo bobo, fico feliz novamente
porque minha mente não pode apenas ver o rosto…
Eu enxergo mais longe, mais fundo
e vejo nos seus olhos a alegria da vida…

E, deixa eu continuar a desabafar
tantas renticencias são para você ver
que é difícil dizer, mas eu gostei de você…

De forma normal, você me encantou,
essa sua magia me envolveu, e eu,
ah, eu, louco, vou confessar mais uma vez…

Não me importa alguns arranhões
se simples aparições de almas puras
eu vejo brotar, como um acaso do destino
vou te contar que é bom te ter comigo

Não sei por quanto tempo,
não sei o que você sente,
mas eu sei que minha emoção não mente
quando diz, inocente, que foi bom
escrever o que sinto, carinho profundo…

Raios de sol

Por onde andavas, o que sentias, meu anjo da guarda
de onde veio, que aguçou meu apreço de artista…
de onde surgiu essa tua mística nobreza, que encanta,
pulsa nas minhas veias tamanha alegria

Incendeia-me de sorrisos simples,
palavras amenas, que minha mente,
minha pobre mente entenda….

Este fogo não me queima,
não me machuca, não corrói…
Ao te ver, eu vou dizer que te adoro

E este teu colo, que me recebeu tão bem
aonde o levaste? Que minha arte precisava dele
que meu coração apertou por ele, aonde estavas?

Na insensatez do silêncio lhe procurei,
então, eis que voltas, como acaso do destino
E este teu olhar de menino, não perdeste?

Graças a Deus, por ele morri de preocupação!
Dê-me cá um abraço, sejam bem-vindos,
Meus dois raios de sol….

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Seja bem-vindo, amigo Teddy. Adoro-te.

Raios duplos

Raios duplos são seus olhos turvos
choros mudos, e contudo não há disturbio maior
que dois mundos recebendo essas duas descargas

Elétricos, nossos corpos se chocam, e eclodem,
dois corpos carnudos, dois seres nus que se confudem em um;
Há de vir de raios duplos, olhares que se encontram e desarmam
corações trancafiados pelas dúvidas, nas vias dúbias, das estradas úmidas
de dois pedintes, pedestres de amor, sem esperança de conquistar
o trocado, o vintém da paixão.

Mínimos detalhes

Eu posso estar sempre só, mas o mínimo pensamento em você me dá a certeza de contar com uma multidão,
não de pessoas, porque você é um só, mas de sentimentos, pois sei que são muitos os que você nutre por mim.
Eu posso parecer derrotado, mas a mínima esperança que eu tenho em reencontrá-lo me dá forças para levantar,
dizer a mim mesmo que se há alguém acreditando ainda em mim – por mais que eu não mesmo não acredite – não posso desapontá-lo

As amizades verdadeiras são assim, cheias de fé no outro, mesmo que este esteja totalmente perdido, totalmente sem destino
E digo mais: Ela tem sido o meu combustível durante tanto tempo, tanto tempo, meu amigo, que sua mínima ausência me faz pensar que corro perigo;
Porque a mínima saudade, o mínimo dia sem você, me trazem dores irreparáveis, difíceis de conter, as lágrimas descem e o coração aperta,
mas suas mínimas palavras de carinho no retorno me despertam, recolhem a lágrima e alivia o meu peito…

É não tem jeito, até seus mínimos defeitos, se houver retorno, se a saudade morrer, serão bem-vindos,
serão benditos, se eu puder te ter de novo, para em mínimos detalhes eu continuar a escrever a obra máxima,
o livro mais bonito, a poesia mais leve a canção mais harmoniosa, que é ter sua amizade para que eu possa renascer

Inimiga de infância

Se não me dirigir palavra
confesso não vou digerir mais nada
durantes longos dias,
durantes longas madrugadas
não dormirei

Mas se me dirigir palavra,
confesso que me sentirei rei
direi aos meus amigos que já é
minha conquista, meu troféu

Até que você descubra, e me condene
ao banco dos réus, por fim à tortura de,
de fato, não tê-la, não tocá-la, não senti-la

Só para confirmar às suas amigas, que não é mais criança,
que mulher adulta sabe o que quer, e despreza quem a finge de idiota
Mas em determinada hora, vai sentir o coração apertado, quando,
eu vencido, procurar viver minha vida ao lado da sua inimiga de infância

Degolando mentiras

Desce com vigor as escadas
com hobby riscado de giz
cabelos semi-molhados
em passos lentos

Escorre pela mão
o ódio, a fúria
que figura em batom
vermelho-sangue

Há de pagar aquele homem
que em meio a tantos
conseguiu ludibriar
finalmente, Lumiar

De jeitos mil sempre conseguiu
trapacear os companheiros de noite,
mas, novamente, cometeu erro de cair

Tropeçou na escada a essa sutil lembrança,
era ainda criança, na casa dos quinze,
quando, perdida de amores, foi jogada na sargeta
tratada como gorjeta de um homem pouco mais velho

Hoje, próxima aos trinta e cinco, pensava ter aprendido
suficientemente o necessário para não cair mais ao conto do vigário
Infelizmente, coração aloprado, não permitiu a ela o controle

Envolveu-se com traficante de amores, quando em viagem a Europa,
e naquele instante, embalada pelo novo ritmo de vida, deixou-se levar;
Eram jóias, perfumes, requintes restaurantes, anel de ouro, pôs a casar

De volta ao Brasil, tantos cantos a viver, ele escolheu casa luxuosa, de fato,
mas o combinado era ser de interior pois, alegava, queria vida pacata, depois de anos de trabalho.
Mal sabia Lumiar, que Euclides vinha foragido, bandido procurado, estava cercado, ameaço de morte

E então, sob a escada de olhos negros como o pano dos derrotados, viu seu amado degolado
com um bilhete escrito à sangue pelo assassino:

Sinto muito a viuvez, mas ele precisava pagar a insesatez de matar a filha de meus mandantes,
criança de quartorze anos, cheia de vida, finda por este crápula.

Lumiar, boquiaberta, via seu amado morto, e lhe matava por dentro saber
que cometera mesmo pecado que tanto lhe feriu na mocidade…

Frascos cinzas

Aroma de saudade
com fragrância que
arrepia a pele

Sem custo estimado.
Embora se conte primaveras,
nada se compara as tantas Rosas,
que partidas, deixam seu cheiro.

Em um dia do ano, a doçura prevacele,
entorpece os sentidos com a química
e o odor da solidão.

Recipiente que guarda cravos apodrecidos.
Com o passar do tempo vira apenas embalagem,
que a todo instante nos resta contemplar.

Frasco fragilizado pelos anos idos,
cheios de doces lembranças que predominam
às amargas de uma vida complicada,
após a decantação do tempo.

Conto de fadas

Se tudo o que me resta são as palavras
Eu corto, eu rasgo, eu despedaço sua alma
eu atiro, eu faço feitiço e amaldiçoo sua carne

Se tudo o que me resta são as letras e canções
não farei sequer mais um poema de amor
Estraçalho, reinvento os atalhos, quebro os pratos,
praguejo alto seu sofrimento

Se me resta apenas estas armas tão simples, tão sutis,
que eu não posso sequer lhe fazer sangrar,
Enveneno então a sua vida por dentro
só para lhe fazer chorar

Rasgue os meus bilhetes
jogue ao fogo minhas cartas
que os perfumes delas acinzentadas
possam fazer das laberadas, fogo alto

E do auge da sua dor, a minha vida, crucificada
para que eu ressurja para um novo amor, que não virou
conto de fadas

Clichês de amor

Cansei dos clichês dos poemas de amor:
A mesma ótica sofrida, o mesmo olhar maroto,
os mesmos lábios mortos, o mesmo semblante vazio

Poemas de amor sempre carregam em si, na verdade,
um sofrimento sem sentido – irracional o humano –
– que de poemas de amor chora um romance sequer vivido

A dor de querer alguém, de esquecer uma paixão,
Separações de vidas sempre geram um poema de amor
E o engraçado do poeta é que até hoje não li nada,
em absolutao, que desfaça a parceria de amar a melancolia…

Então, no ápice do sofrer aquilo que não se tem,
ou o que se tem, e não se entende, vamos chorando
em versos, em cima de cadernos, sufocando nossos sentidos

Gostaria de saber um novo sentido para poemas de amor,
cansei dos clichês do sofrer de amores, afinal,
eles não servem para nos garantir um sorriso?
Por que poemas de amor sempre são regados às lágrimas dos sofridos?

Recordações

Recorde os acordes de meus sentimentos
que sempre estiveram atentos aos seus sentires
Busque os fatos de minhas palavras doces
que buscavam nas suas dores um conforto

Lembre-se de meus versos sinceros
quando dizia que lhe queria por perto
em minha vida

Recorde, o mais importante, mesmo que não lembre dos nomes,
das datas e dos acontecimentos, tenha essa certeza novamente:
No passado ou no presente eu quero te ver contente e lhe declarar
que eu te amo além dos tempos….

Segunda pessoa

– Se me deixares, não te permitireis viver
porque sem ti a cantar a mim, nada vai prevalecer
farão falta os teus ares, e as tuas saias em rodopio
farão falta os teus olhares, e as tuas maestrias em desalinho

Se partires, cigana vivida, hei de perseguir-te, para que nunca mais ouse
cantar e beber a quem te pedires, senão a mim apenas, o seu último fregues

Se me permitires, desta tenda farei nossa moradia,
quem sabe até moradia fixa, se quiseres,
eu repito, constituiremos família…

– Pares de sonhar, jovem aventureiro,
estou a entregar-me apenas junto aos travesseiros,
quando partires, meu corpo se desligará do teu e
a magia de cigana te libertará novamente aos teus

– Como podes tal blasfêmia mulher!
nunca mais repitas isto, casa-te comigo e verás
se não serei o melhor homem a te despir o íntimo!

– Solta-me e vá, se retores daqui a três dias serei tua
– Ora, e como hei de viver três dias sem ti?
– Serás este o combinado, se conseguires, terá a mim pela eternidade
– E se fugires?
– Cigana não mente com amor. Estarei exatamente aqui. Toma, leia daqui três a dias

…

Caro companheiro,

Se bem estás agora, não lembrarás de mim.
Sou cigana astuta e te sequestrei de amores.
Em minha tenda nos amamos ardentemente em uma só noite
Motivado pelo meu corpo e minha dança, dizia-me sempre
que voltarias e deseja-me a mão

Não falavas sequer meia frase em segunda pessoa,
mas bastou-te me possuir, que desenfrado falavas;
não sei se isto te  és um dom, mas procuras saberes a fundo;

Como sabes, agora não te recordas de nada,
será melhor assim para ti, teu lugar não é em tendas
mas em tendas sabes amar como ninguém

Rosa

…

– Mais um homem tu fez feliz hoje Rosa
ele saiu daqui acanhado e triste,
mas em teu corpo via-se energia em abudancia

– Eles vêm e faço meu papel, Margarida
alías, traga-me mais papel de carta,
preciso preparar mais destes versos para os próximos…

O Contador

Em tudo o seu nome está.
Você é parte viva do meu dia.
Quando acordo, depois de abrir os olhos,
um pequeno instante já basta para trazer você a mim

Se levanto, aos suspiros de resignação pela sua ausência,
deparo-me com a minha imagem ao espelho se perguntando
se essa expressão sem graça teria um sorriso aberto

Se vou à mesa para o café da manhã
pergunto-me se você não levantaria mais cedo
e me aguardaria com o sorriso aberto de bom dia

Mas apenas o café do dia anterior encontro
e um pedaço de pão que deixei de lado no dia anterior
pelo mesmo motivo de fraqueza

Um banho gelado no começo de dia frio
não é capaz de me desligar da ideia
de que ter você aqui o transformaria em calor

É hora de mais um dia de trabalho;
Seria muito mais fácil se eu pudesse
pegar o carro ao seu lado passando para te deixar

Seria muito menos complexo suportar o tédio
do mesmo serviço matemática de ser contador
E hoje é semana de declaração de imposto de renda

Seria muito menos tributos sentimentais a declarar;
O leão me consome por dentro e por fora;
seria muito mais justo se eu fosse isento de amar;

Mas a receita que me aguarde, quando eu lhe encontrar
entrarei com pedido de reajuste comprando cada vintém
com juros e correção por tempo de equívoco

Mas isso só posso pedir com posse de você,
enquanto o meu comprovante não chegar…
Resta-me a contabilidade e a realidade
de ser contador de histórias

Desabafo

Eu então me arrastei para cama como há muito não fazia por alguém. E fiquei me perguntando porque certas coisas fogem de nossas mãos. Se era questão de sorte ou azar, não sei dizer. Mas amores sabem que doem, e nós sabemos que vai doer. Insistencia. A palavra que não compreendi, o carinho que queria e não me é dado.

Não há de chorar as minhas lágrimas quando sabem que é por você que correm. Não permito mais. Em absoluto, percebe-se em mim um não sei o que de autoflagelação corriqueiro daquele que sabe ser romântico sem deixar de sofrer. Então há de ficar ali. Na noite. No vazio, silêncio.

Suas palavras voam em minha mente como ondas saturadas pelo sal, sob o sabor incostante das incertezas e, pode-se dizer, da pura burrice de se entregar a quem já disse que não cabe amor algum. Mas bons minutos pensando em você já basta. É a necessidade de sentir você comigo.

Levanto-me. Suspiro profundamente. Bom, por hoje já tomei você. Entorpeci-me. Vou viver minha vida. Vou dar um basta nisso. Esquecer de quem somos, pois nada mais importa. Não dá. Lutar contra o que sentimos é sentir que nos enganamos. Se alguém tiver uma saída, por favor, não me ensine o caminho. Porque, embora eu viva essa loucura, ainda assim é melhor do que me esquecer do seu doce veneno de amor.

Saudade II

Tenho saudade do seu sorriso, do jeito e de como me tratava
tenho saudade das suas palavras e de como elas me faziam rir
Sinto falta das suas filosofias de vida e das suas manias disfarçadas
e, sobretudo, dos seus conselhos de madrugada

Tenho saudade das suas brincadeiras exageradas
e do seu silencio quando me ouvia, tenho saudade, no entanto,
de aprender a sentir saudade no instante em que você não vinha

Tenho saudades de tempos não muitos distantes
em que o segundo tinha intensidade de uma hora
mas tenho saudade, e quanto, de quando você contava que me adora

Tenho saudade até de te dizer o básico, o “olá” sem compromisso
o “Deus te proteja, menino” no final das conversas incríveis
mas tenho saudade, de um todo, quando eu resumia tudo
dizendo “Eu te amo”

O carteiro

Poesia

Minha amiga que cruza as pernas
que arruma o cabelo, que pinta as unhas

Poesia

Que se maqueia, escova os cabelos e sob o salto
de minha alma, que é um palco para a arte

Poesia

Que veste a camisa e a abotoa.
que calça o sapato e penteia os cabelos

Poesia

Que se perfumam, que pede conselhos aos amigos
que são inseguros, nas icógnatas um do outro

Poesia

Que me cabe a fobia de ser humano
de ser homem, mulher ou a natureza

Poesia

Que me faz oceano e animal,
um passáro a alçar o céu

Poesia

Minha sendo de alguém, ou de alguma coisa
na edificante profissão: Carteiro de sentimento

Segundos

A nuvem preguiçosa não andava no céu.
O menino não chutou a bola ao gol.
A noiva que não vestiu o véu.

Meus pés que não caminharam ao trem
A pena que não escreveu a  carta ao amor.
O amor que não beijou a boca que o esperava.

O número que não calculou a forma matemática.
A força que não foi aplicada ao corpo em queda.
A bailarina que não terminou o giro no ar.

Tudo parou, e eu, até de respirar:
Não consigo viver mais nada a partir da data
que você deixou de ver….

E os meus olhos, lacrimejados,
não deixaram cair a lágrima que você provocou…

Segundos agora são horas,
horas viraram dias; Semanas, meses.
Meses viraram anos, e os anos….
Não passam mais.