Aniversariante

Quero te ver feliz
porque meu bem,
bem você me faz

Eu só queria te dizer uma vez mais,
agora em poema: sou um navio desgovernado
nas tempestades da vida querendo seu carinho,
o meu cais

Eu sei que já te fiz alguns tantos outros versos,
e pode parecer redundante se eu confessasse
de novo a você um carinho alucinante

Mas hoje você se faz diferente,
é outra pessoa falando comigo,
mais crescido, vivido, experiente.

Meu querido companheiro, muito me anima comemorar a sua vida,
lembrando sempre da pessoa incrível que só fez melhorar a minha corrida

Minha busca pela melhora, pelo caminho correto, mesmo estando cheio de dúvidas,
com você me sinto completo

E essa energia é tamanha que hoje eu também me sinto um aniversariante,
contente e pleno, pois juntos somos um só, nessa amizade dos ditos diferentes

Pois somos tão simétricos, tão equivalentes, que por você
eu tratei de sentimentos por um momento em termos matemáticos,
mesmo sendo abençoado pelas palavras

Tudo isso apenas para celebrar seus novos números de vida

Para que no futuro você possa se lembrar das etapas que viveu,
tendo a convicção de que entre muitas lagrimas e sorrisos,
venceu ao meu lado

Nova etapa

Já não é mais tão tarde pra dizer que não te amo,
até que confessei cedo que não te quero mais,
pensei que fosse levar mais algum tempo
para aceitar os fatos, mas até que cresci e fui atrás

Da minha felicidade, um tanto egoísta,
da minha alegria, particular;

Sinto te dizer que não vejo mais nostalgia
nas nossas conversas e fotografias, quando ríamos a sós

Até que me cansei logo de dizer que via dois sóis
abrindo o dia com os nossos sorrisos,
até que foi fácil passar por tudo isso,
mesmo chorando de manhãzinha

Eu sei que em questão de tempo
pode ter durado muito,
alguns anos até a despedida,
mas se for pensar pelo coração,
foram poucos os pulsares de emoção
perto dos muitos que ainda hão de vir

Se dito isso, você ainda estiver feliz comigo,
obrigado por aceitar essa nova etapa da minha vida,
que já foi sua algumas vezes, mas voltou para as minhas mãos

Encaixes

– O que querem de mim,
mais além do que eu posso dar,
já não sou servo da palavra,
sirvo para a poesia passar?

“Ainda acham pouco, querem mais,
muito mais do que esse muito
que já doei”

– Não importa a dor, a vida é assim mesmo,
não menospreze seu talento,
temos muito a fazer com ele…

As coisas vão acelerar, não que o mundo
ele precise girar mais rápido, mas as coisas
não vão mais ficar mais tão paradas

Quanto mais destaque, mais exigimos de você,
porque você pode muito mais do que apenas dizer
em versos, – não querendo desmerecer a sua contribuição –
mas essa fase tem cumprido tão bem o seu papel…

Queremos o seu dom em outras formas de criar,
porque você pode muito mais do que já tem feito
para transformar o que anda errado, tentando acertar

É essa loucura de escrever mais rápido do que os seus dedos
podem acompanhar a sua mente, é essa inquietação sem fim,
não nos peça para ir mais devagar, não dá tempo para se pensar
no que essas linhas todas querem dizer, só podemos te esclarecer
que isso tudo é para o seu bem, para o bem do seu próximo,
e assim, vamos dizendo que as coisas um dia vão se encaixar…

Indefinido

Não há nenhum domínio
sobre as palavras
quando elas são
para as pessoas
que amamos

Não há como se sentir seguro
quando elas são, principalmente,
pra você, que significa tanto

Aliás, por falar em significado,
não sei qual sinônimo chega a ser
mais adequado pra te dizer…

Traduzir o que vem de dentro,
o que vem do outro plano,
transpassar sentimento,
torná-lo real

É sempre uma busca de sorte,
o melhor verso, a melhor estrofe…

Cada palavra costurada, abençoada
que vem bater à porta da mente,
pedindo pra sair, só para te dar a mão…

Saia de mim!

Você é um passado
que eu ainda
não tenho coragem
de apagar

Você é um futuro
que não existe mais;
E não dá pra chamar
mais de presente

Hoje você é indiferença,
coisa pequena, banal,
que incomoda e tem feito
mais mal do que bem

É aquela dorzinha chata no peito
que insiste em ser lembrada,
que de vez em quando dá aquele pontada
e me lembra: Estou aqui

É um câncer maligno
que eu pensei que fosse benigno,
vivi vencendo as etapas
e te chamando de amigo…

Agora é inimigo da consciência
que me recorda com paciência:

Você se doou demais, e pra ser franco,
a pergunta que fica em meio a tantas vírgulas:

Será que você fez o mesmo por mim?

É um passado bom, no presente ruim,
eu peço que não muito distante, no futuro:

Saia de mim!

Definitiva

Eu não vou criar armadilhas
nem emboscadas, se eu não tenho
sequer nenhum motivo para ser
encaminhado para as ciladas dos outros

Eu não vou julgar até que me peçam
uma postura, uma decisão sobre atos,
conflitos que se formarem comigo,
exclusivamente

Mesmo que eu não confie, e que meu santo não bata,
não sou eu quem vai se render aos caprichos de terceiros,
nem dar minha cara à tapa, sem razão aparente

Porque na vida se aprende que pão é pão, queijo é queijo;

Eu não vou me dar ao luxo de comer pão com goiabada,
mas também não espere de mim a falsidade do beijo,
se forem me dadas concretas desconfianças, somente as necessárias;

Eu não sou o tipo de pessoa que me vendo por pouco, – nem por nada! –
e não subjugue a minha inteligência… Ora, que testem minha paciência,
mas não duvidem sequer um segundo que eu estudo os dois lados
para, quando preciso, tomar a última palavra, a definitiva.

Presente!

Eu sei que hoje é o seu dia,
mas eu comemoro a sua vida junto
porque as coisas se invertem,
você foi o meu maior presente
– de Natal –

E o que posso dizer além de admitir,
além de aceitar um anjo na minha vida,
que vem iluminando e apontando sempre
a mim as saídas..,

Hoje é o seu aniversário,
e eu não me esqueci do presente,
nem do passado pelo qual esteve ao meu lado
para que hoje eu pudesse ser contente

Eu te entreguei a minha amizade,
apostei uma outra vez naquilo que já estava descrente,
você me mostrou que valeu a pena esperar,
mais do que um amigo, um irmão,
o verdadeiro motivo da festa

Porque os dias passam, os números avançam,
e a gente só cresce;

Os compromissos são tantos,
a vontade de deixar tudo é grande,
voltar a um passado seguro,
onde o mundo era pequeno
e nós dois, imaturos,
éramos protegidos pela ingenuidade

Mas nem tão cedo, nem tão tarde,
a vida nos exige uma postura,
temos que começar nesse jogo,
as vezes, sem armadura…

E aí, quando pensamos que perdemos o combate,
Deus nos envia o aliado perfeito que, também machucado,
torna-se resultado de fidelidade…

Dessa nossa extrema necessidade de vencer na vida,
empatar no bem-querer e saber perder o rumo
para te ver ganhar o mundo…

Seleção

E no meio da multidão
eu sou mais um, ou talvez não
só pra satisfazer meu ego

E no meio de tantos problemáticos,
os meus problemas são coisas de um louco,
lunático, que ainda não amou

No vão de tantas percepções,
o meu mundo ficou parado,
estacionado em métodos de seleção

E quem disse que o coração agüenta
esperar essa jornada até o capitulo final,
se cada dia que se passa sozinho é uma eliminação do amor?

Quem é que agüenta ter o prêmio para entregar por tantos anos,
e tantos anos sem um vencedor?

Confirmando a todo instante que estamos perdendo o jogo do amor,
– vendo a vida ir – tentando ganhar?

Sem rima

A vida anda tão corrida
que sinto falta do seu abraço
Os problemas não têm rima
eu não sei mais o que eu faço

São tantos compromissos
esperando uma resposta minha,
sinto não ser de aço

A nostalgia do nosso encontro
anda fora de compasso…
Enquanto tenho saudade
também guardo um sonho antigo e raro

De jogar tudo pro alto
e voltar para os seus braços
fugindo dessa loucura

(Eu não me lembro como vim parar aqui e como eu me perdi de você)

Mas ainda bem que eu me recordo com doçura do nosso primeiro contato

(E ficou gravada na minha memória
aquela nossa brilhante sintonia)

Que apesar de todos desejarem distorcer, basta pouco pra dizer que ainda somos amados

(Quando eu e quando você
vivenciamos um contato espiritual)

Ora na dor e na alegria;
Ora na saudade, na agonia;
Estamos sempre próximos,
você aqui ao meu lado,
mesmo quando eu não estou perto

Quimera dos descrentes

Eu que compunha sozinho
quero romper esse vazio
e escrever com você
coisas que só a alma pode dizer

Eu que versava o frio e a dor
sem saber, o amor me chamou
e dada a mão, a esta canção
só o resta o refrão dos amantes

Que delirante essa companhia
chegando na hora certa,
quimera dos descrentes,
é, a gente provou de um sentimento
mais que convincente…

Cessar fogo

Recusem as armas em punho,
joguem as armas ao chão,
não aceitem, meus irmãos,
mirar na vida do outro,
acabar com o sonho do outro
de voltar para a própria vida,
de voltar cada um pra sua paixão

Não aceitem mais derramar sangue,
não admitam, por favor, esse joguete,
pensem na vida de vocês, cada um
com a culpa de uma partida desnecessária

Não eliminem mais uma razão de amor,
não se entreguem à insanidade cruel…
Chega, meus queridos, desse sofrimento
completamente sem sentido

Desarmem-se desta loucura,
abaixem as armas da morte,
tenham piedade do amigo hipnotizado
para ser inimigo alucinado de nós mesmos

Cessem o fogo do ódio enquanto há tempo
e um coração batendo no peito de cada um…

Atestado de utopia

Ora, se é o que brota aqui dentro
se é o que nasce aqui dentro,
se é aqui dentro que fica por horas

Ora, se é por aqui que versam os meus sentimentos
se é por você que vale o que vem sendo escrito,
se esse pensamento me é entregue por idealizar,
mesmo criando expectativas nascidas da ilusão…

Ora, mesmo que eu erre, e sofra por isso,
mesmo que a tentativa me leve ao fracasso,
ainda assim é arte, ainda assim é vida

Ora, se você me ensina a pôr o pé no chão,
e mesmo que você tire o pé da lama,
ainda assim é arte, ou não?

Será que os teóricos da poesia,
estes grandes mestres que você decora,
ora, mesmo que eu não os suporte,
será que eles negariam a minha dedicatória?

Ora, porque se está aqui comigo
é porque fez chegar até mim o apreço,
ou será que enlouqueço e fantasio?

Se é assim, que nome eu dou, que título?
Por enquanto, que me diz você do meu intento?

Se por um lado demonstro que você é digno,
e se por outro reafirmo o meu atestado de utopia
por acreditar na alegria de lhe escrever…

Dois pontos

Vou perceber mais o mundo
através das suas palavras,
vou fazer das minhas palavras
o transporte da sua visão

Na existência do seu ser,
vou caminhar na sua essência,
entendendo como pensa,
o que se passa e como age
sua consciência

Sei dos muitos perigos dessa aventura,
mergulhar também nas suas doces loucuras
para compreender as minhas próprias culpas

Mesmo que distantes, o seu ponto,
o seu instante é para mim alucinante
porque a partir de você percebo um eu
que eu jamais vivi…

Seleção natural II

As coisas mudaram
os pássaros voaram
para um lugar distante

Aquilo que era tormenta
se tornou coisa pequena,
aquietou-se

Então se entende
que o tempo da gente
tem outros significados

Que nem todo sofrimento
derrama água em vão,
muitas vezes essa é a única solução
para esvaziar aquilo que está contido

E esse rio vivo que ganhou outro percurso
quase destruiu o que era bonito,
o ambiente propício do bem-querer

Os nossos segredos trancados formaram de cada lado
a barreira que foi acumulando expectativas
e na certeza das nossas vidas
fizeram uma inundação sem medida

Matando ilusões, afogando o que era belo,
e sendo sincero foi melhor assim,
seleção natural…

Ilusões do amor

E a gente achando que o amor
era essa coisa pouca que nós vivemos,
um ciúme alucinado nos adoecendo

E a gente achando que isso é amor,
fingindo uma proteção maligna,
nem um pouco digna do verdadeiro amor

E tinha gente achando que vivíamos bem,
se nem comigo me sentia feliz
como é que com você eu posso ser
tudo o que quis, depois de tanto sofrimento?

E tinha gente achando que o nosso sorriso era verdade,
quando a realidade dizia o contrário, dois corações sofridos,
muito mais que isso, o remorso e a angústia nos consumindo

E tinha gente que chamava isso de paixão,
que grande ilusão nos consumindo
era os verdadeiros sentimentos incômodos
querendo emergir para nos permitir a verdade

E a gente sufocando os nossos erros por vaidade,
nos afogando na falsa sinceridade que só diz
o que convém, o que é mais bonito de transmitir,
quando se tem apenas dois reais fatos:

Você fugindo de mim
e eu correndo de você
abraçados pelo amor
que nunca foi amor
foi ilusão que se materializou

Sentidos da poesia

Abro meus sentidos,
mesmo que sentido
por tantos tropeços

Abro meus sentidos,
na prece sentida
que tece melhorias

Abro meus sentidos
no sentido do progresso,
mesmo que tenha vivido
na contramão, um sentir perverso

Abro meus sentidos,
no sentido da paz interior,
desqualificando qualquer outro sentido ruim

Abro meus sentidos ao novo estágio,
viver no sentido de ser operado
e um operador da paz e do amor

Vou dando sentido à vida,
uma outra direção pra minha querida,
a poesia

A última estrofe

Você que não virou a página,
rasgou por completo nossa história,
agora o amor não mais transborda,
a água que flui coloca pra fora,
jorra o que estava aqui dentro

Definitivamente, enquanto tivesse chance,
a crença no amor era a última esperança,
mas a pomba branca da paz voou alto,
bateu asas, foi para longe

Essa história que acaba
no último verso tem seu ponto,
na última estrofe começa outro ponto

Reticência de uma vida que não para,
mesmo quando o coração constata com demora
que já é hora de parar de bater por você ,
vai pulsar muito mais por mim, e pela vida plena

Sem amarras que há tanto tempo eu me prendi,
eu fujo hoje dessas correntes, não vou me limitar mais
a amar o que de fato não dá pra sustentar

Eu me liberto nessa última estrofe de você
para saber compor outra história, outro eu,
esse eu que não viveu com você a toa, é verdade,
mas sou um sujeito que não nasceu com você,
e não aceita maldades disfarçadas de amor, ex-amor

Absolvida

Cada dia é uma luta diária para a felicidade,
mas quem foi que disse, no começo da história,
ter essa necessidade de batalha toda hora?

Por que esse esforço alucinado,
por que a perseguição desenfreada,
se a felicidade pode ser camarada da razão?

Entre muitos sujeitos, a felicidade virou adjetivo
quase sempre um privilégio que poucos reconhecem…
De outra maneira, mais superficial eu diria,
felicidade tem se tornado predicado
que exige o complemento da vida

Entre muitos eus, muitos vocês,
entre muitos eles, aqueles, elas…
Aquela que não tem descanso

Proponho o descaso, o descumprimento,
proponho a liberdade, o habeas corpus,
concedo a inocência por falta de provas
de que felicidade é culpada pelo crime do sofrimento,
agravado quase sempre por uma ilusão que não se realiza

E na mente dos réus, diante do júri da consciência
muito maior é a clemencia pela justiça depois de constatada
a condenação equivocada dessa tal felicidade que não tem culpa de nada

Tempo de espera

Nunca é tarde mesmo para quem tarda a felicidade,
nunca é tarde, meu amor, para arrumar a sua casa,
pra nós juntármos nossas tralhas e talheres,
nossas escovas de dente e até as nossas preces,
mesmo que elas sejam diferentes

Nunca é tarde para a coragem, para a atitude,
e não seremos jamais imunes às críticas,
mesmo fazendo sempre o certo

Há sempre os inconformados, os incomodados do amor,
há sempre uma falha na receita da vida perfeita
que desanda as nossas mãos, mas eu espero.

Espero de mãos abertas, outras mãos abertas
que gostariam de se fecharem em terceiras e quartas mãos
que não as minhas duas promessas de carinho

E eu espero que as suas mãos encontrem outras mãos
tão macias quanto as minhas, que te afaguem com calor,
não apenas o corpo despedido de pudores, nem tão pouco
o seu rosto cheio de rubores loucos…

Por ter me negado por tanto tempo
que as minhas mãos se pusessem em seu rosto,
depositassem o sentimento nobre,
depois de tantos anos de espera…

Lições no caderno

Que eu exercite minha humildade
e que reconheça a minha fragilidade,
que eu desempenhe bem o meu papel
de ser um grande caderno em branco

Que as minhas poucas páginas escritas
não sejam definitivas como um livro…
Que eu possa ser passível de correção,
mesmo que eu precise reescrever partes

Que eu perceba o quanto o aprendizado
amplia meus horizontes e me abre portas
para que eu pare de olhar pelas janelas,
para que eu pare de ver pelos olhos outros

Que eu reconheça a limitude do muito que eu sei,
para assim compreender o quanto meu ego
tenta sempre dominar as minhas barreiras,
impendindo-me que as derrube

Que eu seja perseverante nesse exercício
para que eu possa ser uma pessoa melhor
sem falsas atitudes, mas com devoção à simplicidade

Porque dentro da minha complexidade,
eu preciso aprender a transparecer o físico,
transpor-me da carne e dos vícios,
transpassar-me ao melhor caminho, ao amor

Te amo

Te amo e não é pouco!
Dos muitos sentimentos que levo
é a você que elevo e entrego, quase sempre

Te amo quando acordo, e antes de começar o dia
é em você o pensamento mais próximo,
o motivo pelo qual eu abro os meus olhos
e deixo os raios do sol despertarem a minha carne

Te amo quando lembro por um minuto a nossa risada conjunta,
e das conjecturas que se firmam em nossa cumplicidade…
Te amo também de tarde, na reflexão que me vaga a mente
e te amo, acima de tudo, para me ver coerente
com todas os poemas que escrevo, em cada verso

Te amo mesmo quando você não está perto
e quando mesmo longe, apesar das dúvidas,
interroga-se rogando a si sabedoria,
para entender que dimensão é essa,
que amor é esse que te entrego,
e que não me sacia, não termina…

Voda

Antes então da madruga
no sertão alagado há abençoada,
no sabor do copo que te mata,
antes só, bem melhor que acompanhada

Ainda que suja, limpa e é utilizada,
fonte de prazer na língua salgada,
pela comida, introduzida e fervente
companheira do chá quente dos carentes

Melhor ainda no banho do pensamento
corrente de sentimento sendo levado
ainda assim, exalto em mim a necessidade
vital e consciente, mesmo que inconsequente,
submerjo e me faço submarino na contagem dos segundos

A priori, antes que se prove o contrário,
essencial à vida e à morte ao mesmo tempo,
simultaneamente escorre de alegria e de tristeza;

E na beleza do pouco que cabe na mão,
o que desabrocha delicada no botão,
é aquela que transpassa o que vier
entra fundo na pele da mulher

Desembarque

Você que aparece tão rapidamente
e num piscar de olhos vai embora,
não demora para que eu pisque de volta
e lhe capture nesse pequeno segundo

Você que ainda resiste à prisão,
eu quero lhe libertar o pensamento,
liberar essa mente não para mim,
mas ao mundo, e ao amor

Eu sei que eu sou passageiro,
tripulado em um coração
desavisado e desordeiro

Eu paguei passagem cara
colocando em xeque até a minha sanidade
para contribuir com a santidade verdadeira
para aquele que você pensa, disfarçadamente,
atrocidade camuflada de milagres

Você que um minuto apenas se abre,
e me permite a invasão, por um minuto,
você toca no amor e retrai

Afasta-se assustado no tamanho desse amor,
assusta-se com a capacidade de tanta intensidade,
de tanta vida pulsando pela espera desse toque

Você que se abre, e se fecha, como flor
que desabrocha e se protege a toda nova estação…
Chegamos no ponto.

No final das contas,
eu desembarco sempre para a felicidade
e você ainda vive vagando no medo
do tão famoso paraíso, pensando que não o merece,
quando ele está de portas abertas para nós, em vida…

Amadurecimento

Você que foge de mim,
desculpa, eu não lhe segurar
nem lhe assegurar que espero mais,
se quer seguir sua vida, não precisa voltar

Eu vou saber me virar sem sua presença
eu sempre soube do mistério da sua vinda,
e na minha vida não desperdicei esse tempo

Você segue vivendo, tendo as suas experiências
e eu não vou viver de aparentes felicidades…
Também tenho os meus outros planos a cumprir,
você talvez seja o mais importante deles;
Mas eu preciso deixar para outra oportunidade…

Eu que sempre sonhei com você,
e você que nunca pensou em mim como sonho…
Eu que sempre pensei em você outra hora do dia
e você que nunca pensou em mim além de quando estamos juntos

São aprendizados, amadurecimentos pelos enganos…
Não digo ser um erro a ilusão, porque a tristeza mata!

A ilusão, ao menos, é uma vida disfarçada de carinho…

Talvez exista só para a mente que a criou,
mas ela precisou criar para recomeçar a viver…

Multipovo

Quando o silêncio reinar no lugar da dúdiva, e nenhuma arma for levantada,
nem mesmo uma palavra mal-criada for proferida, estaremos apenas no começo;
No príncipio de entender que a dor do outro, causa a dor de um terceiro,
e a dor do quarto pode voltar a bater no primeiro…

Quando uma lágrima não for colhida por uma mão
que não seca a própria água de sentimento,
essa negligência tem seu custo, tem seu preço

Quando a prece vazia ganhar sinônimo de apreço verdadeiro,
aí todas as crenças sem ou com cruz terão sentido no amor
sentimento que na palavra não basta, é no ato que se sente…

São de fatos que se nascem sentimentos, não basta nutrir
dentro do peito, não basta guardar no coração,
quando todas as vocações estiverem voltadas,
quando todas as falas fizerem sentido no ato
será uma questão de paz interior

Sintoma de dever cumprido, a chamada paz de espírito,
mesmo para aqueles que não acreditam…
Então outro nome: Conforto pela vida

Desejo de muitos, perseguição de tantos,
mesmo que de boa intenção, mas ainda há erro,
nas milhares de crenças ainda falta respeito

Ah, como seria bom se todos nos déssemos conta
de que não importa o quanto se vive, ainda é preciso aprender,
ter essa compreensão que qualquer convicção não nos torna
melhor, nem superior, nem pior e nem inferior aos outros

Que somos um grande multipovo de muitas línguas,
muitas peles, muitos jeitos, que somos um grande povo
que sofre, que ri, que espera, e que age,
somos um grande multipovo de diversidade
precisando fazer parte cada um mais de si…