O feitiço

Ela pensou que eu fosse um idiota
bem, eu fui, hoje não sou mais.

Ela pensou que poderia fazer tudo comigo
enfim, ela pôde, mas hoje não faz mais.

Ela quis que eu a amasse a força,
bem, amei, enfeitiçado por sua beleza
a beijei, amei, aproveitei e desfrutei.

Hoje já me libertei,
não sei o porquê,
mas acordei.

Hoje já não me engano mais,
já nem a olho mais nos olhos
para evitar o feitiço maldoso,
complicado e perigoso,
que nos deixa amarrados
um no outro,
denominado amor.

Repeteco

Sobre a luz de um novo ano que começa
à espera de que tudo se repita
ou melhor ainda, que o que foi bom se supere.

No pouco de esperança que ainda insiste,
cada um ao seu modo, persisti em melhorias
que ao longo do ano mude as suas vidas.

Promessas são feitas de que o errado não voltará,
de que o ruim não permanecerá,
mas ao decorrer do ano a tendência é relaxar
então, quando mais um ano termina,
voltamos a renovar nossas esperanças
de que no ano seguinte tudo vai melhorar.

A aventura

Dize que me amas
e eu direi o mesmo.

Dize que me odeias
e eu direi que foste meu melhor amor.

Dize que fui um traste
e eu direi que foste meu traje de gala.

Dize que eu não prestava
e eu questionarei
por que tu beijavas
a boca que nunca prestou?

Dize que fui seu melhor amante
e concluirei dizendo,
foste minha melhor figurante.

Decisão sábia

Talvez eu devesse chorar por te perder
ou talvez sorrir, pois uma nova pessoa me espera,
uma pessoa, que me faça mais feliz.

Quem sabe eu devesse me arrepender de terminar
com uma história tão linda,
ou ficar feliz por pôr fim
no que estava nos sufocando.

Não sei, talvez devesse ficar chorando
e chamando seu nome em silêncio,
baixinho, sussurrando em pranto.

Mas preferi seguir a vida,
tentar te esquecer,
e me encontrar, sofrida.

Sofri por amor,
chorei de rancor,
amei por um favor,
e hoje, hoje
calei o temor.

Notei, ah, quão idiota eu fui,
hoje, – bendita decisão – hoje,
você saiu da solidão e eu,
eu da escuridão
porque nenhum de nós dois
era feliz na prisão de um
casamento sem solução.