A vida sabe o que faz

Queria tocar seus doces lábios
e torna-los quentes novamente
ver seu rubor em cada traço
e as nossas almas contentes

Quero o meu braço pela sua nuca
e as suas orelhas quentes e vermelhas
as nossas bocas sendo teias de aranha
a aprisionar nossas cabeças

Quero seu corpo pulsante e firme
e o tremor a subir pelo seu corpo
eu quero o calor a me tomar por inteiro
e o seu sabor de ser o primeiro

Quero seus lindos olhos a viajarem pela min’alma
e as suas faltas de ar a acalmarem as minhas entranhas…

Quero então mergulhar nos seus ancestrais
a caminhar pela sua cama, e uma vez mais
acessar o amor de verdade, a declar que me ama

Nesses nossos rituais ver nossas almas a se encontrarem
e durante eras, presenciar nossas habilidades se afogarem
na prova viva de que a vida sabe o que faz
quando nos une novamente….

Aflição

Temos que aprender a não nos culpar
quando a culpa não for nossa
só pra tentar solucionar problemas do agora

A culpa não é transferível, e cada um, dentro do possível,
tem que aprender com os próprios erros
e você, a todos tentando proteger,
impede do outro conhecer a evolução

Não há menor demonstração de amor
do que absolver o outro da lição
nem tão pouco, deixa-lho compreender aflição

Anjos pelo papel

Nessa noite fria em que duas poesias se encontram
eu espero que a sua rima ou a minha, ou até a falta delas nas entrelhinhas
nos aqueça e ponha na mesa um pouco de calor humano, pois sinto,
e lhe digo um fato: Quando dois poetas se encontram
são dois anjos contando seus atos

Dois anjos que se despertam
Enlouquecidos, não pelo entoar, mas pela vontade de voar
Estão cada um em seu lugar, cantarolando e se manifestando
De um lado um pouco tímido, estou eu em minhas figuras
Um anjo encabulado com suas palavras inseguras

Ame as minhas palavras, companheiro de escrita
porque os meus versos são de paz, e são seus
e toda a minha criatividade é para lhe fazer bem
porque se não for assim, anjo meu

Se assim não for a minha índole
Não se deprima!
Anjo algum há de pedir
que eu seja expulso do céu

Para evitar isso, no entanto, serei réu do amor
vou testemunhar aonde for que apenas isso nos muda,
e nos molda a labuta de ser anjos pelo papel

Palavras sinceras são dignas de amar
Não me importo se cá estou na minha timidez
Sentindo diante seus versos a minha nudez, de fato estou no inverso
Somos duas almas, de certa forma alienadas
Pois pra escrever linhas tão centralizadas
É de certeza, que nossa presença no céu nunca seja banalizada

E Gaudard minhas palavras! Guarde-as bem:
Sem presunção alguma eu sei que não somos ninguém
Apenas semeadores de palavras
para colher então, versos
e juntos rasgar os provérbios de muitas civilizações
resumindo estes ensinamentos e muitas canções de amor
apenas nessas considerações:

Não somos nada sozinhos,
nem tão pouco nossos carinhos
são a redenção dos versos
mas entre dois poetas
é natural a espera das novas formas, quem dera,
formas inéditas de falar tudo o que é bom sempre

Andando pelas suas linhas, estou a concordar
Que nada somos sozinhos
Em pensar que há pessoas nesse mundo que ainda insistem em negar
O que é dito nesses versos, que sejam para muitos incertos
Não há como fugir, fomos feitos para se unir
Imaginar que voar seja de fato sonhar
Tenha “Jeff”, meu caro amigo, a certeza de que para caminhar
Só é preciso, para anjos, forças para gritar

Sendo assim, eu lhe digo
E tenha muito bem dito
Que em qualquer lugar, somos capazes de chegar
Se sempre estivermos rimando como poetas
A nossa coragem de falar, o que homens têm a vergonha de sussurrar

 

*Em parceria com Matheus Gaudard