Descontentamento

Não espero de você nenhuma passividade
quando ao amor estiver descontente
mas não espero de você, tão pouco,
possessividade nas entrelinhas

Não me mande indiretas em bilhetes de rosas
porque elas, ora, não são objetivos, não,
pelo menos, esteja certo, de que não ao mal

Então não me venha com deboches
e sagacidades para desequilibrar minhas verdades
por estar descontente com você, Arthur..

Perigo

Hoje você me abriu a sensibilidade
para escrever versos, poemas inteiros
de uma só vez, rasgando a inspiração

Assim como a canção cantada sem nexo
no ato automático de amar sem entender
(palavra por palavra eu só canto)

E em qualquer canto eu rabisco você
desde caderno, até as paredes se for preciso
Só assim para não correr perigo de te esquecer

Quem de nós II

Eu quero ver quem de nós dois vai quebrar o silêncio
nesse momento e confidenciar ao outro o que sente

Quero ver ver quem de nós tem essa audácia
de deixar de graça e conquistar a palavra novamente

Quem de nós vai parar de gritar com os olhos
quem de nós vai parar de chorar com a alma
e de camuflar a calma em respiração quente

Quem de nós vai entregar os pontos
quem vai abaixar a guarda, e resignada,
dizer contente que aprendeu o que alma pede:

Perdoe os inocentes!